All for Joomla All for Webmasters

A Ao vivo

SWU (13.nov): Lynyrd Skynyrd, Peter Gabriel, Duran Duran, Hole - Paulínia/SP (13.11.11)

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Considerada a data do festival voltada para o rock mais clássico, a segunda noite da edição 2011 do SWU ficará marcada por um line up que, tanto quanto ousado e recheado de bons nomes, continua mostrando arestas na relação entre produção e bandas nacionais.

Com uma melhora significativa em sua estrutura, o Parque Brasil 500 em Paulínia se mostrou em total condição de receber um evento desse porte, com praças de alimentação bem distribuídas, palcos frontais e atrações secundárias bem localizadas, atendeu plenamente as expectativas.

Porém, o segundo dia do festival confirmou logo em seu início o que todos temiam: a chuva. Próximo do horário de início das apresentações um forte vento acabou atrapalhando a montagem de um dos palcos, modificando a ordem dos shows. A alteração mais significativa ocorreria com o Ultraje A Rigor se apresentando mais tarde e em outro palco, o que acabou acarretando uma das situações mais constrangedoras da história dos festivais brasileiros.

Uma briga entre a produção do Ultraje a Rigor e Peter Gabriel resultou em troca de socos em pleno palco, declarações ácidas do vocalista Roger Moreira em seu show e, principalmente, o fim da harmonia que o line up estava tentando proporcionar. E após grandes apresentações, ficou claro que a música ainda é o melhor caminho para que a satisfação encerrasse a noite em Paulínia.

Com shows distribuídos em três grandes espaços pelo festival, saiba como foram os shows de algumas das grandes atrações do dia 13 de novembro:

Tedeschi Trucks Band

Ainda desconhecida no Brasil, a Tedeschi Trucks Band foi a primeira banda internacional a se apresentar no dia. Empolgada com sua participação no festival (conforme contou em entrevista com o Passagem de Som), Derek e Susan não economizaram esforços para conquistar o público que ainda chegava ao SWU debaixo de uma chuva leve, mas constante.

Com músicas de seu álbum único álbum, Revelator (2011), fez o que poucas bandas que tocaram à tarde conseguiram durante o festival, que era conquistar um público afoito pelos headliners, além de trazer aquele clima de paz que tanto se esperava. Imaginar essa mesma apresentação em uma tarde de sol seria, provavelmente, como imaginar a própria versão do paraíso em um festival.

Com longos solos e um palco simples, mas com mais de uma dezena de músicos, músicas como Don't Let me Slide, Love Has Something Else to Say, Come See About Me, Learn How To Love e Shelter arrancaram aplausos do pequeno público que se encontrava a frente do palco. O principal momento do show foi na execução da belíssima Midnight in Harlem, destaque de Revelator e que tem tudo para se tornar um dos maiores clássicos dessa nova geração de bandas de southern rock.

A mistura de estilos como blues e soul que a Tedeschi Trucks Band trouxe ao Brasil deixou a melhor das impressões, além de mostrar o virtuosismo de Derek Trucks, considerado ao lado de nomes como Warren Haynes, um dos maiores nomes do slide guitar da atualidade.


Ultraje a Rigor

Após todo clima de paz proporcionado pela apresentação da Tedeschi Trucks Band, a lendária banda brasileira, Ultraje a Rigor, subiu ao palco já de forma tumultuada em virtude da briga existente entre os roadies de sua esquipe e a de Peter Gabriel, que utilizaria o espaço para a montagem de uma orquestra.

Todos os detalhes dessa confusão foram divulgados nos grandes meios de comunicação e é desnecessário se aprofundar no assunto. Ficou clara a isenção de culpa dos próprios músicos nesse problema, tanto da parte de Peter Gabriel, que se desculpou com Roger, como de Roger com Chris Cornell, envolvido em uma polêmica durante o show após uma brincadeira do vocalista com seu roadie.

Sem nenhum disco de inéditas para divulgação, o Ultraje mostrou porque é uma das bandas mais importantes bandas brasileiras na história. Com músicas como Nós vamos invadir sua praia, Inútil, Ciúme e Se eu fosse homem, todas sempre bem recebidas e acompanhadas em plenos pulmões pelo público, a banda realizou um grande show até que seu equipamento foi desligado. Infelizmente, o assunto que sempre virá à pauta sobre sua apresentação no festival será o incidente entre a produção das bandas e a eterna rivalidade entre músicos brasileiros e internacionais.


Chris Cornell

As consequências do show realizado pelo Ultraje a Rigor ainda teriam reverberação na apresentação seguinte, de Chris Cornell, eterno vocalista do Soundgarden, Audioslave e dono de uma carreira solo de bons álbuns.

Se apresentando no mesmo palco que o Ultraje a Rigor, Chris Cornell subiu ao palco em um ambiente hostil, sendo xingado durante a apresentação da banda brasileira após uma brincadeira de Roger com o seu roadie, Cornell teve conhecimento do incidente e acabou entrando no meio de toda bagunça.

Logo após subir ao palco e cantar Peace, Love and Understanding, cover de Nick Lowe, o vocalista alfinetou Roger, afirmando “saber muito bem o que fez na música e por que está ali”.

Divulgando seu mais novo álbum, Soundbook, um álbum acústico com músicas de toda sua carreira, Chris Cornell prometeu retornar com o Soundgarden futuramente e pediu compreensão ao público por estar ali como “um cara com um violão estúpido”. Mas não era necessário, mesmo em seu formato acústico, músicas que fizeram sua história acabaram funcionando bem ao vivo. Fell On A Black Days e Black Hole Sun do Soundgarden, Be Yourself e Like a Stone de sua carreira solo, Hunger Strike do Temple of the Dog e covers de Beatles (A Day in the Life) e John Lennon (Imagine) foram algumas das músicas que mais empolgaram o público.


Duran Duran

Ícone da década de 80 e em plena forma, o Duran Duran foi responsável por colocar o festival novamente nos eixos após toda tensão no fim da tarde. Já com a noite para ajudar seu iluminado palco, a banda não poupou hits e desde o início manteve o público empolgado.

Planet Earth e A View to A Kill foram a porta de entrada para uma viagem pela música pop e sua evolução. Bons refrões, produção de palco e uma dose segura de música eletrônica deixaram os hits do passado ainda melhores ao vivo. Destaque para a performance do vocalista Simon Le Bon, que havia cancelado alguns shows esse ano por estar com problemas na voz.

Com muita simpatia, o Duran Duran ainda trouxe outros hits como Come Undone, The Ordinary World, Notorious e Reflex, além de Hungry Like the Wolf. Inspirado em seu novo videoclipe, executou a nova Girl Panic, música que ficou ainda mais empolgante ao vivo. Mas foi com dois clássicos que os ingleses encerraram sua excelente apresentação no SWU. Wild Boys e Rio mostraram como se faz música pop e consolidou o ótimo momento da banda, que se adaptou muito bem ao pop rock ao longo da última década.


Peter Gabriel & The New Blood Orchestra

Com um palco minunciosamente elaborado e dezenas de integrantes, Peter Gabriel trouxe ao SWU um show ímpar na história dos festivais no país, o que gerou as mais diversas opiniões à respeito da forma como vem se executando ao vivo. Atualmente, em divulgação de seu último álbum, New Blood (2011), Peter Gabriel traz clássicos de sua carreira recriados para serem executados com uma orquestra.

Com um público fiel a frente do palco, Peter Gabriel fez no SWU o show perfeito em uma noite errada. Enquanto a concentração do público tentava dar foco à performance da orquestra, em momentos de maior silêncio a Tenda Heineken Greenspace praticamente tomava de assalto a todos na pista, problema onde nem organização nem bandas ou DJs tiveram culpa, afinal, não há como impedir que isso aconteça em uma área aberta, mesmo tão distante.

Começando o show com Heroes, cover de David Bowie, a tônica da apresentação foi dada, seria um show rico em detalhes, mas de lento andamento, o que dispersou boa parte do público, que provavelmente esperava algo mais animado.

Sempre se esforçando para falar em português, a elegância de Peter Gabriel só não foi maior que a força de seus clássicos, que conseguiram emocionar ainda mais os seus fãs. Músicas como San Jacinto, Secret World e Mercy Street ganharam novos arranjos e um clima mais intenso acompanhado pela New Blood Orchestra. Em seu final, Soulsbury Hill mostrou a satisfação de Peter com o público, que cantava visivelmente emocionado a sua obra.

Após o bis, Peter agradeceu o público, cantou a clássica In Your Eyes e usou seu lado ativista para mostrar que a música também pode trabalhar por um mundo melhor. Com a ajuda da apresentadora Didi Wagner do Multishow, falou sobre o trabalho do The Voice Project (que esteve no Fórum Global de Sustentabilidade no festival) e pediu para que o público participasse, momento emocionante e que culminou com um encerramento apoteótico, com Biko.

Peter Gabriel fez o inimaginável em um festival e transformou sua própria música em arte, uma pena que tudo isso tenha sido realizado diante de um público tão diminuto, algo que não tira o brilho do show.


Lynyrd Skynyrd

Verdadeiros sobreviventes na história do rock, o Lynyrd Skynyrd fez em sua primeira, e provavelmente última, vinda ao país um show que mostra o tamanho da qualidade de sua música, encerrando com uma apresentação de gala o dia 13 do SWU.

A presença de palco de Johnny Van Zant transforma o show do Lynyrd Skynyrd em uma verdadeira avalanche sonora. Com um setlist que mostra como a banda não parou no tempo, os americanos trouxeram músicas mais recentes como Skynyrd Nation ao lado de clássicos como That’s Smell, Workin’ for MCA e Simpe Man.

Com um trio de guitarristas e um vigor impressionante, o Lynyrd Skynyrd condensou em 1h30 e 14 músicas o que é o southern rock, ainda que a participação do público acabasse sendo bastante limitada, o que acabou frustrando nitidamente a empolgação de Johnny em alguns momentos.

Oscilando a epolgação do público em alguns momentos, até pela ausência de distribuição de material do Lynyrd Skynyrd no Brasil, o show embalou de vez na reta final, quando a banda fez a sequência Gimme Three Steps, Call Me The Breeze e o hino Sweet Home Alabama, encerrando a primeira parte do show.

O bis, como não poderia deixar de ser, aconteceu com Free Bird, um momento histórico para quem conferiu ao vivo aquele que é considerado o solo de guitarra mais elogiado da história.

A noite do dia 13 do SWU terminou com um público satisfeito, mesmo com os imprevistos da tarde. A missão de pensar em um mundo melhor e mostrar suas variáveis musicais era objetivo principal e ele foi realizado com louvor.


Tenda Heineken Greespace

Com uma estrutura que a destacou dos demais palcos, a Tenda Heineken Greenspace foi uma excelente alternativa para quem quis conferir os melhores DJs da atualidade e se ausentar um pouco dos palcos do festival.

Entre os nomes que se destacaram no dia 13, o duo Booka Shade conseguiu manter a tenda lotada até o fim de sua apresentação, sempre alternando entre faixas dos álbuns Movements (2006) e More (2010).


New Stage

Opção para quem não estava muito afim do grande público nos palcos principais, o New Stage ficou posicionado em uma área privilegiada do festival, próxima da praça de alimentação e entre a Tenda Greenspace e os palcos principais, além de trazer algumas apresentações interessantes no dia 13.

Contando com um supreendente público, bandas como Is Tropical, o experimental e dançante !!! (lê-se Chk Chk Chk) e Playing For Change realizaram boas apresentações, mas o dia estava reservado para o Modest Mouse e o veterano Hole.

Infelizmente, em virtude de um problema de logística, o Modest Mouse acabou não se apresentando no festival. A banda esteve no Parque Brasil 500 para realizar o show, mas seu equipamento acabou não chegando, o que frustrou boa parte do público que estava no New Stage. O Modest Mouse se pronunciou afirmando que virá em breve ao país e lamentou todo o ocorrido.

Com o adiantamento do horário, o Hole tinha para si a faca e o queijo para realizar uma apresentação livre de pressão de horários e com carta branca da organização, mas o que se viu foi um show polêmico e frustrante.

A tentativa de alguns covers e uma performance cheia de comentários infelizes mancharam a primeira vinda do Hole ao Brasil. Estiveram presentes todos os clássicos do grupo, como Violet, Celebrity Skin e Malibu, além de covers de bandas como Rolling Stones e U2, mas as sequentes discussões de Courtney Love sobre a sua vida com Kurt Cobain e a neurose com o Foo Fighters acabaram se tornando maior que sua música. Embora tenha realizado um bom show, acabou com a sensação de que poderia ser melhor.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais