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Pearl Jam - Morumbi/SP (03.11.11)

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Quando anunciou-se a turnê PJ20, turnê de 20 anos de história do Pearl Jam, o Brasil presenciou uma daquelas mobilizações por ingressos dignas doa maiores nomes da história. E não é por menos, uma das bandas mais queridas no país retornava após seis anos e dois álbuns de inéditas lançados.

Com lotação esgotada para a primeira data, foi aberta uma segunda oportunidade para os fãs do quinteto de Seattlle. Mas, diferente da correria do primeiro show, os ingressos acabaram causando espanto aos fãs por serem disponbilizados praticamente pela metade do preço para que a lotação fosse maior, algo que acabou não acontecendo, mesmo com o valor inferior.

Com uma pista parcialmente cheia e 2/3 das arquibancadas completos, o Pearl Jam deu o pontapé inicial em sua segunda turnê pelo país. Com a presença icônica de Eddie Vedder a frente da banda, o show começou próximo das 21h00 com a calma Release, enquanto o público ainda adentrava o estádio do Morumbi.

O show começou pra valer com Corduroy, do álbum Vitology (1994), que empolgou e já mostrava porque o Pearl Jam é uma das bandas mais populares no país. Com um palco bastante simples, o grupo mostra-se muito à vontade com sua dupla de guitarristas e um som consistente, longe de representar um gênero específico, soando como uma grande banda de rock deve ser.

Why Go, do clássico álbum Ten (1991) veio naquela sensação de que a apresentação seria um verdadeiro Greatest Hits, seguida de Animal, uma das mais pesadas músicas da banda, lançado em Vs (1993). Um início que valia a espera de seis anos dos fãs por uma apresentação da banda no país.

Uma curiosidade que talvez a própria história do rock no Brasil tenha trazido foi a frieza do público. Se em 2005 o Pearl Jeam se apresentava para um verdadeiro mar de pessoas louvando sua música, dessa vez tudo parecia muito mais comportado, longe do caos que a banda promoveu naquela situação..

Do álbum Pearl Jam (2006), o famoso disco do abacate, veio sua melhor faixa, World Wide Suicide, além da rápida Got Some, de seu último lançamento, Backspacer (2009), mesclando bem toda história da banda ao vivo e provando que seus últimos álbuns foram bem recebidos no país.

Foi quando Eddie Vedder mostrou seu lado “mestre de cerimônias” e saudou o público pela primeira vez, para então executar um dos maiores e mais intensos clássicos da carreira do Pearl Jam, Even Flow, um dos momentos mais emocionantes da noite.

Novamente transitando por todos álbuns de sua discografia, vieram Unthought Known e Whipping, que mantiveram a empolgação até Daughter, um dos maiores hits da banda, que fez questão de alongar sua versão para delírio do público.

Com solos certeiros e sem a necessidade de um guitar hero, o Pearl Jam conduzia sua apresentação sem precisar ser a banda de 20 anos atrás. Eddie Vedder hoje se mostra muito mais maduro do que na época de Ten e sem o efeito do tempo em sua carreira, executando com tamanha perfeição as notas mais altas em suas músicas.

A inédita Olé foi bem recebida, mostrando que, mais do que uma turnê de celebração, o Pearl Jam continua olhando pra frente. Em sua parte mais calma, Down e Save You prepararam o público para a inspirada The Fixer, uma das mais famosas músicas do Pearl Jam na última década, resultado de um excelente trabalho em Backspacer.

Em sua reta final, o Pearl Jam trouxe dois outros clássicos, a explosiva Do The Evolution, do álbum Yield (1998) e Porch, de Ten (1991), para deixar o palco pela primeira vez.

O primeiro bis veio praticamente como um louvor a uma das maiores inspirações de Eddie Vedder, os Ramones. Entre as execuções de Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town, Just Breathe e Come Back, o que ficou claro é que o vocalista do Pearl Jam sabe bem da importância de suas raízes, dedicando Come Back a Joey Ramone e depois tocando I Believe in Miracles, para finalmente encerrar a primeira parte em um êxtase total, com a execução de Alive, quando a banda deixava pela segunda vez o palco.

Ciente de que um último bis à aguardava, o público manteve-se estático até o último retorno da banda, que tocou Comatose, também do álbum Pearl Jam (2006), e só depois executou um de seus clássicos mais populares no país, Black (Ten, 1991), em um dos momentos de maior comoção na noite.

Já em ritmo de despedida e completamente à vontade no palco, Eddie Vedder convocou o público para Better Man e a pesadíssima Rearviewmirror, mas foi com o resultado de sua parceria com Neil Young, em Rockin' in the Free World, que o Pearl Jam se despediria pela última vez do seu público.

Diferente de sua primeira turnê no país, o Pearl Jam, e talvez o público, tenham demonstrado maior maturidade. Trata-se de um ótimo show e com músicas que praticamente definiram o rock nas últimas duas décadas. Sempre imprevisível em seus sets, o Pearl não tocou o clássico Jeremy, mas é bem possível que, com a intensidade do show, ninguém tenha sentido falta da música, que provavelmente será um dos pontos altos da segunda noite do Pearl Jam na cidade.

Ao longo de duas décadas de história, o Pearl Jam soube como poucos cultivar seu público a ponto de transformar novas músicas em clássicos e seus antigos clássicos em hinos.

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