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Deep Purple - Via Funchal/SP (10.10.11)

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Ano após ano o assunto que antecede uma turnê do Deep Purple no Brasil é sempre o mesmo. Fala-se que a banda não sai mais do país, que envelheceu e que o setlist não mudou ao longo da última década. Mas uma coisa é certa para qualquer amante de rock and roll: certas bandas trazem em seus shows uma energia que rompe a barreira do tempo e provam a cada música por escreveram a história do estilo, e uma delas é o Deep Purple.

Em extensa turnê pelo Brasil, o Deep Purple realizou show na cidade de São Paulo em uma ingrata segunda-feira e em meio a outros grandes shows que deixam qualquer fã em desespero, sendo obrigado a sacrificar algum deles ou simplesmente deixar para outra oportunidade aquele que seria mais fácil assistir novamente.

No caso do Deep Purple, todos esses fatores jogando contra não foram suficientes para abalar a vontade do público e comprovaram o tamanho da devoção que o público brasileiro, esgotando os ingressos dias antes do show no Via Funchal.

Com casa lotada e uma temperatura quase insuportável (problema que parece nunca ser solucionado na casa em shows quando está com lotação esgotada), o Via Funchal aguardava por mais uma turnê com ares de celebração do Deep Purple, que subiu ao palco sem atrasos e em plena forma para escrever mais uma página de sua história no coração dos paulistanos.

Highway Star foi a saudação inicial da banda para novos e velhos fãs, que tinham sua letra na ponta da língua e acompanhavam Ian Gillan em seus mais difíceis agudos e Steve Morse em um dos solos mais clássicos da história do rock. Mostrando empolgação, a banda soltou a primeira novidade de seu set, Hard Lovin’ Man, do pesado In Rock (1970), que já animou aqueles que estavam vendo a banda pela quarta ou quinta vez e aqueles que se impressionaram pela primeira vez em ver como a banda manteve intacto o peso de sua música ao longo das últimas décadas.

Ainda surpreendendo, o Deep Purple tocou outro clássico há tempo não executado, Maybe I’m Leo, do antológico Machine Head (1971), que teve direito a uma fiel execução e uma performance inspirada de Gillan, que se já não alcança aqueles agudos de outrora, ainda sabe como controlar o público e adequar sua voz aos grandes clássicos. Strange Kind of Woman, já veterana do repertório da banda, veio para manter a empolgação do público e expos na sequência uma curiosidade existente na carreira do Deep Purple, a ausência de lançamentos nos últimos 6 anos e a presença constante de músicas como Rapture of the Deep e a bela Contact Lost no set acabaram tornando ambas quase clássicas, com grande participação do público em suas execuções.

Outra surpresa no set foi Mary Long, do álbum Who Do We Think We Are (1973), um feliz resgate da banda e que foi uma das melhores do show. Recheado de solos, o Deep Purple mostra uma qualidade ímpar nas mãos de Don Airey e Steve Morse, que em suas performances solo sabem sair do senso comum de solos longos e entreter o público; foi assim que ambos abriram caminho para When A Blind Man Cries e, posteriormente, para Lazy e seu solo de gaita de Gillan.

Sem entrar no setlist da banda desde 2002, outro clássico do Deep Purple, Knocking At Your Back Door empolgou bastante e sua execução antecedeu No One Came, a última novidade do setlist e que acabou passando um pouco despercebida pelo público.

O que se viu daí em diante foi uma enxurrada de clássicos para satisfazer qualquer um dentro do Via Funchal, do tradicional solo de Don Airey veio a pesada Perfect Strangers, seguida por Space Truckin’ e o hit supremo da banda, Smoke On The Water, que por mais que seja executada, ao vivo mostra por que é um dos maiores clássicos da banda e do estilo.

Após breve pausa, a banda retornou com um trecho de Going Down, clássico de Don Nix e que fez sucesso na voz do Jeff Beck Group na década de 70. Já com Gillan no palco, o único dos clássicos do Purple que Gillan executa mesmo sem ser seu compositor original, Hush – que foi regravada com os vocais de Gillan posteriormente – e parece ter sido feita para ser executada junto ao público, crecendo ainda mais.

Sobrou espaço ainda para solos do eficiente Ian Paice e o incansável Roger Glover, uma das cozinhas mais competentes da história do rock e que ditaram o ritmo de Black Knight, o último dos clássicos do show, encerrando a ótima apresentação do Deep Purple.

Não se sabe quanto tempo a banda vai excursionar ou quantos discos ainda irá gravar, mas é certo que algumas coisas envelhecem, porém uma delas com certeza não é a música do Deep Purple.

A música passa por aqui.

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