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Judas Priest & Whitesnake - Anhembi/SP (10.09.11)

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Judas Priest e Whitesnake por si só já fariam a turnê conjunta que estão realizando ser histórica, dois pesos pesados da hard rock e do heavy metal, ambos souberam lidar bem com as adversidades do tempo e vivem um bom momento na carreira. Mas havia algo mais, o lançamento do elogiado Forevermore trouxe o Whitesnake de volta aos tempos áureos, já o Judas Priest realizava sua última turnê mundial (o que não significa o fim da banda) e a noite fria de 10 de setembro prometia ser ainda mais histórica.

O bom público presente no Anhembi com suas camisas pretas e grande expectativa começou a conferir a apresentação do Whitesnake pouco depois das 20h00. David Coverdale trouxe em sua nova formação os bons guitarristas Doug Aldrich e Reb Beach (ex-Winger), Michael Devin no baixo, Brian Tichy na bateria e o tecladista Brian Ruedy, formação que se não pode ser considerada uma das melhores do Whitesnake, ao menos mostrou-se bem entrosada.

Com Best Years, do elogiado álbum Good to be Bad, abriu a apresentação e trouxe um Coverdale com seus tradicionais gestos, correndo muito, brincando com o pedestal e jogando os refrões para o público, bem recebida (apesar de ser um clássico mais recente do grupo), o show embalou mesmo com Give Me All Your Love, do álbum 1987, e a suprema Love Ain't No Stranger, cantada em plenos pulmões pelo público, o que facilitou demais o trabalho de Mr. Coverdale no palco e ganhou de vez o público.

Na sequência, outro clássico da banda, Is This Love, música que por mais brega que seja, funciona como poucas baladas ao vivo e comove até o mais assíduo headbanger, foi com ela que se encerrou esse primeiro ciclo da apresentação e abriu espaço para as novas músicas da banda. A primeira delas foi a ótima Steal Your Heart Away, faixa que abre o disco e ao vivo fica ainda melhor que em estúdio, na sequência a faixa-título Forevermore mostrou nitidamente a fonte que o Whitesnake bebeu durante toda carreira, o blues; mais cadenciada, lembrou alguns momentos da fase do álbum Restless Heart, seu término foi a ponte para o solo de guitarra de Reb e Doug, ambos com bom desempenho.

O retorno se deu com outra faixa de Forevermore, Love Will Set You Free, excelente música, mas que passou despercebida em virtude do longo solo executado anteriormente, sendo esse o momento de divisão do setlist do Whitesnake, pois após a divulgação das músicas do novo álbum, ainda houve espaço para mais uma perforance, dessa vez de Brian Tichy, na bateria.

A retomada do show se deu após Coverdale brincar com a introdução de The Deeper the Love, música que ganhou fama no Brasil, mas que não foi executada por completa, Here I Go Again foi o gancho para toda empolgação do público voltasse, seguida da paulada Still of the Night, música que, particularmente, considero um dos maiores trunfos do Whitesnake para mostrar sua verdadeira força ao vivo. Para os mais saudosistas, como eu, houve tempo de se emocionar com Soldier of Fortune, faixa do Deep Purple e que encerrava várias apresentações da banda. Seria ali uma despedida triunfal, mas o Whitesnake ainda preparou uma surpresa para o público brasileiro, executando o medley Burn/Stormbringer, convenhamos, em uma versão que deixou a desejar, mas que empolgou e mostrou que a banda goza de um prestígio imenso no Brasil. Apenas um detalhe, ao fim do medley, We Wish You Well, uma das músicas mais lindas da carreira do Whitesnake, surgiu em playback. Para os fãs de longa data esse momento provavelmente foi mais marcante que a própria execução das músicas do Deep Purple, um encerramento louvável.

Após a apresentação do Whitesnake uma coisa ficou clara, a noite era do Judas Priest! A expectativa, as grandes produções, a empolgação da banda com a turnê Epitaph, tudo conspirava para uma apresentação épica e que teve seu início pouco após às 22h00, com a banda surgindo ao som de Rapid Fire, do clássico álbum British Steel; rápida e pesada, abriu caminho para um dos maiores hinos da história do heavy metal, Metal Gods, um acerto sem tamanho do Judas ao fazer uma das dobradinhas mais emblemáticas do estilo.

Richie Faulkner, que substitui KK Downing na banda, também merece ser destacado, se não é tão eficiente quanto a dupla formada entre KK e Glenn Tipton, também não compromete. Enquanto o fundo do palco alternava para a capa de cada álbum correspondente á música executada, seguiram com Heading Out to the Highway, a pesada Judas Rising e Starbreaker, todas com ótima participação do público e os gritos de Halford com “The Priest is back!”.

Na sequência, aquele que talvez possa ser considerado um dos maiores hinos do heavy metal, Victim of Changes, do álbum Sad Wings of Destiny, emocionou pela empolgação, tanto do público como da banda. Quem acompanha as apresentações de Rob Halford sabe que o vocalista não se movimenta tanto, mas nessa turnê parece ter voltado ás apresentações da turnê que resultou o primeiro álbum ao vivo do Judas Priest, Unleashed in the East, tamanha sua vitalidade e empolgação (além, claro, da ótima forma que sua voz se encontra).

Never Satisfied, de Rocka Rolla, saudou os fãs mais antigos da banda e abriu caminho para um dos momentos mais emocionantes da noite, o cover de Joan Baez, Diamonds & Rust, música que vem sendo executada quase à capela por Halford e que nessa turnê teve parte executada como em sua versão original, um momento histórico e único para fãs e banda.

A sequência do show trouxe momentos intermediários da carreira do Judas Priest, Prophecy (do contestado Nostradamus) foi bem recebida dessa vez, contando com toda parafernália cênica de Halford, como um verdadeiro profeta no palco. Night Crawler foi outra que fez com que a empolgação crescesse, clássico do álbum Painkiller, seu fácil refrão empolga ainda mais ao vivo, assim como Turbo Lover, música da fase mais pop da banda.

Com uma enxurrada de clássicos, o Judas soube caminhar por toda sua discografia sem soar massante, sendo extremamente feliz ao escolher o setlist e manter o público empolgado durante todo tempo. Com Beyond the Realms of Death e as clássicas The Sentinel, do álbum Defenders of Faith e Blood Red Skies, de Ram It Dawn, a empolgação só aumentava e abria passagem para um momento que qualquer headbanger guardará para sempre na memória.

A execução na sequência de The Green Manalishi (With the Two Pronged Crown), Breaking the Law e a sempre pesadíssima Painkiller foram de uma perfeição e uma atmosfera que só um headbanger sabe o que signifca, entre lágrimas e braços levantados com o famoso devil horn, o Judas se despedia do palco pela primeira vez.

Foram poucos minutos até que o riff marcante de The Hellion surgisse e fosse acompanhado aos gritos pelo público, até a entrada de Electric Eye, outra das dobradinhas do Judas que marcarão para sempre o heavy metal. Ao se retirar rapidamente, Halford fez sua tradicional e triunfal entrada em sua Harley Davidson para a execução de Hell Bent for Leather, seguida de outro dos grandes clássicos da banda, You've Got Another Thing Comin', quando o Judas se despedia pela segunda vez do palco. O relógio já passava da meia-noite quando novamente a banda retornou ao palco para uma última música, e a escolha não poderia ser melhor, dos primórdios do Judas Priest e extremamente bem apropriada para aquele horário, Living After Midnight encerrou com chave de ouro uma apresentação perfeita, com um setlist bem escolhido e que mostrou de vez por que heavy metal é sinônimo de Judas Priest.

Não existem palavras que descrevam o que significa o Judas para o estilo, qualquer agradecimento do público não será suficiente para enaltecer a capacidade de um grupo em moldar um estilo e se tornar uma de suas maiores referências. Essa não pode ser considerada a derradeira turnê do Judas, Halford já deixou claro que a banda continuará na ativa, mas com shows menores e em outras ocasiões, é sempre um alento para quem ainda tem a esperança de ouvir o famoso “The priest is back!” no palco novamente.

Para encerrar essa noite épica na história do heavy metal, só uma frase define tudo: “OBRIGADO JUDAS PRIEST!”

A música passa por aqui.

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