All for Joomla All for Webmasters

A Ao vivo

Cock Sparrer - Carioca Club/SP (03.09.11)

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Uma das maiores avenidas da cidade isolada, muitas bombas, pedras, facas, pessoas acuadas e a tropa de choque paulistana em ação. Esses foram apenas alguns dos ingredientes que permearam a primeira vinda dos ingleses do Cock Sparrer ao Brasil, quase 40 anos após a sua fundação.

Horas antes da apresentação do Cock Sparrer e o público já se aglomerava na porta da casa e o clima de tensão pairava no ar, como se necessitasse de um estopim para transformer em tragédia, algo que não tardou a acontecer. Infelizmente a batalha ocorrida na frente da casa de shows atraiu muito mais a atenção do que a história da própria banda em sua primeira turnê no país.

Um combate generalizado entre punks e skinheads ocorreu aproximadamente meia hora antes do show e resultou na morte de uma pessoa (até o momento ainda existe a notícia de outro em estado grave), além de detenções, feridos e pânico geral na entrada da casa, que fez o seu papel e, mesmo diante de tanta pressão, conseguiu manter a ordem na entrada.

Para compreender a importância dessa apresentação em solo brasileiro é necessário situar a importância da banda dentro de um estilo bastante polêmico, o Punk Oi! ou Streetpunk, vertente que foi popularizada por Gary Brushell (vocalista da banda Oi! The Gonads). O OI! mostrava a realidade barra pesada dos subúrbios ingleses, de uma geração “sem futuro”. Em seu contexto original o estilo seria apreciado por punks, skinheads e todos aqueles que procuravam de alguma forma exprimir sua indignação através de uma música agressiva, pesada e que mostrasse a realidade das ruas.

Com a banda no palco (o que realmente interessava), o que se viu foi uma devoção digna de um dos maiores nomes da história do punk. Logo em seus primeiros acordes, Riot Squad já mandava para o espaço qualquer tensão que ainda havia no lugar e deu início a um grande show.  A sequência com Watch Your Back e Working já mostrou que o início de noite turbulento ficaria para trás e uma apresentação recheada de clássicos viria pela frente.

Mesmo ao tocar Sussed, faixa do último álbum do Cock Sparrer, Here We Stand (2007), a empolgação do público parecia só aumentar. Entoando hino após hino e diante de um público que parecia compreender o real motivo de estar ali, tendo seu ritmo ditado permanentemente pelo empolgado Colin McFaull, que conversou pouco com o público e interagiu mais durante as músicas.

Com uma discografia que contempla clássicos do punk lançados na década de 80, faixas do primeiro e classic álbum Shock Troops não faltaram e ditaram o ritmo do show, mostrando que em um outro cenário, com uma casa maior e uma acústica melhor, o público poderia ser ainda maior. Droogs Don't Run, Argy Bargy foram algumas que se destacaram no decorrer da apresentação.

Ao longo de 1h20 de show o Cock Sparrer manteve seu fiel público com a mesma empolgação inicial e fez uma reta final digna de constar entre um dos momentos mais épicos da vida de um punk, ao fazer a sequência I Got Your Number, Because You're Young, Take 'em All e Where Are They Now?, músicas devidamente cantadas em plenos pulmões.

Após breve pausa a banda retorno ao palco com Suicide Girls e trazendo seu maior clássico na sequência, England Belongs to Me, o que já seria um final digno de uma primeira turnê pelo país, mas a banda, sem trégua, emendou We're Coming Back, encerrando uma noite histórica para o punk nacional, que mesmo marcada pelos incidentes fora da casa, realizou o sonho de diversas gerações que, independente do estilo, esperavam por um show dos britânicos em solo brasileiro.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais