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Herbie Hancock & Wayne Shorter - Sala SP (30.03.16)

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O que define um bom show? A boa performance de um artista ou a conexão que ambos realizam naquelas uma, duas horas em que a dedicação entra em sincronia com a paixão do outro?

Quando o saxofonista Wayne Shorter veio ao Brasil pela última vez, durante a realização do extinto BMW Jazz Festival, a execução de uma faixa de quase 40 minutos espantou um público que pouco conhecia de um artista que sempre soube improvisar. Já Herbie Hancock, durante sua última passagem pelo país, revisitou sua fase jazz, fusion e, principalmente, pop. Com um show para todos os gostos, mostrou a facilidade que tem para transitar por diversas vertentes sem abandonar o jazz que o consagrou. Então o que esperar de ambos juntos no palco durante a noite de abertura do Brasil Jazz Fest?

Realizado na refinada Sala São Paulo no dia 30 de março, a junção de duas lendas absolutas do jazz trazia consigo algumas perguntas: 1) qual seria o formato do show? 2) como seria o repertório? 3) Seria uma apresentação acústica ou plugada?

Todas as perguntas foram respondidas ao se ver no palco o piano de Hancock e um teclado posicionado ao seu lado. Já Wayne Shorter sempre esteve em posse de seu sagrado saxofone, instrumento onde seu diafragma parece manter uma sintonia quase religiosa, contrastando com sua frágil voz.

Com casa cheia e expectativa garantida, o show de abertura do festival se mostrava como uma versão metafórica de “O médico e o monstro” na Sala São Paulo. O relógio já passava das 22h quando a dupla finalmente subiu ao palco para explorar algo muito maior que seu repertório, mas sua espiritualidade.

Com um repertório que praticamente nasceu naquele momento, Wayne Shorter e Herbie Hancock mergulharam fundo em fraseados complexos e no mais completo silêncio, o que acabou sendo o calcanhar de Aquiles de um show que tinha todos os ingredientes para ser histórico.

Ao todo foram executadas 6 peças onde cada música parecia sentir no ar a necessidade de incluir seu instrumento ao fim do solo do parceiro. Parte desse repertório utilizado por Herbie Hancock em seu teclado, o que acabou sendo responsável por dispersar parte do público. Foi nesse momento, justamente, que o show mostrou-se muito maior que o público. Com relativo barulho fora do ambiente, gritos eram ouvidos e tiravam do público a possibilidade de embarcar completamente em uma apresentação diferente, tão única quanto a chance de ver duas lendas do jazz em um ambiente tão intimista.

Em pouco mais de 1h20 Hancock e Wayne Shorter se despediram do palco com uma frieza descomunal, justificada pelo nível de concentração aplicado ao longo da última hora. Com um bis que contemplou uma homenagem a Milton Nascimento, a dupla finalmente quebrou o gelo e agradeceu o público com maior intensidade, deixando a Sala São Paulo pela última vez.

A sensação ao fim da apresentação dupla não deixa dúvidas sobre sua qualidade, mas também é nítido que faltou uma conexão no show que trouxesse os olhares do público para perto do palco. Com um repertório abstrato, Wayne Shorter e Herbie Hancock agiram como verdadeiras lendas do jazz, já o público não. Um momento que talvez não hoje, mas um dia será bastante lamentado devido ao fato de outra oportunidade como tal nunca mais aparecer.

A música passa por aqui.

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