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Calexico - Cine Joia (11.06.16)

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Com duas décadas de história e nove álbuns de estúdio lançados, era realmente surpreendente o fato da banda americana Calexico nunca ter vindo ao Brasil. A razão disso reflete a própria sonoridade do grupo, repleta de influências latinas, além de um conhecimento acima da média de seus integrantes pela cultura do continente.

Com seu rock Tex-Mex, o Calexico alcançou fama internacional e se tornou uma das referências do gênero nos últimos anos, proporcionando a chance de levar sua música aos maiores festivais do planeta e apresentando uma sonoridade que o próprio Brasil esqueceu de valorizar. Sendo assim, a primeira passagem do grupo pelo país era muito mais do que aguardada.

Tendo como bandleader o carismático e performático Joey Burns, o Calexico aterrissou em São Paulo, especificamente no Cine Joia, na véspera do Dia dos Namorados e naquela que seria a madrugada mais fria do ano. Ingredientes que jogaram contra a turnê, mas que não afastaram o público do show, iniciado precisamente às 0h30 (conforme anunciado previamente) após a boa abertura da banda Maglore.

Além de Joey Burns, vocal e guitarra, completam o Calexico o baterista John Convertino, o tecladista Sergio Mendoza, os multi-instrumentistas Jairo Zavala, Jacob Valenzuela e Martin Wenk, que além do trompete ainda se aventura pelo vibrafone e até mesmo harmônica, além de assumir o vocal em algumas canções, além do baixista Ryan Alfred. Essa variedade de músicos leva ao palco diversos instrumentos e se faz fundamental para que a sonoridade do grupo seja tão mutável e apresente elementos tão díspares durante o show.

Mesmo sem estar diante de casa cheia, o Calexico encontrou um público bastante empolgado e o que se viu desde o início do show foi a nítida sensação de que cada integrante da banda queria realmente estar ali. Dito isso, não foi difícil imaginar a verdadeira festa em que se transformou o show, mesmo iniciando com a intimista Frontera/Trigger.

Em turnê de seu último álbum, o bom Edge of the Sun (2015), o show embalou logo com Fallin from the Sky e a ótima Cumbia da Donde, que demonstra bem a variação sonora promovida pelo Calexico em toda a sua carreira.

Sem esconder a ansiedade que estava em tocar no Brasil, Joey Burns conseguiu criar um laço de afeição com o público que acabou sendo fundamental durante todo o show, que trouxe ainda mais uma faixa do último disco da banda, When the Angels Played, sendo bem recebida pelo público, o que surpreendeu a própria banda.

E mesmo que fosse uma turnê com foco no último disco e o jogo estaria ganho, mas o Calexico tinha ao menos 18 anos para explorar na carreira e isso só abrilhantou uma verdadeira celebração às vertentes da música americana e de todo continente. Apaixonados por toda a cultura da América Latina, o grupo já havia homenageado no passado o diretor e cineasta chileno Víctor Jara, no álbum Carried to Dust, de 2008, o que rendeu um dos melhores momentos do show. Do mesmo disco ainda foi possível conferir uma bela performance em Inspiración.

Alternando bem seu repertório, o Calexico fez o público dançar e não escondeu sua satisfação com isso. Em praticamente duas horas mostrou que a distância que separa a América Latina da cidade de Tucson, no Arizona, é somente a curiosidade. Com faixas como Minas de Cobre, do álbum The Black Light (1998) e Guero Canelo, de Feast of Wire (2003), estreitou ainda mais o vínculo com um público que esperou duas décadas para vê-lo ao vivo.

Encerrando a primeira parte do show com Crystal Frontier, um de seus maiores clássicos, ainda reservou tempo para um bis especial, onde trouxe uma versão da divertida Corona. E já sozinho no palco após agradecer o público por várias vezes, deu números finais ao show com Joey improvisando Fortune Teller, do álbum Algiers (2012), e se despedindo solitariamente, mas nos braços do público.

O relógio já se aproximava das 3h da madrugada enquanto alguns integrantes da banda se posicionavam para atender a alguns fãs. Mesmo com o tempo frio e a noite se esvaindo frente a uma temperatura de quase 5º, o Calexico mostrou o quanto nosso continente é rico musicalmente, uma ironia, dado que isso foi mostrado por uma banda americana.

Em uma noite onde o público certo esteve frente à banda certa, o frio da capital paulista foi vencido pela música em uma experiência que pareceu tão íntima e inspiradora que o sentimento de gratidão ultrapassou a barreira entre palco e público.

A música passa por aqui.

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