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Os Mutantes - SESC Belenzinho (14.07.16)

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Tudo foi feito pelo sol não é o álbum mais famoso da carreira do lendário grupo brasileiro Os Mutantes. Também não tem em seu line up o trio clássico formado por Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Rita Lee, mas ainda assim é uma das grandes pérolas do rock nacional mais de quarenta anos após seu lançamento. E foi para a execução na íntegra desse disco que Sérgio Dias subiu ao palco do SESC Belenzinho na noite do dia 14 de julho.

Ao lado de Sérgio estavam Rui Motta (bateria e vocais), Tulio Mourão (teclados e vocais) e Antonio Fortuna (baixo e vocais), presentes na formação do álbum, além de dois músicos convidados para os backing vocals,  Esméria Bulgari e Fábio Rehko. Projeto que vem sendo realizado pelo SESC há alguns anos com bandas executando seus discos clássicos, o projeto Álbum já levou Paralamas, Titãs e muitos outros a resgatar pérolas de suas carreiras.

Com ingressos esgotados dias antes, o que se viu no primeiro de dois shows d‘Os Mutantes foi um verdadeiro clima de nostalgia com um público que parecia ter se perdido no tempo. Ao melhor clima Woodstock, já esperava sentado frente ao palco por praticamente uma hora antes do horário do show.

Mergulhando dentro da psicodelia do rock progressivo, Tudo foi feito pelo sol não é um disco fácil. Para quem se acostumou com os primeiros trabalhos da banda paulista, a virtuose de faixas como Pitágoras chega a ser chocante. Disco que melhor demonstra com clareza o tamanho da técnica de Sérgio Dias, choca desde seu início com Deixe Entrar um Pouco d’Água no Quintal, faixa que deu início a um show histórico.

Mesmo sem ter tido um tempo considerável de ensaios, impressionou o tamanho da dinâmica da banda em vários momentos. Nem mesmo alguns erros – ocorridos justamente pelo tempo que passaram sem tocar juntos – ofuscou o poder de solos e o clima de paz e amor que tomou a Comedoria do SESC Belenzinho.

Cantadas a plenos pulmões, faixas como Desanuviar, Eu Só Penso em te Ajudar e Cidadão da Terra impressionaram pela jovialidade tantos anos depois. Sem nunca terem sido tocadas em nenhuma rádio, o que se viu em suas execuções é que existe uma magia única que permeia o sorriso de Sérgio Dias, impedindo qualquer fã de seu trabalho ignorar algo tão profundo e até certo pronto inocente. Durante o show de Tudo foi feito pelo sol, o que mais se fazia nítida era a gratidão mútua entre artista e público. E foi isso que encheu o show de grandiosidade.

O Contrário de Nada É Nada e a faixa-título de Tudo foi feito pelo sol poderiam ser o fim da linha de um show que, tecnicamente, deveria durar menos de uma hora (duração do álbum), mas a banda sabia que poderia dar mais ao séquito público e ainda executou as clássicas Preciso Urgente de um Amigo e Cavaleiros Negros, que apresentou o ponto alto da apresentação, no duelo entre Sérgio e Túlio Mourão.

Chegado ao fim, o primeiro show dos dois planejados dentro do projeto Álbum não poderia ter terminado melhor. As conversas de Sérgio Dias, seu solos e o aspecto de inocência que parecem nunca esvair de seus olhos superou qualquer obstáculo no show. E não importava se hoje ele não alcança as mesmas notas de 1974. Também não importou se o som falhou em alguns momentos ou até algum solo foi realizado errado. A noite se fez histórica justamente pela relação de afeto tão mútua entre público e artista.

A música passa por aqui.

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