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Cachorro Grande / Autoramas - Cine Joia (05.08.16)

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Em um ano onde algumas das bandas mais importantes do país seguem realizando shows em parceria, um deles chamou bastante a atenção na última sexta-feira (05). Cachorro Grande e Autoramas, dois dos principais nomes do rock nacional na atualidade, subiram ao palco do Cine Joia com uma missão específica, divulgar seus mais recentes lançamentos.

Formadas há aproximadamente duas décadas, Autoramas e Cachorro Grande vivem hoje momentos distintos, mas unidos por uma dedicação ao rock que acabou rendendo essa coincidência e ótima oportunidade aos fãs de conferirem a essa espécie de “première” de seus lançamentos na capital paulista.

Com casa cheia e um relógio que passava há pouco da meia-noite, o primeiro nome a subir no palco foi o Autoramas, que encarou mudanças significativas em seu line up nos últimos meses. Distante da falta de entrosamento, o novo line up parece ter se tornado o combustível que faltava para o grupo embalar de vez na carreira. Hoje um quarteto, segue divulgando o bom “O Futuro dos Autoramas”, lançado há poucos meses. E assim como nos últimos anos, o Autoramas tem na figura de Gabriel Thomaz o retrato fiel do gênero que o consagrou e agora a companhia da vocalista Érika Martins, que trouxe – além de seu carisma e talento – a possibilidade de dar corpo a algumas das muitas boas canções da banda carioca.

Para quem já acompanhou algum show dos Autoramas, não existe segredo. É rock e dançante e intenso do início ao fim. Entendeu? É rock! Ou melhor, Rrrrrrock, como sempre frisou Gabriel.

Apresentando um repertório que já está consolidado entre os fãs, o grupo carioca conseguiu  fazer de sua drástica mudança um passo para a frente na carreira, principalmente na relação que consegue criar entre banda e público.

Faixas como 300km/h, Fale Mal de Mim e Você Sabe se fundem de uma forma quase instantânea às recentes Quando a Polícia Chegar e O que que você quer?, uma das melhores de O Futuro dos Autoramas. E esse é o trunfo do show dos Autoramas atualmente.

Sem abandonar o som visceral que o consagrou, o grupo carioca conseguiu dar um passo a frente sem comprometer o passado, fazendo de seu novo disco um prato cheio para os fãs e para a banda, que pode tranquilamente explorar todo seu repertório.

Essa decisão tem afetado diretamente sua relação com os fãs, especialmente nas performances realizadas nos últimos meses. O show tem soado mais intenso e a banda parece ter alcançado seu auge criativo, reforçando ainda mais seu papel no rock atual. E que assim seja pelos próximos muitos anos.

Depois de um show com aproximadamente 1h, o Autoramas deixou o palco para que seus amigos da Cachorro Grande trouxessem ao palco do Cine Joia seu recente trabalho, Electromod, que havia sido lançado poucos dias antes. 

Grupo que vem passando por uma nova direção sonora nos últimos anos, especialmente em seu penúltimo disco, Costa do Marfim, a Cachorro Grande parece estar em uma fase de transição que ainda vem causando mais estranheza do que empolgação ao seu já fiel público.

A adição cada vez mais notável de teclados ao som do grupo fez de Pedro Pelotas, que está há uma década com a banda, um elemento tão importante quanto a guitarra de Marcelo Gross, que vem mostrando uma evolução impressionante e que já podia ser sentida em seu disco solo, lançado em 2013.

Porém ainda assim algo está estranho. Seja na intensidade de Beto Bruno e Rodolfo Krieger ou na serenidade de Gross em meio a seus riffs, a Cachorro Grande cria em seu show momentos paradoxais, ainda que não comprometa seu andamento. Elementos claros de uma fase de transição.

No que se tange ao repertório, o que fica claro é que existe uma banda até Costa do Marfim e outra depois.  E a julgar pela data de lançamento de Electromod, suas faixas tiveram ainda uma recepção ainda fria, o que é natural em virtude da proximidade do lançamento do disco com o show. Ainda assim é perceptível um futuro em faixas como Tarântula e até mesmo faixa-título de Electromod, que consegue ter sua melodia superando a fraca composição.

O choque de gerações fica claro quando a banda gaúcha resgata faixas mais viscerais como Hey Amigo e com a sugestiva Conflitos Existenciais, onde afirma “Conflitos existenciais Tomam conta da minha cabeça De onde eu vim, e quem sou? Por que eu estou aqui, pra onde vou”.

De Electromod ainda foi possível conferir Subir é Fácil, o Difícil é Descer, mas o que vai ficar marcado para os fãs com certeza serão faixas como Dia Perfeito, Lunático (que completa quinze anos em 2016) e Sexperienced, que deram números finais ao show já além das 03h da manhã do sábado. E após mais de três horas, o saldo ao fim de uma longa noite de rock é de que o gênero está mais do que bem representado no país.

Sem comparações entre as atrações da noite, o que fica perceptível é que o Autoramas parece ter feito com que suas mudanças tenham sido aceitas com mais facilidade, enquanto a Cachorro Grande se encontra em uma encruzilhada entre a evolução de seus músicos e sua direção sonora. Uma decisão que requer sacrifícios que serão sentidos principalmente pela banda daqui alguns anos, ao contrário do público.

A música passa por aqui.

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