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Wallace Roney - SESC Pompeia (11.08.16)

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O que define o papel de um excelente bandleader em um quirteto de jazz? A rigidez? A inspiração? A capacidade de chamar para si os momentos mais nobres de uma peça que depende – em sua maioria – do alto nível de seus músicos? No caso de Wallace Roney, trompetista pupilo de Miles Davis, o carisma responde a todas as questões acima. E foi com ele que o sempre ótimo festival Jazz na Fábrica deu seu pontapé inicial na última noite de 11 agosto, no SESC Pompeia.

Com ingressos esgotados e a sempre aconchegante Chopperia decorada com mesas, o clima era o mais perfeito possível para que Wallace Roney subisse ao palco com Rashaan Carter (contrabaixo), Victor Gould (piano), Benjamin Solomon (saxofone) e o espetacular baterista Eric Allen, responsável por trabalhos ao lado de nomes do jazz e do rock e com uma vitalidade assustadora.

Adepto do hard bop e pós-bop, Wallace Roney tem na reverência pelo jazz e a ousadia de subvertê-lo o maior trunfo de seu trabalho. Apostando em um trabalho pautada no conjunto, seu trompete parece funcionar como uma batuta frente a músicos jovens e que passam a maior parte do tempo olhando firmemente para seu bandleader.

Professor em Berklee College of Music, em Boston, Wallace Roney age como tal em grande parte de sua apresentação, especialmente na relação que tem com  seu sax tenor, Benjamin Solomon, um prodígio do instrumento. Tudo isso em paralelo à performances viscerais de Eric Allen, uma mistura de Keith Moon com Buddy Rich.

Outro que parece assumir de forma clara seu papel de aluno é o pianista Victor Gould, que mantém fixa sua posição frente a um professor carismático e que não poupa sorrisos durante toda a sua apresentação. Dono de uma extensa discografia, Wallace explora especialmente o hard bop, fazendo uso em especial  de uma notável influência de rhythm and blues, especialmente pontuada pela groove do baterista Eric Allen.

Essa influência que subverte essa atmosfera do jazz mais clássico suaviza em muito a apresentação do trompetista americano. Com um repertório de aproximadamente 1h30, deu espaço para seus músicos brilharem ainda mais que seu bandleader, como em uma verdadeira prova de capacitação.

O resultado, claro, não poderia ser outro, e com a aprovação do público, ficou claro que Wallace Roney não é só mais um lendário músico de jazz que vive do passado, mas de alguém preocupado com o futuro e que segue à risca todos os caminhos que levam um aspirante a jazzista a se tornar um verdadeiro ás do instrumento.

Com atrações que bebem do afrobeat à música eletrônica, o Jazz na Fábrica deu seu recado de forma clara logo em sua primeira noite. Uma estreia com pé direito para um evento que é consolidado no país justamente por abrir essa janela dentro de um universo tão complexo como o jazz.

A música passa por aqui.

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