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Donny McCaslin Group - SESC Pompeia (18.08.16)

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Quando foi anunciado como atração da edição 2016 do sempre ótimo festival Jazz na Fábrica, realizado no SESC Pompeia, Donny McCaslin logo chamou a atenção por um curioso fato, sua ligação com David Bowie.

Responsável pela gravação do derradeiro álbum da carreira do mítico artista inglês, Blackstar, Donny McCaslin levou a arte do camaleão a um novo patamar, fundindo seu jazz à sempre inigualável maestria de um artista que nunca cansou de se reinventar.

No caso de Donny essa tônica também define seu trabalho, que é composto de uma discografia de mais de uma dezena de álbuns e várias colaborações. Com uma aparência impressionantemente jovial aos 50 anos, o americano veio ao Brasil acompanhado de Jason Lindner (teclados e piano), Tim Lefebvre (contrabaixo) e Mark Guiliana (bateria), jovens músicos que apresentam um jazz eletroacústico recheado de sintetizadores e fraseados complexos, dignos de total reverência.

E como não poderia deixar de ser, o show do Donny McCaslin Group é pautado justamente pela reverência a David Bowie, ainda que em nenhum momento o trabalho realizado pelo quarteto se assemelhe a um cover, o que dignifica ainda mais seu trabalho ao lado do eterno camaleão.

De Blackstar foi possível ouvir (e se emocionar profundamente) com Lazarus e ’Tis a Pity She Was a Whore. E para cada uma delas não foi preciso imaginar os vocais de Bowie. A própria melodia era capaz de desconstruir a imagem de sisudo do menor fã presente na lotada Chopperia do SESC.

Capaz de alcançar longos fraseados em posse de seu sax, Donny trabalha como um autêntico bandleader, dividindo bem essa função com o versátil Jason Lindner e seus vários sintetizadores, teclados e pianos. Essa modernidade no trabalho do quarteto é justamente o que dá dinamismo a uma apresentação imprevisível e intensa, explorando seu vasto repertório, em especial o bom Fast Future, lançado em 2015.

Contrastando com a apresentação de Wallace Roney, que aconteceu na semana anterior, fica claro como o jazz contemporâneo soube se adaptar às tecnologias e exigências de um público que os anos acabaram tornando mais seleto. Além disso, reforçou o fato de que o Jazz na Fábrica é um evento perfeito para quem busca se atualizar no que diz respeito à vanguarda de uma vertente tão complexa.

Ao longo de 1h40, Donny e seu trio conseguiram empolgar a plateia com uma música de alto nível e moderna, que transparece uma solidez de grandes nomes do jazz. E mesmo com uma plateia formada essencialmente por fãs de David Bowie, o que ficou acima de tudo foi justamente foi o talento de um saxofonista que ganhou na carreira uma credencial capaz de torná-lo um dos grandes representantes dessa geração.

A música passa por aqui.

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