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Rock Station - Espaço das Américas (01.09.16)

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O título do evento não era dos melhores, mas o line up formado por bandas das mais diferentes gerações do punk rock no Rock Station transformaram o Espaço das Américas em um verdadeiro caldeirão na noite do último dia 1 de setembro. Afinal, além da banda brasileira Dona Cislene, Anti-Flag, o lendário Dead Kennedys e o sempre eficiente Offspring trouxeram a SP parte do cast montado para o Rockout, que foi realizado no último fim de semana no Chile.

O primeiro desafio da organização foi transformar um evento com quatro bandas em um formato acessível ao público em um dia de semana. Mesmo com shows onde todo repertório de turnê das bandas mal ultrapassava 1h de duração, o público só conferiu a última atração do evento próximo da meia-noite, deixando o Espaço das Américas já dentro da madrugada.

Com uma lotação poucas vezes vista na casa, o Rock Station esgotou a chamada pista comum com antecedência, assim como sua área vip, atingindo seu pico de público durante a apresentação do Dead Kennedys.

Primeira que assistimos, o Dead Kennedys subiu no palco do lotado Espaço das Américas quando o relógio já superava às 22h. Grupo mais antigo do line up do festival, cabia aos americanos a missão de aquecer o público com aquela última chacoalhada antes do headliner principal, mas não foi exatamente o que aconteceu.

Verdadeira entidade do punk, o Dead Kennedys conta hoje com ¾ de seu line up intacto, mas carece de uma ligação mais direta com seus fãs como sempre conseguiu seu ex-vocalista, Jello Biafra. Explorando o repertório de seus dois primeiros álbuns, os clássicos Fresh Fruit For Rotting Vegetables e Plastic Surgery Disasters, o vocalista Skip se esforçou, mas teve que lidar com problemas de som que comprometeram o andamento do show desde seu início.

Com um som muito mais direto que as outras bandas que se apresentaram no festival, o Dead kennedys ainda conseguiu levantar o público com faixas como Police Truck e Kill the Poor, mas foi só na reta final, quando seus principais clássicos ganharam força (assim como o som da casa) que a banda mostrou a que veio.

Engatando as já famosas California Über Alles, Viva Las Vegas e Holiday in Cambodia, a banda americana deu seu recado e conseguiu deixar o palco já lotado Espaço das Américas bastante aplaudida, mas com a sensação de que não havia sido o suficiente.

O intervalo entre o Dead Kennedys e a principalmente atração da noite, o Offspring, evidenciou a realidade desse tipo de som no Brasil (e talvez no mundo). Presos às suas décadas, tanto um como o outro teve que encarar o cada vez menor interesse do público em material antigo. Vantagem para o Offspring, que às 23h40 subiu ao palco – praticamente remontado – para desfilar uma verdadeira avalanche de hits.

Com um palco preparado para sua apresentação, o Offspring mostrou porque ainda é uma das principais bandas da década de 90. E isso vale em todos os sentidos.

Com duas, às vezes três guitarras, o Offspring consegue praticar um som que soa intenso 100% do tempo em que está no palco. Além disso conta com um repertório que em seu auge foi referência na MTV e nas rádios rock do país, o que transforma sua apresentação em um verdadeiro best of. Goste ou não, o show do Offspring segue sendo extremamente empolgante por isso.

Depois de ganhar com o palco com You're Gonna Go Far, Kid e The Noose, faixas mais recentes, a banda americana ganhou o público ao resgatar faixas de discos como Smash e Ixnay on the Hombre, ambos das década de 90. E ainda impressiona a vitalidade com que faixas como Come Out and Play e All I Want têm quase duas décadas após seu lançamento.

A partir daí o passado e o presente (nem tão presente) do Offspring deram conta do recado. Alternando faixas mais clássicas como What Happened to You? e Bad Habit com hits posteriores ao seu auge, caso de Original Prankster e Want You Bad, a banda americana não deixou a peteca cair em pouco mais de uma hora, quando deixou o palco após The Kids Aren't Alright, uma ironia com o clássico do The Who. E mesmo faixas mais fracas de sua discografia, caso de  Why Don't You Get a Job? e Pretty Fly, funcionam dentro de um apanhado bem resolvido de seu repertório.

Ao fim de seu set, com a dobradinha Americana e Self Esteem, o que mais impressiona no Offspring é como a banda conseguiu atravessar tanto tempo se tornando uma marca dos anos 90. E é aí que vem o verdadeiro choque de realidade.

Analisando friamente, os anos 80 passaram a deixar menos saudade que sua década posterior e isso pode ser sentido nas mais diversas turnês que o Brasil teve a chance de conferir nos últimos meses. No caso do Offspring a maturidade de um público que pouco mais de uma década atrás se esbaldava em videoclipes e paradas de sucesso das rádios rock parece alcançar seu auge agora, mantendo alguns nomes no topo, caso do Offspring.

Por outro lado, o que aconteceu com os anos 80? Banda que revolucionou a década na época, o Dead Kennedys se tornou uma banda clássica, tal qual a geração anterior a ele. Estamos envelhecendo, mas se depender de apresentações em alto nível como a do Offspring isso não passará de um detalhe, tal qual visto em um dos shows mais celebrados do ano na cidade.

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