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Overload Festival - Carioca Club (04.09.16)

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Consolidado no calendário nacional, o Overload Festival se mostrou ao longo dos últimos anos muito mais que um projeto ousado de uma das produtoras mais sérias do país. Funcionando como uma verdadeira comunhão de fãs de algumas das bandas mais interessantes da atualidade, o evento consegue engatilhar anualmente atrações que os fãs parecem encarar como a única chance de ver ao vivo no país, justificando aí a expectativa por sua realização.

Para sua edição 2016, que foi realizada no último dia 4 de setembro no Carioca Club, o carismático Vincent Cavanagh, um dos cérebros do lendário Anathema, apresentaria um set acústico com faixas de sua banda em formato inédito no país. Além dele, a banda Labirinto, que já caiu no gosto do público há tempos, apresentaria o show de lançamento de seu último álbum, Gehenna.

Na linha de frente os franceses do Alcest, outra que conta com um público impressionante no país, traria a íntegra de Écailles de Lune, disco que é considerado uma pérola entre seus fãs e um dos mais intrigantes dos últimos anos. E por fim outra lenda, o Katatonia, que veio ao Brasil em turnê de divulgação do álbum The Fall of Hearts, lançado em 2016. Ou seja, atrações que justificavam a casa lotada na zona oeste de São Paulo desde o início do evento.

Primeiro a subir no palco, Vincent Cavanagh encarou casa cheia desde os primeiros acordes de Fragile Dreams, sendo acompanhando com empolgação pelo público que ao longo de sua história enraizou os clássicos do Anathema ao seu dia-a-dia.

Com um set de pouco mais de trinta minutos, conseguiu emocionar ao público com clássicos do Anathema como Untouchable, Part 1 e Angelica, essa última responsável pelo ponto mais alto do show. Mesmo sem nenhum instrumento plugado, impressiona o vigor com que Vincent consegue executar cada faixa, ignorando completamente seu contexto elétrico. Eternity Part I e Distant Satellites foram responsáveis pelo encerramento do show, que resultou em uma ovação digna de seu legado ao lado do Anathema.

Segunda atração do cinzento domingo, a banda Labirinto trouxe ao palco somente faixas de seu último álbum, o recente Gehenna, em uma experiência sinestésica capaz de coloca-lo tranquilamente ao lado dos maiores nomes do gênero mundialmente. Dona de um post-rock/metal repleto de influências de shoegaze e ambiente, o grupo intercala entre solos e ruídos projeções que fazem de sua música algo muito maior do que aquilo que pode ser visto e ouvido.

Com um set próximo de uma hora, Erick Cruxen, Francisco Bueno e Luis Naressi destilaram camadas e camadas de riffs enquanto a cozinha composta pela carismática Muriel e o baixista Ricardo Pereira faziam a intensa cama para que o som do grupo se desenhasse lentamente aliando peso e melodia. Aliás, a considerar pelo dinamismo da apresentação, Gehenna parece caminhar tranquilamente para o posto de um dos discos do ano, ainda mais se considerado sua belíssima arte.

Com um show bastante coeso, o Labirinto saiu ovacionado do palco após sua segunda participação no festival, reforçando ainda mais o processo de evolução que o grupo vem passando nos últimos anos.
                                                         
Terceiro nome do line up, o Alcest dividia as atenções com o Katatonia como principal nome do festival. Também realizado sua segunda apresentação no Overload, a banda francesa trouxe para o show no Brasil a íntegra de um de seus melhores álbuns, Écailles de Lune, lançado em 2010.

Dono de uma sonoridade ímpar, o show do Alcest, assim como as demais bandas que participaram dessa edição do festival, demandam uma atenção acima da média. Dito isso, não é necessário mais que dez minutos para embarcar de vez dentro da experiência de guitarras e sussurros da banda francesa. Um dos principais nomes do post-rock atual, o grupo hipnotizou o público durante pouco mais de uma hora em que esteve no palco.

Composto por longas faixas, cada peça executada carrega uma dose de sensibilidade que é capaz de romper com qualquer conceito que defina a margem que separa o caos e o sublime. Entre vocais limpos e guturais, Écailles de Lune faz jus ao título (algo como “Fases da Lua”) e proporciona uma catarse coletiva irreal para quem tem um vago conceito sobre a banda. Ovacionado, o Alcest foi responsável pelo ponto mais alto do festival.

O relógio marcava 21h quando o Katatonia, headliners do evento, subiu ao palco do Carioca Club para encerrar o festival. Dono de uma extensa discografia e uma experiência de mais de quase três décadas, o setlist da banda tinha como foco divulgar o álbum The Fall of Hearts, mas com uma extensão maior que nos shows anteriores contemplou alguns de seus maiores clássicos.

Com uma sonoridade cada vez mais limpa desde Night Is the New Day, de 2009, o Katatonia consegue realizar um show reto e que dificilmente oscila em todo seu decorrer. Com uma performance digna de headliners, o vocalista Jonas Renkse gastou seu português entre faixas como Deliberation e Dead Letters e conquistou o público que aguentou a maratona de shows do evento.

Intercalando faixas de álbuns mais recentes, resgatou clássicos como Teargas, do álbum Last Fair Deal Gone Down, de 2001, e agradou o público mais saudosista, ainda que tenha uma apresentação marcada por sua nova roupagem. Não a toa, Dead End Kings foi o álbum que mais emprestou faixas ao longo set, de mais de vinte músicas.

O relógio marcava quase 23h quando o Katatonia se despediu pela última vez do público e encerrou a edição Overload Festival 2016. Com um show digno de uma banda que já se tornou clássica, confirmou a boa fase em um evento que impressionou pela organização.

Ainda que seja consolidado no calendário nacional, nunca é demais ressaltar o profissionalismo promovido dentro do Overload Festival. Dividindo bem a área da pista com o setores de bar e merchandising, em nenhum momento o Carioca Club se tornou impossível de transitar e somente a fila dos caixas da casa acabaram se tornando um problema no início do evento. Além disso, com um line up onde cada uma das bandas dependia em 100% do tempo do alinhamento de seus instrumentos para “funcionarem”, impressionou a qualidade do som de cada uma daquelas que subiram ao palco do festival.

Ainda é possível realizar festivais onde todas as bandas dividam a atenção do público sem apelar à esfera pop. Cada vez mais certeiro em seus line ups, o Overload Festival segue trilhando uma história de dignidade e profissionalismo no Brasil, capaz de trazer para um único lugar público de todo país e até do exterior, algo que se torna fundamental para a sobrevivência da cena.

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