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Maximus Festival - Autódromo de Interlagos (07.09.16)

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Desde que foi anunciado no país, aproximadamente cinco meses atrás, o Maximus Festival já dava indicações de que não estava disposto a ser só mais uma aventura de produtores no calendário nacional. Aspirante ao posto de “Hellfest brasileiro”, o evento investiu pesado e balançou o calendário ao anunciar atrações de peso como Marilyn Manson, Disturbed, Halestorm, Bullet for My Valentine e, especialmente, o Rammstein, que não vinha ao Brasil desde os épicos shows realizados em São Paulo em 2010.

Com uma programação que se dividia em dois palcos laterais, assim como no Hellfest e outros festivais de ponta, o Maximus também abriu espaço para um palco secundário, mais afastado, onde bandas nacionais se apresentaram em parte do dia. Com uma cenografia invejável, não foi surpresa o público “comprar” a mensagem dada pela organização, que por sua vez não economizou na hora de dar seu cartão de visitas.

Com shows que se iniciaram ao 12h, chegamos a tempo de acompanhar os últimos acordes do Black Stone Cherry, que com seu hard rock bastante vigoroso agradou ao público que começava a chegar até o longínquo Autódromo de Interlagos. Formado na virada do século, o grupo americano veio ao país divulgar seu mais recente trabalho, Kentucky, lançado em 2016.

Novidade no país, o Black Stone Cherry, além de lidar com o público diminuto do meio da tarde, encarou a desconfiança por apresentar uma sonoridade que remete ao hard rock setentista, mas agradou aos presentes, formado especialmente por jovens de 20-30 anos. Pesado, o grupo tem boa entrega no palco e deu recado, abrindo caminho para o Halestorm, banda que já conta com um público fiel no país.

Liderado pela belíssima e competente vocalista Lzzy Hale, o Halestorm foi o primeiro grupo a encarar uma plateia repleta de fãs e empolgado pelo retorno após o bom show realizado no Rock in Rio em 2015.

Em turnê do álbum Into the Wild Life, de 2015, o Halestorm ao vivo mostra uma segurança e competência incomuns para uma banda que até pouco mais de cinco anos seria apenas uma novidade dentro de um line up. Essa segurança por vezes acaba derrapando em alguns clichês, mas que pouco comprometem a apresentação.

Durante a hora cheia que teve para apresentar seus hits, manteve o mesmo repertório apresentado durante a turnê, dando ênfase em seu último trabalho e faixas como Love Bites (So Do I) e I Miss the Misery, ambas de seu segundo disco, The Strange Case of... (2012). Cada vez maior no Brasil, já está na hora do Halestorm engatar mais uma turnê solo pelo país, algo que não acontece desde 2013.

O Bullet for My Valentine, grupo que na Europa é gigante e ocupa lugar de destaque nos line ups de festivais, no Brasil parece ainda engatinhar, mesmo realizando um ótimo trabalho. No palco às 17h15, a banda liderada pelo vocalista Matthew "Matt" Tuck foi provavelmente a que melhor tirou proveito do festival, sendo apresentada não só a um novo público, mas a uma audiência que sempre viu com desconfiança seu trabalho, frequentemente vinculado ao new metal.

Marcado por bandas que em sua maioria trouxeram novos rumos ao heavy metal nas duas últimas décadas, o Maximus acertou ao trazer para o país nomes que deviam há tempos apresentações para grandes públicos, caso do BFMV.

Maior hit da banda, Waking the Demon foi o ponto alto de uma apresentação intensa do início ao fim e que fisgou até mesmo àqueles que – injustamente – torciam o nariz para a história da banda.

O Disturbed, banda que goza de um prestígio acima da média no Brasil, subiu ao palco quando a noite começava a cair e tinha a faca e o queijo na mão para realizar a primeira catarse da noite, mas não foi o que aconteceu.

Mesmo abusando do carisma do vocalista David Draiman, que se mostrava bastante contente de estar ali, o grupo americano acabou sendo infeliz em parte de seu repertório, o que comprometeu seu andamento na apresentação de pouco mais de uma hora.

Faixas como Stupify, Prayer e The Game deixaram a apresentação perto do clímax logo no início do show, mas o grupo acabou colocando seu próprio show em um caminho tortuoso ao engatar uma sequência de covers, ignorando seu próprio repertório. Depois da tradicional versão de Sound of Silence (de Simon & Garfunkel), The Who (Baba O’Riley),  U2 (I Still Haven't Found What I'm Looking For) e Rage Against the Machine (Killing in the Name) figuraram no show, que só em seu final retomou o vigor do início.

Encerrando com a boa Down With the Sickness, o Disturbed superou as pedras no caminho e foi bastante ovacionado, mas ficou a sensação de que podia ser melhor, muito melhor...

Era a vez de uma das figuras mais intrigantes do mainstream ganhar o palco do Maximus Festival. Outrora temido, Marilyn Manson viu sua carreira se tornar uma verdadeira montanha-russa nos últimos anos após o fim do casamento com Dita Von Teese. Lançou um péssimo álbum, Eat Me. Drink Me (2007) e aos poucos foi voltando a entrar nos eixos.

Pale Emperor, seu último lançamento, mostrou que o artista americano ainda tinha lenha para queimar, ainda que não fosse tanta como se imaginava. Com um repertório mais arrastado que o convencional, Manson parece sentir hoje o verdadeiro peso da idade. Com um show menos intenso que outrora, ainda trouxe as boas Disposable Teens e The Dope Show para animar o público, mas só quando faixas mais clássicas como Antichrist Superstar surgiram no repertório o Autódromo de Interlagos voltou a pulsar.

Provocou o público ao perguntar quantas pessoas estavam drogadas, discutiu com um fã que se limitava a usar o celular e cantou Bowie em Moonage Daydream antes de trazer seu cancan bizarro em mObscene, mas faltava algo.

Marilyn Manson não é mais como antigamente e isso talvez seja o grande choque dessa geração que não o acompanhou na década de 90. Muito mais próximo da atmosfera de Sweet Dreams do que de Fight Song, o show de Manson acontece em câmera lenta, quase parando, preparando o terreno para o ápice em Coma White e Beautiful People, ponto mais alto de seu show.

Ao deixar o palco, Marilyn Manson mostrou uma nova face contestadora. Ainda provocativo, o “reverendo” segue firme com seu valor, mas ainda existe um caminho longo até se desvincular da intensidade de seus primeiros trabalhos. E esse caminho pode frustrar boa parte de seus fãs. Enfim, um risco para quem nunca teve medo de arriscar.

 O relógio se aproximava das 21h quando uma contagem regressiva anunciava a chegada do Rammstein. E a noite era, definitivamente, do grupo alemão.

Assistir a um show do Rammstein é ter contato com algo extremamente único, onde pirotecnia e performance são levados a um patamar poucas vezes visto no mundo da música. Dada a sonoridade e o idioma da banda, o impacto de um show seu supera em vários momentos o circo armado pelo KISS em suas turnês. Uma situação onde ambos os fãs só tem a ganhar.

Apresentando o mesmo set de toda a turnê realizada no último ano, o Rammstein revisita seu repertório de forma a nunca dar um respiro ao público. São explosões aliadas a um idioma impopular no Brasil, mas que assustadoramente é cantado em uníssono desde o início, quando a banda apresenta a inédita Ramm 4 e Reise Reise, do disco homônimo de 2004.

Invocando personagens de acordo com o tema das músicas, Till Lindemann é um verdadeiro frontman a frente da cama de guitarras proporcionada por Richard Kruspe e Paul Landers. Mais ao fundo, Christian Lorenz é um show à parte com seu teclado e uma quantidade incontável de peripécias. O Rammstein soa bizarro, intenso e irônico, além de extremamente rock and roll, ainda que durante todo seu show  não se destaque um único solo de guitarra.

Ironicamente, a apresentação no Autódromo de Interlagos sepulta o último fantasma da carreira da banda alemã, que no mesmo lugar foi vaiada após abrir para o KISS no início da carreira. Hoje uma das maiores potências da música, transformou um cast de mais de uma dezena de bandas em “opening act” de um show que certamente entra na galeria dos maiores já realizados no país.

Mesmo sem a presença nas rádios, o Rammstein consegue transformar faixas como Feuer frei!, Links 2-3-4, Ich Will e Sonne, todas retiradas do seminal Mutter (2001), em catarses coletivas superadas apenas pelo hino da banda, Du Hast, que apresenta um espetáculo pirotécnico sem precedentes e que coroa de vez a ousadia e relevância da banda alemã.

Ao fim do show, com a tradicional Te Quiero Puta (que caiu nas graças do público da América do Sul), a sensação de que o show do Rammstein só poderia ser superado por uma banda clássica do tamanho de um Rolling Stones ou Bruce Springsteen assina o recibo de que o grupo alemão já pertence a um seleto grupo de artistas que qualquer fã precisa assistir ao vivo ao menos uma vez na vida.

O saldo da primeira edição do Maximus Festival após sua maratona de shows é mais do que positivo e pode melhorar ainda mais. O acerto na estrutura, a entrada definitiva do sistema de cashless e os palcos lado a lado foram fundamentais pra o desenrolar do evento, que transcorreu sem imprevistos. Projetado para ser o “Hellfest brasileiro”, o Maximus só precisa buscar uma versatilidade maior de artistas para não ficar rotulado como um festival moderno demais para os fãs da velha guarda, algo que o evento francês já faz há anos.

Anunciado dentro do próprio evento para o próximo dia 20 de maio, o Maximus Festival chegou pra ficar e não está para brincadeira. E que rolem os dados e façam-se as apostas para saber quais serão as próximas bandas do festival, que esse ano certamente fincou a bandeira dentro do calendário brasileiro.

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