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Garbage - Tropical Butantã (12.12.16)

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Quando o Garbage nasceu, já no fim da primeira metade da década de 90, tudo era simplesmente “música alternativa”. Bastava você não soar como alguém do movimento grunge ou do britpop e você seria inserido nesse contexto de música alternativa.

Hoje, mais de duas décadas depois de sua criação, fica claro como a banda capitaneada pela vocalista Shirley Manson e o baterista e produtor Butch Vig moldaram seu som de uma forma que não foi capaz de envelhecer com o tempo ou soar datado, ao contrário de tudo o que aconteceu na mesma época.

No Brasil para dois shows, o Garbage trouxe ao país, além de uma avalanche de clássicos, faixas do seu último disco, Strange Little Birds, lançado em 2016. Com shows agendados em pleno mês de dezembro em São Paulo, dia 10 no Tropical Butantã, e um dia depois no Circo Voador, no Rio de Janeiro, a banda americana surpreendeu e praticamente esgotou a venda de ingressos em ambas a cidades. Um feito que por si só justificava a ansiedade do público por suas apresentações no país.

Contando com a boa abertura do Far From Alaska, banda que Shirley Manson não cansou de elogiar após conhecer no extinto Festival Planeta Terra, o Garbage subiu ao palco do Tropical Butantã no horário marcado amparado por luzes na cor rosa e uma banda entrosada e extremamente original.

Intenso, bem produzido e mergulhando em seus clássicos, incendiou a apresentação resgatando a boa Supervixen, de seu disco de estreia, e engatando dois de seus maiores clássicos, I Think I'm Paranoid e Stupid Girl. E assim estava feito. Com jogo ganho o Garbage – que não contou com a presença de Butch Vig em seu line up durante a passagem pelo país, tinha terreno pronto para conduzir uma apresentação irrepreensível, tanto no aspecto visual como musicalmente.

Ao vivo tudo no som do Garbage soa como uma versão desvirtuada daquilo que outrora veio a ser considerado música pop. São teclados e guitarras sujas que de forma alternada servem de cama para a voz de Shirley Manson, uma versão 2.0 de Kathleen Hanna, referência no auge do movimento punk feminino. Com um carisma e poder encrustados em sua performance, a vocalista comprova ao vivo porque é uma das vocalistas mais importantes de sua geração.

Alternando bem seu line up, o Garbage contou com boa recepção em faixas como as recentes Automatic Systematic Habit, Blackout e Night Drive Loneliness, mas era quando clássicos como Sex Is Not the Enemy e Special surgiam no set que o Tropical realmente pulsava. Dando a sensação de que parecia queimar seus principais cartuchos de forma certeira, construiu um setlist de quase 20 músicas sem cansar o público, nem mesmo em faixas mais intimistas como Why Do You Love Me.

Na reta final do show, embalou as clássicas Only Happy When It Rains e Push It transformando em cereja do bolo um show com cara de Best Of pontuado por boas faixas inéditas. Atuando como um quinteto ao vivo, o som do Garbage soa tão intenso que fica difícil ignorar até mesmo faixas menos populares da história da banda. Tudo executado com uma perfeição absurda.

Já no bis, com as ótimas Queer, Empty e a sempre divertida Cherry Lips deu números finais a um daqueles shows de lavar a alma. Um show de rock que não fez a menor questão de soar rock em boa parte do tempo, mas deixava isso claro justamente pela essência da banda. O Garbage mostrava novamente aos brasileiros alguns dos motivos que o levaram a ser uma das bandas mais importantes do rock contemporâneo, alternativo ou não.

A música passa por aqui.

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