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Entrevista HOPE CLAYBURN

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A cantora e saxofonista Hope Clayburn e o guitarrista Rob Parker estão completando dez anos de parceria no projeto Soul Scrimmage. O som da dupla tem raízes no soul de Memphis, mesclado a elementos do rock, funk, jazz e hip-hop.

Agora estão em turnê pelos Estados Unidos e acabaram de passar pelo Brasil pela segunda vez para tocar no Festival Latinidades, que ocorreu em julho, em Brasília. Eles tocaram acompanhados por músicos brasileiros e se entrosaram tão bem que fundaram a Brazilian Soul Scrimmage.

Nesta entrevista, eles nos contaram um pouco mais sobre essa breve turnê e sua paixão pelo Brasil.

Como tudo começou
Rob Parker: Eu a vi tocando pela primeira vez com uma banda chamada Free World e depois com outra chamada Bella Sun.

Hope Clayburn: Rob e eu começamos tocar juntos em 2006. Já estávamos no mesmo círculo de músicos quando finalmente cruzamos caminhos e Rob me chamou para fazer uma jam semanal no Full Moon Club em Memphis que chamamos de Soul Scrimmage. O ideal era reunir músicos de diferentes estilos para que cada um contribuísse para a música de forma diferente, como no esporte.

Brazilian Soul Scrimmage
Hope Clayburn: Amei tanto nossa banda de apoio que agora os chamo de Brazilian Soul Scrimmage. O baixista, Moisés Pacífico marcou todos os shows para nós, além de fazer um ótimo trabalho. Na bateria tivemos Amaro Vaz, que toca com uma banda ótima de hip-hop e rap chamada Ataque Beliz, e como ele já tinha essa linguagem, ficou muito mais fácil traduzir nossa música. Foi a primeira vez que tive backing vocal e foi muito divertido, o nome dela é Ana Voiss, artista local, DJ e uma mulher espiritual. Também tivemos Paulo Black no trompete, foi muito legal tocar com alguém que sabe tocar jazz tão bem e também funk. Tivemos Adônis Reis na outra guitarra e vários convidados especiais. O guitarrista Vitor Fernandes foi um deles e ele é demais, tocou conosco em Taguatinga, aquele lugar tem uma energia muito louca! Foi o show mais longo que já fizemos. Tocamos de 11h30 até umas 4 da manhã e ainda tinha gente falando “more, more, more!” (risos).

Simpatia brasileira
Hope Clayburn: O que mais gostei daqui foi o povo brasileiro. Todos foram muito calorosos, gentis e amorosos conosco, nos convidavam para suas casas, para almoçar ou para jantar, e nos sentimos em casa mesmo estando a meio mundo de distância de nossa terra natal. Quando você vai a um lugar e se sente assim, não tem como não gostar, então é isso o que mais gosto daqui.

Rob Parker: Sim, são bem calorosos e também apreciam nossa música mesmo que ainda não seja muito conhecida por aqui, é um publico receptivo e aberto a novidades.

Ídolos brasileiros
Hope Clayburn: Comecei a escutar música brasileira quando eu estava na faculdade, aprendi a tocar Girl From Ipanema, Corcovado, em seguida Caetano Veloso e mais tarde comecei a me interessar pelo funk e cheguei a Gilberto Gil e Chico Science. Há mais de 20 anos que escuto a música brasileira, que é bem complexa e bela. Estou muito feliz por estar aqui para mostrar nosso estilo de música em um lugar que amo tanto. E sempre estou descobrindo coisas novas, agora estou aprendendo uma música do Tim Maia porque ele é muito funky, adoro! Comprei discos dele, do Milton Nascimento e do Gilberto Gil na última vez que vim ao Brasil. Amo os clássicos, mas meu favorito é Gilberto Gil, sua música é muito ampla, ele vai do tradicional ao rock e ao funk. O primeiro disco que escutei dele era pop moderno e depois escutei todas as coisas antigas. Ele é um embaixador da cultura e da música do país. Eu o vi na cerimônia de abertura das Olimpíadas e foi demais.

Rob Parker: Eu conheço uma banda de rock clássico chamada Mutantes. Eles me influenciaram como músico e ainda estou absorvendo a música deles, que é tão louca, estranha e diferente. Até assistimos aquele documentário Loki.

Festival Latinidades
Hope Clayburn: Acho que aproveitamos ao máximo nosso tempo aqui, compomos, gravamos e fizemos muitos shows. Nessa turnê estou tocando mais do que nos últimos quinze anos e estou empolgada. Tocamos no Festival Latinidades, que estava homenageando as mulheres africanas no mundo e senti-me honrada de fazer parte disso. O Rob chegou bem a tempo de tocar e foi lindo! Essa foi a razão de eu voltar para o Brasil. Foi gratificante ver que Brasília fez um festival assim, com mulheres tentando abrir “a caixa”. (Nesse momento, ela falou em português: Brasília, estou muito feliz com todo o meu coração, e quando eu voltar, mais música!)

Encontro especial
Hope Clayburn: Gravar com a rapper Vera Verônica foi uma experiência realmente incrível e espiritual e também foi a primeira vez que tentei cantar em português, e percebi que é muito diferente de falar a língua. Foi muito louco. Ela está arrecadando fundos para celebrar 25 anos de carreira com um DVD (ela foi a primeira rapper mulher da cidade) e também quer ajudar o orfanato que os pais dela têm. Fazer parte disso foi muito bom. Ao final da gravação estávamos emocionadas e felizes de termos nos conhecido. A letra da música falava sobre uma mulher negra, forte e artista, então foi o destino. Ela é uma pessoa maravilhosa e carinhosa e lhe desejo tudo de melhor.

Papel social da música
Hope Clayburn: Considero importante que a música tenha um papel social, pois no outro lado da moeda está o fato de que as pessoas se definem pela música que escutam, ela influencia o modo como se vestem, falam e agem, então se a música não for positiva, a pessoa não será positiva. Nos Estados Unidos, por exemplo, grupos de ódio e racismo usam a música para recrutar jovens, então estou do lado oposto disso: quero recrutar pessoas para a positividade, para aceitar a vida. Se a música pode ser usada para o ódio, pode ser usada para o amor. Acredito que a música deva ser positiva, mas não quero ditar regras para as pessoas, só quero dizer que a vida é linda e devemos nos unir uns aos outros... e se posso fazer isso com uma de minhas músicas, é algo incrível. Claro que escuto Bob Marley, ele é o número um em termos de consciência social. Assim como Fela Kuti, da Nigeria; ele era um ser tão político que quase foi assassinado por causa de sua música. Isso é muito grave, não quero chegar a tanto, mas sinto que há a responsabilidade de ao menos tentar melhorar o mundo, e não piorá-lo.

Música nova
Rob Parker: Escrevemos uma música enquanto estávamos aqui chamada “Living in a box”. Eu tinha a música e a Hope escreveu a letra e gravou no aplicativo Garage Band do celular. Mostramos para a banda e eles pegaram tão rápido que tocamos nos últimos três shows. É uma ótima contribuição para o nosso set.

Hope Clayburn: O público adorou a música e quando a tocamos pela primeira vez no Velvet Pub em Brasília eu disse “essa música é para o Brasil”. A música fala sobre pessoas que ignoram aqueles que vivem em uma caixa, nem olham e nem ajudam, pois pensam que são melhores que eles. Rob está passando por algo parecido; logo antes de virmos para cá, o proprietário praticamente o expulsou de casa, então comecei a letra “the landlord told you gotta get out, pack your shit and go!” (risos). A letra foi inspirada no Rob e também no fato de estarmos em um quarto de hotel por 5 dias, parece que estamos em uma caixa. O Distrito Federal, como me disseram, também é um quadradinho no mapa. O governo também é uma caixa. Sei que assim como os americanos, os brasileiros também têm problemas com o governo, inclusive aprendemos o “Fora Temer!”. Morar em uma caixa pode ter muitos significados diferentes.

Planos
Hope Clayburn: Queríamos gravar algo com a Brazilian Soul Scrimmage, mas ficamos sem tempo. Fica para a próxima!

A música passa por aqui.

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