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Entrevista GNAZ

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Gnaz não nasceu ontem. Também não teve seu primeiro contato com o rap alguns meses atrás para decidir fazer um álbum. Experiente nome da segunda geração do gênero que mais cresceu no mundo da música nos últimos anos, o rapper paulista lançou recentemente o álbum Escolha Seu Veneno, disco que compreende não só a abordagem íntima de suas inúmeras experiências, mas toda a gama de ritmos que ele propicia.

Existe um universo entre seu primeiro tape, Quebrando as Muralhas, de 2005, e Escolha Seu Veneno, seu novo álbum, mas tudo é sintetizado em um disco que vai da influência à experiência, do samba ao rap, do pop ao reggae. Tudo junto. É o novo velho rap de um artista que acumulou ao longo de sua carreira experiência suficiente para fazer um grande álbum.

O Passagem de Som conversou com Gnaz sobre música, sobre política e sobre um monte de coisa. E você confere essa conversa abaixo em uma ótima entrevista.

A produção de Escolha Seu Veneno
Gnaz: Foi um processo meio que natural, ia apenas produzir e gravar “Um Bom Guerreiro Não Desiste” e como gostei bastante do resultado resolvi iniciar a produção da faixa “Escolha Seu Veneno”. Quando ela ficou pronta senti que ela necessitava de um videoclipe. Enfim, as coisas foram meio que caminhando assim. Não me prendi a qual estilo de rap iria fazer, fomos trabalhando seguindo minha essência, minhas influências, minhas letras e meus apanhados que ainda não haviam sido lançados. Tudo isso culminou no disco “Escolha Seu veneno”. Acredito que para o próximo disco teremos uma preocupação maior quanto a isso. Desde identidade como unidade. Mas não sei ainda, pois é muito cedo para falar sobre o próximo.

As novas possibilidades musicais dentro do rap e Escolha Seu Veneno no palco
Gnaz: Sim é exatamente essa a proposta, de quebrar essa historia de “rap tradicional”, o que seria rap tradicional? Quem ou o que define isso hoje em dia? O Brasil esta acordando e em breve as pessoas irão perceber que o rap é muito mais do que ficar "no ciranda cirandinha vamos todos cirandar”. Rap faz parte de uma cultura, a cultura hip hop que movimenta bilhões de dólares pelo mundo, não só com a música, mas com roupas, shows, grifes etc... Se ficarmos presos a esse tal pensamento de rap tradicional nunca iremos a lugar nenhum. Está na hora de abrir a mente e decolar. Quanto a apresentações, estamos terminando de montar um lindo show onde iremos rodar todo Brasil, então não posso falar muito sobre isso ainda, porém fiz algumas apresentações e o público se mostrou bastante positivo e eu curti bastante.

A liberdade de se fazer rap hoje sem pensar em uma estetica
Gnaz: Acredito que a música boa é aquela feita com o coração e com a alma sem se prender a um estilo por uma simples questão de ego. Nada contra ninguém, admiro quem segue fiel ao seu estilo e curto muito artistas que são assim e que, inclusive, são referencias para mim. Porém, no meu trabalho eu uso aquilo que me fez ser quem eu sou hoje, um pouco de cada tempero. Sou humano, nem sempre estou revoltado com o mundo, às vezes estou a fim de dançar, de curtir. E isso reflete nas minhas músicas. Como você mesmo disse, desde o gangsta até o funk e por ai vai.

O papel social do hip hop e a escolha de Changes, de 2Pac, para entrar no álbum
Gnaz: Acredito que nós MCs, que escrevemos letras e que estamos ligados com a cultura hip hop, nunca podemos perder a oportunidade de denunciar aquilo que nos incomoda e/ou o que incomoda a nossa volta e as pessoas que nos cercam. Temos que ter voz ativa sim. Aliás, foi assim que começou o rap, não é verdade? Porém, o rap evoluiu e sim, temos que nos lembrar de nossas raízes, da essência sempre que possível, mas como disse anteriormente, temos que saber onde queremos chegar, vamos ficar nessa de só ficar reclamando ou vamos agir?

Quanto à escolha de “Changes”, não tive a menor duvida, eu sempre ouvia nas festas, em baladas etc.. E percebia que muitas pessoas estavam curtindo o som, mas não tinham a menor ideia sobre o que a letra falava. E isso me incomodava um pouco porque a letra é muito foda (como tantas outras do Pac). Então resolvi fazer uma versão em português sempre tentando ser fiel ao máximo ao que o 2Pac queria transmitir e adaptando para uma realidade brasileira.

O rap ascendeu ao maisntream, mas abandonou o underground?
Gnaz: Não digo que deixou de ser underground, pois o underground sempre existiu e sempre irá existir. Aliás, ele é muito rico e fundamental para a construção de uma base sólida caso o artista decida ir para o mainstream. Mas com certeza esta sim nos mais influentes na musica pop, claro tem que saber separar o joio do trigo, mas isso é evolução e acho do caralho.

A tecnologia e seu papel no rap
Gnaz: A tecnologia é implacável, o colapso da indústria fonográfica iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Acho muito bom essa ascensão, pois assim não paramos, pelo contrário, ganhamos mais espaços, mais recursos tecnológicos, mais elementos e mais parceiros.

Infra-estrutura
Gnaz: Não acho que qualquer lugar seja ideal para um show de rap, e a acústica? E os equipamentos, e o ambiente, e o público, etc.. Pra mim show de rap tem que ser “o show de rap”, me entende? É pra isso que venho a lutar. Não é porque cantamos/fazemos rap que temos que fazer de qualquer jeito ou em qualquer lugar ou a qualquer hora. Olha os gringos, principalmente os americanos, você acha que eles chegaram aonde chegaram porque faziam um show de qualquer jeito ou em qualquer lugar?

O legado do rap e a nova geração
Gnaz: Se estivermos falando do Brasil, acredito que sim, que tem muita música boa nessa segunda geração, tão boa quanto ou até melhor que a dos anos 90, com certeza. Falando em nível gringo sou suspeito pra falar porque o rap dos anos 90 nos EUA pra mim ainda continua sendo o carro-chefe (risos).

Futuro
Gnaz: Tem o clipe da primeira música de trabalho do disco, a faixa “Escolha Seu veneno”, com participação de Duda Monteiro, que já esta disponível no meu canal do Youtube e que também já está estreando na TV. Estamos acabando de montar um show muito irado, onde pretendemos rodar todo o Brasil promovendo e divulgando “Escolha Seu Veneno”. Esse show terá além das músicas do “Escolha Seu Veneno”, como faixas do “Quebrando as Muralhas” covers gringos e nacionais. Para o segundo semestre, a ideia é gravar um novo clipe com a segunda musica de trabalho (ainda a decidir qual será) e continuar fazendo shows. E mais para o final do ano começar a entrar em estudo para uma pré-produção de um novo single e quem sabe uma pré- produção de um novo disco.

A música passa por aqui.

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