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Entrevista GAMP

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Muitas vezes ter boas influências é um fardo para algumas bandas. Imagine pensar em fazer uma banda na mesma atmosfera em que Clube da Esquina, Sepultura, Skank, Jota Quest e tantos outros já fizeram história... mas isso é um fardo para algumas bandas, não para o Gamp, que lançou recentemente seu novo EP, que apresenta cinco faixas produzidas por Rick Bonadio.

Vigoroso, é um rock que respeita muito mais que o legado dos artistas citados acima e vislumbra o futuro com muito groove e com um trabalho coeso, daqueles que você ouve e sente que o futuro é logo ali na frente. Formado em 2014 e ciente de tudo isso, o GAMP vem forte após lançar no início da carreira o álbum Keep Rockin'. É um novo álbum e um novo momento para Vinícius Carossi, Bidu Dequech, Matheus Ribeiro, Euclydes Bomfim e Lucas Bastos.

E aproveitando esse momento a banda conversou com o Passagem de Som sobre o novo projeto, as influências e muito mais!

O legado de MG, a produção do EP e a importância de Rick Bonadio
Matheus Ribeiro: O GAMP está aos ombros de gigantes. Essa metáfora roubada de Isaac Newton ilustra bem a importância de todas as grandes referências que tivemos na cena mineira e mundial. Não só o groove do Jota Quest e o swing do Skank, mas também toda a maestria do Clube da Esquina e os timbres modernos de Imagine Dragons e Coldplay influenciaram o novo som do GAMP. Estivemos atentos ao que mundo tem escutado para poder construir este novo EP. Amadurecidos por quase dez anos de estrada, foi possível construir um som moderno utilizando vários elementos musicais já consagrados no passado.

A experiência do Rick (Bonadio) foi fundamental para tornar coeso todo este trabalho. Num processo democrático de composição a efervescência de ideias é grande. Neste sentido, Rick sabe dar o direcionamento correto como poucos. O Midas fornece uma estrutura completa para o desenvolvimento do trabalho de qualquer banda. 

A opção por um EP
Matheus Ribeiro: O EP tem sido um formato para se ajustar à dinâmica do mercado. A música digital não mudou somente a plataforma com que consumimos música, mas também nossa cultura de consumo. Hoje as pessoas escutam Hits atrás de Hits, sem muitas vezes se perguntarem quem é o artista. O dispositivo plugado a um fone de ouvido faz todo o trabalho de selecionar o que irá se ouvir. A nossa decisão de gravar um EP joga com essa tendência de mercado e também é coerente com nosso momento artístico. Queríamos experimentar novos sons e ritmos. Decidimos condensar todas estas ideias em um material mais enxuto. A ideia é atrair a atenção de quem escutar nosso novo som sem desrespeitar a dinâmica e a velocidade com que as pessoas consomem informação.

Creio que a tendência seja não só de EP´s mas também de singles. Acredito que os álbuns se tornarão coletâneas destes EP´s ou gravação de alguma performance ao vivo.

A volta do rock dançante
Matheus Ribeiro: De fato, esta característica dançante voltou ao rock. O indie rock americano e inglês puxaram esta tendência que acabou sendo absorvida pelas grandes bandas de hoje. Elementos eletrônicos e uma marcação reta do bumbo dão a sensação de uma música cheia de energia e vibrante. Algo que é sempre sucesso em grandes festivais. O artista quando está em processo de gravação sonha com o lugar que a música será ouvida. Imagina como ela soará no som de um carro e como o público reagiria num show. Em tempos de agitação e velocidade, uma música pulsante reverbera bem.  

GAMP no streaming
Matheus Ribeiro: A preocupação existe desde o momento da composição. Gravamos várias dobras de guitarra para que o peso do instrumento fosse sentido, mesmo quando reproduzido em plataformas de baixa qualidade. Vozes e vários outros elementos também foram dobrados. Cris Simões e Fernando Prado, produtores musicais do disco, testaram a mixagem de cada faixa não só nos excelentes aparelhos do estúdio como também em fones de baixa qualidade. O importante é soar bem em todo lugar. O trabalho só faz sentido se conseguir chegar até às pessoas.

O rock e as grandes mídias hoje
Matheus Ribeiro: O rock precisa deixar o papel de vítima um pouco de lado. Neste sentido é que os movimentos underground crescem. Se a grande mídia não dá espaço, que criemos então o nosso espaço. Porém uma análise mais profunda deve ser feita. É preciso perguntar o por quê do rock perder espaço na grande mídia. Um palpite óbvio é porque o rock não dá o mesmo retorno em Ibope que outros gêneros musicais. Chegou o momento de parar de protestar e agir. Reconhecer o mérito de outros gêneros e absorver aquilo que deles pode ser útil. O rock pode crescer muito desta forma.

O rock e o social
Matheus Ribeiro: Se há protesto ele está nos movimentos underground. O protesto antigamente não estava só nas letras, estava no todo. O modo de agir, de se vestir, falar, tudo isso exaltava as insatisfações. Por ter perdido espaço, o rock pisa em casca de ovos. O artista não se impõe como antes. O medo da crítica o faz ser cauteloso.

O calendário inflado e sua relação com as bandas locais
Matheus Ribeiro: O Brasil é um país de tamanho continental. Pode ser clichê mas é verdade: tem espaço para todo mundo. Belo Horizonte tem uma cena de rock fantástica. Ótimos pubs que proporcionam excelentes estruturas para as bandas. Shows para 300 ou 400 pessoas. Isso é perfeito para o início de carreira de qualquer banda. Porém, sei que somos privilegiados. Não se encontra a mesma estrutura em outras grandes cidades. O próprio Rio de Janeiro é carente neste sentido. Acho essencial para a cultura a vinda de outros artistas. Afinal, o Brasil importou o rock n roll. Poucas vezes temos a oportunidade de ver um estádio lotado para um show de rock. Rolling Stones trouxe isto. Ultraje a Rigor pode nadar na onda abrindo o show. Provavelmente sem artistas de fora Lollapalooza e Rock in Rio não existiriam. 

Futuro
Matheus Ribeiro: O GAMP é um avião na pista pronto para decolar. Em tempos turbulentos ou não estamos prontos para a aventura. Nosso foco é distribuir para todo o Brasil este novo EP. Fazer com que o maior número possível de pessoas nos escutem. Confiamos no nosso trabalho e temos orgulho do que temos feito. Um passo de cada vez para conseguir chegar onde almejamos. 

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