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Entrevista BARRO

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Barro é pernambucano. Barro é do mundo. Barro canta, toca, compõe e produz. Barro não tem limites. Barro é Filipe Barros.

Responsável por um dos grandes lançamentos de 2016, quando lançou o ótimo álbum Miocardio, disco cantado em italiano, francês, português e inglês, Barro constrói uma ponte entre elementos distantes da cultura brasileira. Músico que fez da palavra "multi" o mote definitivo para seu trabalho, o músico pernambucano tem ao seu lado uma direção audiovisual assinada por artistas conceituados como William Paiva, além do trio formado por Guilherme Assis (baixo e samplers) e Ricardo Fraga (bateria e samplers), sua banda ao vivo.

Nesse processo Barro conversou com o Passagem de Som disposto a abrir a caixa de Pandora que compõe sua música. Que dá corpo a um trabalho que, mais do que brasileiro, soa mundial, mas não faz questão de ser world music e sim 100% brasileiro.

A ruptura de uma estrutura musical consolidada
Barro: Eu acho que o Brasil tem vocação para isso, e temos gigantes que fizeram isso magnificamente. Podemos falar do manguebeat, da tropicália, mas podemos ir mais atrás ainda, e pensar em Villa-Lobos. Essa ideia de reprocessar coisas do mundo e dar a sua assinatura é algo que acontece no Brasil com muita força. Eu fico feliz que o álbum Miocardio tenha passado essa mensagem e tenha mostrado esse potencial da música como um elo de ligação entre as culturas. Acredito que cada um pode dar o seu tempero e a sua assinatura, e isso com o tempo pode ficar mais claro.

A turnê do álbum Miocardio e sua capacidade multimídia no palco
Barros: O show realizado no Auditorio Ibirapuera estreou esse novo momento, por isso estamos numa grande expectativa sobre tudo isso. Quanto a gente decide fazer o álbum já tem uma dimensão visual muito forte e no meu disco isso ficou bem marcante, com a arte de Laurindo Feliciano. No show, com Guilherme Assis e Ricardo Fraga, que estão juntos no palco comigo, fomos amadurecendo essa ideia do ao vivo como uma experiência que compreende uma forte dimensão visual, seja pela luz, seja pelas projeções.

As animações são assinadas por William Paiva, um parceiro de longa data, que conseguiu fazer algo bem bonito pensando muito na relação sincrônica, um pouco como na Visual Music de Oskar Fischinger, que tocas as imagens animadas na tela. Pensando a visualidade como algo que você pode de fato tocar.

Barro digital x Barro físico
Barro: Vivemos mais uma vez um momento de transição e é engraçado como nesse último ano o streaming meio que se estabeleceu para todo mundo. Os números do Spotify realmente viraram algo forte. Mas, ao contrário do que muitos pregam, muita gente quer levar algo pra casa, ter algo que materialize a relação com o disco. A primeira tiragem de 1000 cópias de CD já encerrou, fizemos a segunda e continuamos a vender nos shows, em loja e pela internet. Acho que o ideal é estar presente em todos os formatos pra colher essa diversidade de experiências possíveis. Espero em breve ter o vinil do Miocardio também pra completar a trinca.

O que há na água do Recife para brotar tanta banda boa?
Barro: Rapaz o Capibaribe anda bem poluído, cada dia mais (risos). Mas acho que aqui tem um lance... as pessoas realmente se propõem a criar a sua história. Não tem um lance de criar algo tão uniforme, a característica é tentar achar o seu caminho mesmo. Isso produziu um cenário bem diverso e eu tenho o maior orgulho de fazer parte dele.

A importância do eixo RJ-SP e os novos festivais
Barro: O eixo RJ-SP ainda é muito importante, ajuda muito, sobretudo pra divulgar o trabalho, e sobretudo São Paulo é um lugar que tem mais oportunidades. Mas acho que qualquer artista hoje tem que pensar em rodar. Não dá pra ficar preso a nenhum lugar e aí, sem dúvida, os festivais são um motor pra ajudar na circulação. Tenho ido pra lugares que nunca fui antes na vida e isso é demais. Em novembro vai ter Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, e o Miocardio já está bombando.

Os idiomas de Miocardio e o domínio da língua inglesa no mundo
Barro: Eu não sei. Não fiz Miocardio pensando nisso. Vou em busca do som, das palavras e dessa sensação ligada ao idioma. Eu acho difícil quebrar o império da língua inglesa. Mas é massa ver o lugar atingido pelo espanhol por exemplo, nos próprios EUA. Vejo que o mundo caminha pra algo mais universal também. Ibeyi, Asa, Stromae e vários artistas estão rodando o mundo e cantando nos seus idiomas, dialetos e misturando com inglês também. Vejo que isso funcionou pra mim e tem rolado com vários outros artistas.

Música multimídia
Barro: Nosso show foi uma experiência tecnológica, fomos tocando muito, mesmo antes do disco estar pronto, testando como tocar com os samplers, acerto e erro. Quando fomos lançar o disco já tínhamos uns 15 shows e a parada já estava fluindo bem. As máquinas estão ali o tempo todo auxiliando, disparando samplers, efeitos, projeções e é meio mágico mesmo poder tocar com essa massa sonora. Isso tem sido um ponto forte do show por onde a gente passa e permite levar um pouco do disco pra experiência do palco.

O Brasil hoje e sua influência na classe artística
Barro: A gente vive um momento muito tenso. Pra mim é difícil, é voltar várias casinhas de coisas que já estavam superadas, mas parece que não né? Ter que falar de censura em 2017 é, no mínimo, brochante. Mas vamos lá... tem que respirar fundo e viver o presente. E a realidade nesse momento tem sido essa, afirmar coisas muito básicas que já deveriam ter sido superadas. Acho que o maior desafio hoje, que vale da política a música, é romper a bolha, esse microuniverso onde imergimos nas redes sociais. Acredito muito no encontro ao vivo e tenho tentado fazer isso no meu trabalho musical. Talvez esse retorno a essa experiência mais direta seja o caminho.

Barro daqui para a frente
Barro: Vamos rodar ainda com o Miocardio, chegar a novos lugares nos próximos meses, e agora com as projeções que dão um novo gás no processo. Em outubro sai uma música que compus e cantei no disco do produtor italiano S-tone Inc. Estou começando a compor coisa nova e em 2018 já deve vir música nova por aí, mas ainda está tudo na fase embrionária.

A música passa por aqui.

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