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Entrevista FACA PRETA

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A frase é o maior dos clichês, mas "the punk never dies" e o Faca Preta é um bom exemplo disso.

Formada em 2013 por músicos experientes do circuito underground, a banda Faca Preta tem sido uma grata surpresa para o street punk nacional. O primeiro EP da banda paulistana foi gravado em 2014 e será lançado pelo Semper Adversus, subselo da HBB, no formato vinil 7 polegadas.

Pronto para lançar seu próximo álbum, sucessor do homônimo lançado em 2015, a banda formada por Anderson Boscari, Dudu Elado, Fabiano Santos, Shamil Carlos e Marcelo Sabino fez parta da recente coletânea da HBB "Para Incomodar Vol. 2", voltada aos novos nomes da cena street punk.

No próximo domingo o grupo é uma das atrações de um encontro que promete entrar para a história, reunindo três gerações do punk nacional, ao lado de Flicts e do lendário Garotos Podres, em São Paulo.

Antes disso, a banda bateu um papo com o Passagem de Som em uma grande entrevista!

A apresentação ao lado do Flicts e dos Garotos Podres
Anderson Boscari: Pra gente é um dos shows mais importantes até agora, estamos tocando com 2 bandas que somos muito fãs, e que são umas das melhores em atividade hoje no país. Acho que o evento mostra como o punk tem se renovado ao longo dos anos, sem perder sua essência.

Fabiano Santos: Primeiramente, a expectativa para esse show é enorme. Dividir o palco com duas das melhores bandas de punk rock que já surgiram no Brasil é algo indescritível e esse show, por possivelmente ser o único do Faca Preta esse ano, se torna ainda mais especial pra gente. E o punk rock sempre se renova, por mais que as pessoas às vezes falem que a cena é fraca, que as pessoas não vão a shows, sempre existem bandas surgindo, shows acontecendo e a cena se movimentando, é nossa obrigação como parte disso tudo seguir acreditando e batalhando para as coisas acontecerem.

O Faca Preta no momento social atual
Fabiano Santos: Vivemos tempos sombrios, mas não só no Brasil, essa onda de intolerância e patriotismo exacerbado vem crescendo no mundo todo. Claro que na época da famigerada ditadura militar no Brasil as coisas eram piores, mas também acredito que antes das coisas chegarem ao ponto que chegaram elas evoluíram para isso, então é preciso estar sempre alerta e seguir se levantando contra esses temas antidemocráticos e que vão contra as minorias.

O fantasma da repressão em pleno 2019
Anderson Boscari: A gente não imaginava lidar com esse tipo de repressão em 2019, com tanta facilidade que as pessoas têm à informação. Acho que esse fantasma persegue não somente o punk, mas toda e qualquer pessoa que vá contra o sistema, que produza arte, que seja subversivo... O duro é acreditar que isso ainda aconteça nos dias de hoje.

Fabiano Santos: Quando montamos a banda, eu particularmente, nunca imaginaria que a palavra censura voltaria a ser falada por aqui como acontece hoje. O punk sempre foi contestador, sempre foi contra o sistema, batendo de frente – inclusive – com os governos anteriores ao que está aí agora.

O que sentimos hoje é que esse governo, assim como seus apoiadores, não toleram ser criticados e buscam sufocar qualquer coisa que vá contra eles. Virou coisa frequente jornalista ser silenciado, demitido, verbas culturais serem cortadas, faculdades punidas etc. E esse tipo de ação é o princípio para que algo pior possa vir a acontecer no futuro.

Por mais problemas que poderíamos ter nos governos anteriores não víamos esse tipo de coisa acontecendo. Mas acredito que como o punk resistiu à época da ditadura, iremos resistir a isso também. Resistir inclusive é o nome de uma música que gravamos para o nosso próximo álbum e esse também será o nome do disco.

O Oi! em tempos atuais
Fabiano Santos: Nós nos consideramos uma banda de punk rock por ser algo mais genérico e que possa englobar várias vertentes dentro de um único estilo, até para evitar limitações na hora de criar e nas composições das músicas.

Dentro da cena eu vejo com bons olhos a relação entre as bandas, de nossa parte pelo menos eu acredito que que esse bom relacionamento é fundamental para o crescimento da cena como um todo, seja nas vertentes Oi!, punk rock, ska, indie, hardcore, metal ou qualquer outro nesse meio underground.

O intercâmbio entre bandas do gênero
Anderson Boscari: Pra gente é muito legal tocar com bandas que crescemos ouvindo e bandas tão importantes pro cenário nacional e mundial. Desde que montamos a banda, até hoje, já tocamos com muitas bandas que somos fãs, os shows sempre são especiais!

Fabiano Santos: Eu me sinto realizado de nessa caminhada ter feito tantos amigos e ter tocado com bandas com as quais sempre fomos fãs. Algumas dessas sinceramente eu nunca imaginaria que pudesse estar dividindo o palco, como o Toy Dolls, por exemplo.

Acho que nos últimos anos as bandas vem buscando fazer um trabalho com mais qualidade, buscando qualidade de gravação, fazendo clipes bacanas e jogando material na internet, algo que há alguns anos era visto como quase impossível. Me lembro quando comecei a ir a shows no final dos anos 90 e uma banda que conseguia fazer um clipe bacana já se destacava na cena, podemos citar aí o Gritando HC, Calibre 12, Holly Tree, Blind Pigs, dentre outras, que conseguiram gravar um material de qualidade e cresceram na época por conta disso. Hoje as coisas são mais acessíveis, o que acaba contribuindo e puxando a cena pra cima, pois todo mundo vai querer buscar mais qualidade antes de sair lançando qualquer material.

O nome da banda e a histeria social
Anderson Boscari: Na verdade eu nunca tinha feito essa relação, só associei agora lendo a entrevista, mas nunca gerou nenhum comentário sobre não.

Fabiano Santos: No segundo semestre do ano passado, e ao longo desse ano de 2019, nós estávamos – e estamos ainda – envolvidos no processo de gravação do nosso disco novo, então acabamos não fazendo shows depois desse ocorrido. Mas é capaz mesmo que pudesse gerar algum tipo de problema sim, visto que o festival "Facada" foi censurado, se não me engano em mais de uma cidade.

O circuito para bandas punk
Anderson Boscari: O encontro dessas gerações é muito importante pra mostrar, principalmente, que o punk continua vivo e produzindo muito! Hoje os locais pra shows são bem melhores, mais estruturados, porém parece que parte do público perdeu o interesse em ver as bandas ao vivo. Vejo desde o ano retrasado um movimento muito legal das próprias bandas se organizando pra fazerem suas turnês, passando por várias cidades e estados; e isso é muito positivo!

O punk ainda é uma música de subúrbio?
Fabiano Santos: A música, antes de qualquer coisa, sempre foi uma questão cultural, sempre afetou e influenciou pessoas, independente do estilo. Se o rap chegou ao mainstream passando uma mensagem positiva eu acho que é ponto pra eles.

Hoje a música não tem fronteiras, limitações. Você abre o Youtube e consegue ter acesso a um show daquela banda inglesa que você é fã que ela fez na semana passada. Uma banda lança um disco e instantaneamente você consegue ouvi-lo no Spotify, a música hoje é globalizada. E daí a importância mesmo da sua música causar um impacto e mexer com as pessoas, pois se isso não acontece, no meio de tanta coisa acontecendo você acaba sendo descartado.

Futuro
Anderson Boscari: Nosso disco está em fase final de mixagem e em breve teremos novidades.

Fabiano Santos: A ideia é que ele seja lançado ainda no primeiro trimestre de 2020, após isso iremos voltar a rotina de shows e tocar no máximo de lugares possíveis.

A música passa por aqui.

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