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E Entrevistas

Entrevista O TERÇO

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Um dos mais importantes grupos brasileiros do rock anos 70, o Terço, que conta com 19 CDs e dois DVDs na carreira, acaba de lançar o mais novo projeto “O Terço em 3D" um espetáculo de formato inédito no mundo. Com Sérgio Hinds (guitarra, viola e vocal), Flávio Venturini (piano, teclados, viola e vocal), Sérgio Magrão (baixo e vocal) e Fred Barley (bateria) na formação, a banda é a primeira no mundo a fazer shows em 3D e a primeira no Brasil a gravar um Blu-Ray Full HD Surround em 3D.

O DVD/Blu-Ray foram gravados nos estúdios Polo Cine Vídeo e Visiom Digital (Rio de Janeiro) em fevereiro de 2013, numa parceria do selo Visiom Digital e Canal Brasil. A direção geral de Paulo Henrique Fontenelle e o projeto 3D de Izi Ribeiro leva aos telespectadores uma experiência audiovisual inovadora, que trazem 15 canções e relatos que contam a história da banda, com destaque para “Hey Amigo”, “Tributo ao Sorriso”, “Criaturas da Noite” e a participação especial de Cezar de Mercês em “Flor de La Noche”, entre outras.

O Passagem de Som conversou com o grande Sérgio Hinds, que falou mais sobre o novo projeto e as novidades da banda para os próximos meses.

Com formação clássica, O Terço lança projeto 3D ao vivo nos cinemas - Créditos: Divulgação

Entrevista O TERÇO (Sérgio Hinds)

A produção em 3D e a ligação do rock clássico com a tecnologia
Sérgio Hinds
: O rock progressivo sempre fez uso desse conceito de imagem e música ao longo da história, ele propicia isso. São efeitos de iluminação, de projeções... como são músicas longas isso sempre acabou andando junto. O próprio show do Pink Floyd sempre foi bastante rico nessa questão e várias bandas de rock progressivo sempre usaram esse artifício por terem em suas músicas longos instrumentais, usando o vídeo como base para sua música, que por sua vez servia como uma trilha sonora.

Existe um apoio natural do vídeo a esse tipo de som. Na década de 70 O Terço chegou a ter cinco iluminadores que faziam esse trabalho de projeções com vários equipamentos. Hoje com a possibilidade de usar essa tecnologia, principalmente a 3D, nós vislumbramos a chance de lançar o Blu-Ray nesse formato, que é algo que ninguém lançou no país ainda. A partir disso nós tivemos a ideia de fazer isso em um cinema, entregando os óculos para as pessoas.

Fizemos alguns testes em alguns SESCs e agora faremos um circuito com esse formato de show por alguns Cinemarks 3D para lançar esse Blu-Ray, que já está pronto. Estamos lançando ele em Blu-Ray 3D, DVD e CD duplo.

A apresentação em um cinema
Sérgio Hinds
: Esse show que faremos para o lançamento do Blu-Ray é o primeiro que faremos assim (risos), nós já nos apresentamos em um cinema, mas não nesse formato. A história conta que primeiro haviam os teatros e depois os cinemas. As pessoas colocavam as telas dentro dos teatros para exibir o visual. Assim tínhamos o cinema mudo com o cara tocando piano lá no canto. As coisas foram melhorando e veio então o cinema colorido e o som, mas os cinemas tinham essencialmente um palco. Até hoje isso existe em alguns lugares. Agora com as redes grandes como o iMax e o Cinemark não existe mais esse palco porque não fazem nenhum evento no lugar que o diferencie de um cinema tradicional, mas existe um espaço entre a primeira fila e a tela, onde mesmo a primeira file incomoda bastante para quem está ali. É nessa distância que corresponde hoje o tamanho de um palco onde montamos a estrutura d’O Terço para realizar o show com as projeções acima e com toda essa tencologia. As pessoas receberão o óculos e poderão acompanhar essa experiência com uma boa acústica e a banda se apresentando abaixo.

Tudo isso é um grande desafio para nós. Houveram uma série de problemas logísticos que tivemos que resolver porque para todo o cinema isso também é algo extremamente atípico. A própria questão de venda de ingressos teve problemas porque existe uma exclusividade para as entradas da rede de cinema, mas não trata-se de um filme e sim de um show. Em princípio tivemos problemas porque não havia um consenso de como isso funcionaria e até a rede teria que definir (risos). O equipamento de som também foi um desafio porque ele fica atrás da tela e isso daria micronofia com a banda tocando na frente. Nós tivemos que instalar equipamentos no lugar. Luz idem, nós não podemos colocar uma luz maravilhosa porque poderia ofuscar a tela. É um planejamento muito cuidadoso e difícil. Para se ter noção, existe uma fuga de incêndio que todo cinema tem... é surreal, foi um grande desafio e vai ficar muito legal!

A produção 100% brasileira
Sérgio Hinds
: Hoje o cinema brasileiro compete de igual para igual em muitos festivais pelo mundo. Essa empresa que produziu no Blu-Ray, a 3D Mix, é de um cara chamado Izi Ribeiro, que trabalha com 3D há quase duas décadas. Ele já havia comprado equipamentos há um bom tempo. Existe uma “trakitana” que foi usada no filme Avatar que a Globo comprou e não conseguiu operar, daí ele foi lá e comprou da Globo. Estamos falando de um profissional que é fotógrafo de profissão com trabalhos importantes e depois montou essa produtora de imagem e começou a trabalhar com 3D. E vou te dizer uma coisa, foi o brasileiro quem descobriu o 3D, assim como Santos Dumont com o avião, mas ninguém vai dar o crédito para isso.

A importância da TV para a música após o fim da MTV
Sérgio Hinds
: A MTV tinha um papel importante para a juventude, tinha uma programação voltada para a música com uma programação que hoje faz falta. Agora o Canal Brasil é feito por cineastas e que fazem coisas muito ligadas ao cinema mesmo. A parceria do Canal Brasil com a 3D Mix e a Visiom Digital possibilitaram que esse projeto fosse realizado e que tem um documentário ainda não exibido, mas que está no conteúdo do canal. O diretor do nosso projeto é o Paulo Fontenelle, que foi responsável pelo documentário sobre o Arnaldo Baptista, o Loki, e o do Jango, que foi super importante, ele também fez um documentário sobre a história d’O Terço que está incluso nos extras do nosso Blu-Ray contando nossa história. Isso é de grande interesse para o Canal Brasil porque a banda não tinha sua história documentada. O Carlão da Visom também ajudou muito na escolha do setlist repassando a história d’O Terço e nós fizemos todo esse trabalho como algo inédito no Brasil. Existem lá fora várias bandas que fizeram isso, mas um show em 3D não me recordo de ninguém ter feito até hoje.

Os grandes festivais brasileiros para bandas de rock clássico
Sérgio Hinds
: O Terço sempre tem feito grandes shows em teatros para 1500, 2000 pessoas com ingressos esgotados com antecedência e isso tem sido bem legal para nós. Acho que a época dos festivais de rock já passou, acontecem os festivais com muitas bandas de fora como o Lollapalooza e o Rock in Rio, mas no Brasil existem alguns que sobrevivem com aquele núcleo da década de 70 como o Psicodália e o Country Rock, que já está praticamente na 10ª edição. Mas o Psicodália é uma coisa maluca, incrível mesmo! Na última vez em que tocamos no evento havia até hare-krishnas lá e vários cabeludos, coisa que hoje não é tão comum nos shows de rock (risos). Então acontecem alguns bons festivais, mas na décad de 70 haviam vários festivais e a cena alternativa hoje são outra história porque são grupos que precisam aparecer, estão lutando pelo seu espaço, tocando em bares, em tudo! A internet ajuda bastante nesse aspecto.

As plataformas digitais para discografias extensas como a d’O Terço
Sérgio Hinds
: Não é uma questão de compensar ou não para uma banda como a nossa, mas o tempo que nós dispensaríamos para cuidar de algo assim. Nós temos vários trabalhos em desenvolvimento... o Flávio tem o trabalho dele, o Magrão tem o 14 Bis, O Terço acabou de lançar um projeto 3D, eu acabei de montar uma banda com os irmãos Busic após o fim do Dr Sin chamado Tomahawk Blues Band e nós fazemos parte de uma escuderia de motos, não um moto clube, onde sempre passeávamos de moto e tínhamos vontade de tocar juntos e fizemos esse projeto. Entraremos em breve em estúdio, tocaremos em vários lugares... enfim, nós d’O Terço temos vários projetos e essa questão da passagem do físico para o digital é complexa porque nós não vivemos disso. As várias gravadoras pelo qual passamos e que detém material conseguem colocar material nas plataformas e nós vamos recebemos nosso direito, mas nós não corremos atrás disso porque não interessa gastarmos energia tendo tantos projetos em atividade.

Planos para 2016
Sérgio Hinds
: Nós estamos trabalhando agora na divulgação do nosso projeto 3D e depois já iremos dar início a mais um trabalho de inéditas. Estamos preparando para lançar isso no fim de 2016 ou no máximo durante o início de 2017, mas agora vamos seguir essa tour com o projeto 3D e em paralelo com uma outra somente com faixas instrumentais da banda. Temos muitas boas faixas nesse formato e a ideia é seguir em paralelo ao nosso lançamento ao vivo.

A música passa por aqui.

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