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Entrevista RENATO TEIXEIRA

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A história de Renato Teixeira se mistura com a cultura brasileira. Um dos nomes mais importantes da música sertaneja de raiz, Renato Teixeira chegou aos 71 anos com uma inspiração rara e a capacidade de materializar sua história e conhecimento em faixas que tocam a todos que amam a música.

Depois de ver seu trabalho com Sérgio Reis, o CD e DVD Amizade Sincera, chegar até o Grammy, viu que era a oportunidade de consolidar um projeto que há anos se arrastava com outra lenda do gênero, Almir Sater, com quem lançou em 2016 o lindíssimo álbum AR. E por mais incrível que pareça, essa foi a primeira vez que os cantores realizaram juntos em um trabalho exclusivo. Apesar de serem parceiros durante toda a carreira, a maioria do repertório era inédito e começou a ser gravado há 6 anos.

Falamos com Renato Teixeira sobre seu projeto ao lado de Renato Teixeira e muito mais. Um bate-papo que vai além das notas musicais por um artista que, como poucos, compreende as raízes da cultura brasileira.



A produção de AR com Almir Sater
Renato Teixeira:
Era um projeto que todos nós queríamos e era a hora de fazer esse disco. Assim, quando nós resolvemos fazer nós tivemos que lidar com toda a questão de compromissos que já tínhamos e todas essas coisas e estávamos no meio do caminho do disco, nós chamamos o Eric Silver para produzir e ele veio até nós para acertarmos as ideias. Ele foi sendo gravado entre aqui e Nashville (onde ele mora), nós fazíamos as bases aqui e depois íamos até lá para realizarmos as gravações. Fomos realizando esse processo até finalizarmos o disco. Ele é nosso amigo há muitos anos, vinte anos já! É um verdadeiro amigo nosso! 

Formatos de lançamento
Renato Teixeira:
Esse tipo de coisa nós queremos tudo (risos). Não é uma questão de esse ou aquele, quanto mais melhor. Sob esse aspecto quanto mais pessoas ouvirem melhor. E isso é algo muito bom para a música, a gravadora que explora o trabalho comercialmente, mas para o artista o que realmente importa é ver sua música para o máximo de pessoas possível.

A gente sempre espera que a música chegue com o máximo de qualidade possível para as pessoas, mas não é algo que depende de nós. Se dependesse de nós seria mais fácil. Hoje você ouve música no celular e antigamente isso era impraticável, três anos atrás você não via tanto isso. Até pouco tempo você ouvia um disco. Qualquer coisa que acrescente para nossa carreira é positiva. 

A música sertaneja como o gênero mais popular do Brasil
Renato Teixeira:
Eu acho que a música sertaneja de hoje como o sertanejo universitário, por exemplo, é a música que a nação exige, que já está esperando. A questão de refletirmos sobre o baixo conteúdo de um ou outra letra é apenas o reflexo do que o povo dá para a cultura. Esse é um problema de estado, não de música.

A música vai ter que tocar de qualquer jeito e esse sertanejo que muita gente questiona é exatamente o que está sendo pedido. Não é a música que vai mudar o povo, isso só vai acontecer através de escolas e de muita cultura.

Sob essa ótica o que podemos ver que esses meninos em destaque na atualidade trabalham direito, são muito bons no que fazem. Eles conseguem sucesso porque estão produzindo algo em alto nível, não é a toa que o sertanejo hoje domina 70% do mercado brasileiro e isso movimenta muito dinheiro, gera trabalho, gera empregos... enfim, é um dos nossos aspectos culturais mais bem-sucedidos. Eles não são os donos absolutos do mercado e o mercado paralelo de gente como eu, Almir e Sérgio Reis está aí tocando para 20 mil pessoas também. A música brasileira nunca esteve tão bem olhando por esse aspecto e o conteúdo, infelizmente, não é um problema nosso. Como você vai querer cobrar um nível cultural alto de um artista e do público se ele não tem ensino? Você acha aqui ou ali alguém inteligentíssimo como Luiz Gonzaga, mas isso, infelizmente, é raro. 

A experiência no Brahma Valley e os grandes festivais sertanejos
Renato Teixeira:
Eu me dei super bem com o pessoal no Brahma Valley e os meninos mais novos que estiveram lá para me ver. Eles são super gentis e gostam do meu trabalho, então as pessoas vão lá e curtem. Mas essa não é essa a educação que eu quero para o meu povo, para o meu filho. Eu gostaria que houvesse um pouco mais de conhecimento, de cultura, para se poder usufruir de algo com mais conteúdo e que traga mais benefícios no futuro. Bem maior que tudo isso, mas é o que temos e o importante é que isso exista.

Nós do palco olhamos o público cantar, as meninas ficarem tirando selfies durante o show e isso deixa todos felizes, mas na alma continua aquela extrema escuridão de pessoas que não têm o acesso ao conhecimento pleno e aos benefícios da cultura. Isso me dá uma enorme tristeza. 

Os grandes eventos
Renato Teixeira:
Os grandes festivais são necessários porque o ser humano gosta desse tipo de oportunidade para encontrar outras pessoas. São as grandes aglomerações, a chance de se fazer festas em eventos de toda forma. E isso não se limita somente à música. É só olhar milhões de pessoas em Aparecida que gostam de pagar promessas nesse dia, os muçulmanos em Meca ou em um show do Luan Santana. As pessoas gostam desses grandes encontros.

Um grande conteúdo nem sempre está nas grandes aglomerações. Se você vai a um show do Almir Sater você vai ver todos os povos da Terra reunidos gostando da mesma forma. As apresentações do Boldrin... é um olhar tão bonito sobre as raízes do povo brasileiro... sobre a nossa gente. E isso pode fazer a diferença na vida das pessoas. Mas existe espaço para todos os povos, todos os credos e isso é importante. 

Futuro
Renato Teixeira:
Hoje eu posso dizer que não tenho um objetivo ou um alvo, eu vou tocando e cantando com um projeto, viajando porque isso faz bem para a saúde e faz com que você se sinta muito distante da pressão diária. Tenho meus 71 anos e estou tocando com uma felicidade imensa! Isso é um privilégio incrível que sei que tenho, tenho que aproveitar tudo isso.

A música passa por aqui.

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