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Entrevista ROBERTINHO DO RECIFE

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O Metalmania está de volta! Liderado por Robertinho do Recife, um dos maiores nomes da guitarra nacional, o projeto fundado há mais de três décadas retorna para ter, finalmente, o reconhecimento de um trabalho que abriu portas para músicos brasileiros e que consolida mais um capítulo da história de um artista que, literalmente, rompeu todas as barreiras musicais.

Hoje a todo vapor e curtindo seus 61 anos, Robertinho do Recife vê sua história se cruzar com praticamente todo a cena de entretenimento no Brasil. E não é somente por sua impressionante habilidade com a guitarra. Produtor, arranjador e guitarrista, trabalhou com nomes que vão de Xuxa a Rogério Skylab. Ou seja, sem você pensar muito enquanto lia essa entrevista, mentalmente revisitou hits de alguma faixa clássica de um ícone do rock ou da música pop que teve o talento de Robertinho do Recife envolvido.

Com tanta história e talento, essa só poderia ser uma entrevista com ótimas histórias e um profundo conhecimento de um artista que soube como poucos atravessar décadas de carreira esbanjando bom humor e conhecimento. Com vocês a lenda, Robertinho do Recife!

Robertinho do Recife hoje
Robertinho do Recife: Bem, tenho tocado em grandes eventos em que outras bandas da nova geração estão se apresentando e os fãs deles não conhecem o nosso trabalho, que é bastante diferente do metal atual, mas têm nos recebido com muito respeito e no final de cada show temos conquistado essas plateias. Tenho ficado muito feliz em ver depois de três décadas nossos fãs cantando nossas músicas e estou vendo que tem muita gente jovem na nossa tribo.

Metalmania
Robertinho do Recife: Eu entendo que já tocava metal desde os anos 70, quando tocava "Black Night" do Deep Purple, Blue Cheer e Humble Pie nos bailes em Recife. Mas decidi montar o Metalmania depois de ver o Van Halen. Deixa eu tirar uma dúvida de todos: Metalmania é um nome de uma música nossa que falava no movimento Heavy, mas nunca me preocupei em rotular o que estávamos tocando, só tinha certeza que era pesado o nosso som e que queríamos fazer barulho (risos).

Pioneirismo e a importância de Sepultura e Angra para o heavy metal
Robertinho do Recife: Tive muitos problemas por ser um dos pioneiros e me considero um desbravador. Primeiro porque insisti em fazer músicas em português e as duas bandas citadas por você fizeram a opção de fazê-lo  em inglês. Segundo, o mercado sempre foi restritivo ao estilo, as rádios populares nunca tocaram músicas nem minha, nem dos citados. Sinceramente, tenho certeza da importância que tivemos para o desenvolvimento do heavy metal no Brasil, nossos shows de abertura para ícones como Quiet Riot e Deep Purple foram considerados pelo público como melhores que as estrelas internacionais e isso é trazer divisas para nosso reputação de vira-latas.

Rótulos musicais
Robertinho do Recife: Rótulos musicais servem para te colocarem numa prateleira e te limitarem a ser um produto controlado pelo consumidor. O que mais me diverti fazer era confundir. Cada disco meu era de um estilo, como músico participei da carreira de "centenas" de artistas de todos os estilos e tive a chance de conviver com tribos de gostos diferentes. Todos esses artistas que toquei tenho o maior respeito por todos, mas George Martin, Hermeto Pascoal e Zé Ramalho estão nos primeiros lugares.

Encontros com grandes nomes internacionais
Robertinho do Recife: Os encontros sempre aconteceram de uma forma mágica e foram oportunidades que tive de aprender mais. O que acho que fiz pela música ainda é muito pequeno pelo que ainda posso contribuir, mas, preciso de mais chances de trabalhar e mostrar isso. 

O encontro com o Manowar no Monsters of Rock 2015
Robertinho do Recife: O José Muniz, criador do Monsters of Rock, me chamou e disse que o Joey DeMaio, baixista do Manowar, queria falar comigo no camarim. Chegando lá ele falou que gostaria de fazer uma homenagem a mim naquele show e fiquei super feliz, achava que iam tocar alguma música e talvez até dedicar, daí o Carl Logan pegou uma guitarra jogou na minha mão e disse “você entra na segunda música, Metal Daze, nos vemos no palco”, ai eu quase desmaiei (risos).

O trabalho como produtor e a infraestrutura no Brasil
Robertinho do Recife: O Brasil melhorou muito em termos técnicos sim, inclusive em capacitação de profissionais. Temos grandes engenheiros de som e de luz. Agora o nosso problema é sempre a moeda e o apoio financeiro para eventos com artistas nacionais, pois, concertos internacionais colocam um equipamento brutal de som e luz, então as produções nacionais comparadas saem perdendo no final.

O resgate da discografia
Robertinho do Recife: Meus discos foram todos LP's em vinil, exceto o Rapsódia Rock, que saiu na época em CD. As gravadoras que lançaram esses produtos todos não existem mais, nem mesmo os tapes de todo o material existem, além de não ser de boa qualidade no meu entender, portanto, não vejo chance de relançamento. Estou planejando regravar o Metalmania novamente com a nova banda, talvez até em DVD.

A nova realidade da música
Robertinho do Recife: Cada vez mais a música esta se tornando comercial e estritamente padronizada, desculpe dizer isso, mas até o pessoal do metal segue essa cartilha, não por mal, mas por ter que fazer um tipo de música para atender ao gosto, filosofia, religião e estilo de cada tribo que consome aquele tipo de som. Acho que a liberdade de criação e a diversidade são os maiores instrumentos de melhora de qualidade e isso não está rolando mais, está todo mundo soando igual.

Os grandes momentos da carreira
Robertinho do Recife: Tive muitos momentos marcantes com certeza, porém, considero que o melhor dia da minha vida é hoje e busco cada vez mais atingir o meu melhor sempre. Obrigado, aguardo a sua presença e o apoio de todos em nossos futuros shows pelo Brasil.

Abraço forte em todos!

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