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Entrevista LABIRINTO

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Gênero que vem crescendo de forma considerável no Brasil, o post rock/metal segue ganhando adeptos a cada ano que passa. Após consagrar nomes como o veterano Neurosis e os franceses do Alcest, a vertente que reúne em sua sonoridade elementos de doom metal, shoegaze e ambient tem no Brasil um representante que a cada novo trabalho balança as estruturas de uma cena cada vez mais globalizada, o Labirinto.

Formado por Erick Cruxen, Francisco Bueno e Luis Naressi nas guitarras e sintetizadores; Ricardo Pereira no contrabaixo; Muriel Curi na bateria e convidados na percussão e executando as partes de violino e violoncelo, o grupo lança em 2016 seu segundo álbum cheio, Gehenna, trabalho que será lançado com destaque dentro da nova edição do conceituado Overload Festival.

Produzido por Billy Anderson (Melvins, Neurosis, Fantômas e Swans), Gehenna é o passo definitivo de uma banda que hoje se coloca ao lado dos maiores nomes do gênero e consolida o brasileiro na cena internacional.

Repleto de texturas e um trabalho artístico impressionante, o Labirinto caminha a passos largos para ampliar sua relação de conquistas, que já inclui centenas de shows no exterior e o reconhecimento dos mais conceituados meios de comunicação.

Antes da aguardada apresentação no Overload Festival, que se realiza no próximo dia 4 de setembro em São Paulo ao lado de nomes como Katatonia e Alcest, conversamos com Erick Cruxen e Muriel Curi sobre Gehenna, o festival e diversos outros assuntos.

 

A participação no Overload Festival e o lançamento de Gehenna
Erick Cruxen: Pois é, os dois fatos são muito importantes para nós, e estão relacionados. O Gehenna é nosso segundo álbum cheio, e no qual colocamos muito carinho, trabalho e dedicação. O repertório do show será formado pelas músicas do disco novo. Estamos muito empolgados para tocá-las para o público do festival.

Muriel Curi: Sim! Estamos muitíssimo animados… em especial por termos sido convidados para o Overload em uma segunda vez… E por, também, podermos finalmente apresentar o álbum novo, como o Erick disse, o qual passamos os últimos meses lapidando. O repertório será somente com músicas do Gehenna, contudo não será o álbum inteiro, somente algumas músicas. Podemos adiantar que a maioria são músicas inéditas em palco…

O processo de composição de Gehenna e a atual cena post rock/metal atual
Erick Cruxen: O Labirinto já existe há mais de 10 anos; demoramos um certo tempo para conseguirmos o público que nos acompanha... Atualmente existe mais bandas e espaços destinados ao tipo de som que fazemos do que quando começamos. E com o tempo também conseguimos mais experiência e conhecimento para compormos, gravarmos e produzirmos nossos discos.

Muriel Curi: Algumas músicas não serão possíveis tocarmos nesse show por tratar-se de um festival, mas tocaremos nos próximos shows de lançamento em São Paulo e outras cidades.

A música como um trabalho multimídia e seu papel em Gehenna
Erick Cruxen: Certamente, procuramos não fazer apenas músicas. Tentamos relacioná-las como outras formas de expressão artística; literatura, cinema, artes visuais, desenho, ente outras. Para nós é sempre importante estabelecer essas relações e extrapolar nossas composições, já que as músicas são instrumentais e, muitas vezes, queremos passar mais informações que apenas a estética. Muitas bandas progressivas possuíam essa mentalidade, principalmente nos anos 60 e 70, e também, na “cena experimental”, mais recentemente.

O intercâmbio entre artistas e a atenção com o mercado nacional
Erick Cruxen: Creio que essas parcerias e intercâmbios sempre existiram, principalmente no meio do metal, hardcore, grind, ou seja, no underground; tudo girando ao redor do faça você mesmo. Talvez, agora, alguns selos, produtoras e festivais tenham reparado mais em algumas bandas nacionais, seja pela internet, ou pela qualidade das mesmas. Isso é muito bacana por possibilitar a diversos artistas conseguirem mostrar seus trabalhos para outros públicos em outros países que possuem maior tradição e infraestrutura para esse tipo de som.

O papel do disco físico na atualidade e das rádios
Erick Cruxen: As mídias físicas ainda continuam muito importantes paras as bandas do alternativo e são comercializas, em sua maioria, durante os shows. O público que curte e acompanha o Labirinto quer ter um vinil, um CD ou uma camiseta da gente. Além de gerar um recurso muito bom para a banda, se ela souber utilizá-lo, é um meio de divulgação formidável. A internet e os meios digitais são cruciais para a divulgação e a interação da banda com o público. Se tornou mais uma ferramenta rápida que ajuda a estreitar essa relação, mas que tem de ser potencializada durante os shows.

Muriel Curi: Sim, acreditamos que a internet é fundamental, mas também não pode ser deixado de lado o material físico. Existe uma nova geração que, em grande parte, não tem ideia de como se escuta música de outra maneira que não seja por plataformas digitais, mas há as pessoas (como nós), que são acostumadas com as mídias físicas; querem ter um CD, um vinil da banda que gosta… Acho que a respeito das rádios, hoje em dia, as rádios online são sim em parte responsáveis por ajudar a difundir os sons mais underground. As rádios de antigamente praticamente não abrem espaço para sons diferentes, não apresentam grandes novidades do mundo mais alternativo… Enfim, continuam como sempre foram, tirando raras exceções. E hoje com a ferramenta da internet, muita gente corre atrás, monta sua web radio, divulga para os amigos e seguidores das mídias sociais, e consegue ajudar a espalhar músicas que dificilmente teriam o “perfil” de uma radio comercial.

A nova onda de EPs e sua relação com o público
Erick Cruxen: Nós fazemos os EPs para poder registrar nossas músicas de uma forma mais rápida e direta, sem elas estarem envolvidas no conceito de um álbum cheio. Em todos os discos procuramos engendrar uma narrativa; no caso dos discos como o Anatema e o Gehenna (full) esse é um processo torna-se mais elaborado.

Muriel Curi: No caso do Labirinto sempre demoramos bastante tempo trabalhando nas músicas, pensando e tendo ideias para o conceito do álbum, tanto musical quanto visualmente. É algo que não conseguiríamos, de maneira alguma dar conta de fazer em pouco tempo. Daí entra o EP; é bacana termos a possibilidade de lançar um material novo com um cuidado bem parecido ao de um full album, contudo mais curto, que leva menos tempo para desenvolvermos. O retorno do EP também me parece estar bastante ligado à necessidade atual das bandas terem material novo com uma frequência maior. Não acho que seja uma questão de o público não estar escutando mais álbuns inteiros, mas ao contrário; de o ritmo rápido e imediato da internet pedir sempre uma novidade das bandas, algo novo que movimente as mídias sociais, que traga um material novo aos fãs, que hoje em dia podem entrar em contato direto com o artista, em muitas vezes, pela internet.

A sonoridade do Labirinto no exterior e a infraestrutura para shows
Erick Cruxen: Certamente há maior aceitação. Principalmente na Europa, mesmo que ainda seja no underground, o tipo de som que fazemos é muito mais valorizado. Existem mais produtores, festivais, casas de show, mídia, público e melhores infraestruturas para as bandas locais e estrangeiras. Algumas coisas melhoraram um pouco por aqui (como público e alguns festivais, como o Overload), mas ainda somos muito carentes no cotidiano. Para nós, o que existe de mais importante no Brasil ainda está ligado ao faça você mesmo.

A relação entre turbulência política e o mundo da música
Erick Cruxen: Estamos profundamente ligados à conjuntura política, econômica e cultural na qual estamos inseridos, e isso sempre afeta as bandas de alguma forma. Mas como já mencionei, sempre haverá artistas e bandas se mobilizando, sem contar com as beneficies do governo ou empresas; o faca você mesmo e o underground sempre serão uma fonte inesgotável de projetos interessantes. O problema é que sem um apoio ou de infraestrutura mínima, muitos desses músicos não conseguem manter ou gerir sua bandas a longo prazo. É um trabalho árduo e incessante.

O futuro do Labirinto
Erick Cruxen: Shows, mais alguns discos; ano que vem planejamos mais uma tour fora do Brasil e uma série de apresentações por aqui. Tentaremos divulgar o máximo possível as músicas do Gehenna, disco que colocamos muito carinho. Muito obrigado pelo espaço e pela entrevista!

A música passa por aqui.

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