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Entrevista RAPHA MORAES & THE MENTES

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Músico experiente, Rapha Moraes não é um simplesmente aventureiro no mundo da música. Ex-integrante do Poléxia, onde atuava como baixista, também passou pela banda Nuvens antes de embarcar em uma prolífica carreira solo que trouxe em 2016 o trabalho que parece ser seu verdadeiro divisor de águas, Corações de Cavalo.

Vivendo uma nova realidade para sua carreira e apresentando um trabalho rico em melodias e com uma estética ousada, o músico paranaense mostra que a música nacional vai mais do que bem e quer aproveitar o momento.

Diante desse cenário, o Passagem de Som conversou com Rapha sobre essa nova fase na carreira, os caminhos que o conduziram até Corações de Cavalo, além de diversos outros assuntos.

Os caminhos até Corações de Cavalo e o divisor de águas na carreira
Rapha Moraes: Eu acredito que Corações de Cavalo seja uma junção de várias coisas. Realmente tenho a experiência de ter gravado outros discos com bandas diferentes, depois o La Buena Onda, que foi meu primeiro trabalho solo, mas acho que o Corações de Cavalo é a junção de toda experiência de vários álbuns, mas também a proposta de como fazer um disco diferente.

Desde o início do processo até o ato de se gravar o álbum tudo foi diferente, então fomos para uma chácara e só a bateria acabou sendo feita em estúdio, todo resto foi de forma caseira com meu próprio equipamento. Eu mesmo acabei fazendo a captação do restante. Foi o acúmulo da experiência de todos os discos que lancei e dos produtores, da galera de estúdio e músicos que já trabalhei. Essa proposta de liberdade que nos permitimos no coração fez o disco rolar como rolou. Não haviam regras, era exatamente o que queríamos fazer e na hora em que queríamos. Inclusive não fazer era algo que tínhamos como opção porque havia tempo e isso tudo foi bem legal.

A identidade musical de Corações de Cavalo
Rapha Moraes:  Acredito que Corações de Cavalo seja o meu disco mais intimista e mais passional também. O processo de produção mexeu bastante nisso porque acabamos saindo de todas as influências externas. Um dos grandes desafios da vida para qualquer pessoa é conseguir ter a maturidade e autoconfiança de ouvir o que o mundo tem pra dizer e você saber fazer o quer do jeito que deseja. Estávamos em um processo bastante do intenso, fizemos a pré-produção e a gravação do disco de um jeito muito nosso e isso fez muito a diferença para nós, acabou dando uma liberdade incrível na criação.

A concepção visual do disco e sua divulgação
Rapha Moraes: Participei de todos os processo de concepção gráfica do disco e foi tão longo e intenso quanto o musical. Eu descobri  um cara muito bom, o Fábio Biondo, e ficamos nos falando um ano e meio em paralelo enquanto ele mergulhava totalmente no nosso trabalho. Isso é raro de acontecer e ele acabou entrando de vez nisso. Nós tivemos umas dez capas antes dessa e pesquisamos e conversamos em reuniões muitas vezes até chegar nesse resultado. No processo inteiro eu posso dizer que esse é um disco muito artesanal, fizemos ele como um artesão faz a sua arte na rua. Sem tempo, sem pressa, sem pensar em reprodução de massa ou sucesso mercadológico. O foco todo era na produção da arte e a parte gráfica só se deu por isso. É uma capa cheia de detalhes e só aconteceu pelo mergulho do Fábio em nosso mundo.

Acho que dentro de um mundo que não é o da música independente você tem empresas que cuidam de tudo no processo de divulgação em várias plataformas. No meu caso sou eu quem coordeno tudo e conto com alguns parceiros em alguns momentos. O Fábio é um grande artista e trocamos muitas ideias. Ele me ajudou muito e acabou transformando tudo em um processo natural. Nós não pensamos em ter que usar tudo, mas no conteúdo, na essência da arte visual e a partir disso transformá-la em um encarte, uma imagem de Facebook, um avatar... agora temos ideias e projeções para o show... tudo vai se desenrolando durante o processo, caso desse disco.

Corações de Cavalo no palco
Rapha Moraes:  Nós voltamos de São Paulo onde fizemos um show com todas as músicas do disco e no show colocamos algumas coisas a mais, caso da faixa Rei Lagarto e Senhor do Sexo Senhor do Mundo. Não devemos ter medo de levar o material novo para o palco. Corações de Cavalo é um disco que foi feito para que as pessoas se sintonizem com ele, quem se sentir agredido com isso é algo também interessante porque existe uma urgência na arte em chegar até as pessoas.

Há um caráter emergencial em fazer as coisas acontecerem e toda essa relação com sucesso, mas a arte em si, na minha opinião, quando ela se esparsa, perde força, então não é um caminho que vou seguir. Ao vivo o novo álbum está ainda mais visceral que o disco e estou muito feliz e empolgado com o show. Tem gente que se assusta, tem gente que entende no meio, tem gente que pega no início, é um processo longo, mas é ótimo ver a reação das pessoas.

O videoclipe pós-MTV
Rapha Moraes:  Falando do fim da MTV... é uma grande pena. No auge dela muita coisa da música nacional rolava, nós perdemos muito com o fim desse formato. Lembro de quanto eu estava na faculdade e no colégio, mesmo que não fosse músico eu a assistia todos os dias e tinha um contato com a música de uma forma muito mais profundo do que hoje.

Estamos em um momento novo na música porque as pessoas querem cada vez menos informação e ter tudo mastigado. Isso acarreta um lado bem triste para a arte. Temos que nos adaptar de alguma maneira, mas mesmo nos adaptando temos que conseguir nos posicionar porque não dá para negar o poder das grandes mídias. Um programa como o Superstar, independente do julgamento, tem uma visualização muito grande para as bandas que estão lá. Claro que não é isso que define a carreira de um artista, mas as grandes mídias ainda são fundamentais, ainda que não seja do jeito que estávamos acostumados no passado, com conteúdo. Antigamente havia um vínculo com os artistas, caso da MTV.

Minha relação com os videoclipes acontece porque sou apaixonado por cinema, é praticamente a minha segunda arte. Eu já estudei um pouco, trabalhei na área e gosto muito. Acaba sendo uma maneira de dar nova vida para uma música. O clipe é um novo diálogo e isso me empolga e dá vontade de fazer. Se eu tiver condições quero sim fazer um vídeo por música, mas cada vez mais temos que entender as pessoas para fazer as coisas chegarem até elas e o momento é bastante nebuloso.

Tudo mudou muito e as coisas perderam o peso, na mídia impressa isso também acontece, agora tudo acaba sendo específico demais e existe uma competição grande também. Por outro lado o Facebook tem um excesso de informação e é por isso que o show é algo que gosto muito, ali está o que realmente interessa, a música.

A música em outras plataformas e formatos
Rapha Moraes: Em princípio eu acho muito bacana ver a minha música em outras plataformas e formatos. Seria incrível ver uma música do disco em um filme, que de alguma forma possa dialogar com algo. Isso vale para qualquer caminho. Um remix mesmo, qual seria o formato, a ideia? Qual seria o filme onde tudo vai encaixar? De qualquer forma acho tudo isso incrível e ‘por que não?’

A música foi feita para se espalhar, se não fosse para isso eu a guardaria e nunca divulgaria, dessa forma vejo isso como algo emocionante dependendo dos contextos onde ela está.

O impacto da política na cultura/entretenimento
Rapha Moraes: Sinceramente não sei dizer qual é esse impacto econômico porque estou lançando o disco, mas é algo que vou descobrir com o passar do tempo a partir de agora.

Sobre a relação da música com a política o que posso dizer é que o Brasil ainda é um país muito imaturo e nós estamos em um momento onde as pessoas querem cuspir para fora tudo o que elas pensam, mas nem sempre o que elas pensam mostra maturidade. Nós estamos vendo muita violência, ignorância e um vazio que faz parte do momento, mas daqui um tempo talvez possamos ver as pessoas discutindo esse assunto de uma forma mais profunda, porém acho que isso faz parte e é interessante também. O triste é ver que no fim estamos sendo manipulados de um lado ou por outro. Tenho esperança que pessoas com sangue novo e pensamentos inovadores possam nascer e daqui alguns anos mudar isso e não essa política que nos faz descrentes de tudo.

O fim das cenas e os novos movimentos
Rapha Moraes: Ainda é difícil dizer, mas tudo isso é muito subjetivo porque podem estar rolando várias coisas que não estamos sabendo e acho que as cenas desse jeito romântico estão conectadas com pessoas de verdade se encontrando de verdade. E isso tem a ver com a internet conectando as pessoas.

Talvez isso diminua ciclos de amigos e cenas musicais, mas talvez seja algo bom futuramente porque a troca de informações seja de uma forma nova. É um assunto bem complexo porque é difícil dar uma resposta precisa, mas não é como era antes. É mais uma daquelas projeções que estamos tentando entender.

Cenas são importantíssimas, se trata de pessoas se ajudando a fazer as coisas. Tanto os músicos como a imprensa, os bares, as rádios... os movimentos são fundamentais.

A arte em si é também bastante individual. Você vê a cena Manguebeat no Recife e não encontra ninguém igual Chico Science, você tem elementos em comum, mas nunca igual, não é a mesma sonoridade o que era Chico e a Nação hoje. A individualidade do artista vai ser sempre preservada e é isso que faz as cenas acontecerem.

Hoje tenho a oportunidade de trocar ideia sobre sons com pessoas que não tinha antes. Não é olho no olho, mas é real. Isso abre vários caminhos. Tive contato com um rapaz na Argentina sobre os processos de gravação, com amigos... é um feedback muito importante.

Rapha Moraes daqui pra frente
Rapha Moraes: O foco agora é o Corações de Cavalo. Estamos apenas começando e ele acabou de ir para o mundo. Tem bastante coisa pra fazer e o que mais desejo com esse disco é fazer vários shows. Das experiências que tivemos até o momento a energia entre nós e o público está incrível! Quero fazer ele chegar em outros Corações de Cavalo por aí e ir se esbarrando enquanto o disco ganha cada vez mais vida. Como artista sempre vamos ser inquietos e tenho novas ideias, mas isso é um passo lá para a frente ainda.

A música passa por aqui.

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