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Entrevista TUATHA DE DANANN

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Se você não teve a chance de acompanhar a cena de heavy metal nos últimos anos e não conhece o Tuatha De Danann, pode ter certeza que está deixando de lado um dos grupos mais inventivos e e dono de um dos shows mais interessantes da cena nacional. Legítimo representante do folk metal, o Tuatha De Dannan construiu sua história baseado nos ritmos e letras inspiradas na mitologia céltica.

Dono de uma discografia de quatro álbuns, o último deles Dawn of a New Sun, lançado em 2015 após um hiato do grupo, o Tuatha coleciona participações em alguns dos maiores festivais do planeta, caso do Wacken Open Air, na Alemanha, e turnês pela Europa. Seu primeiro disco, Tingaralatingadum, lançado em 2001, reflete um dos momentos mais empolgantes da cena nacional e até hoje é bastante celebrado entre os fãs, que ao longo dos últimos anos foram se renovando e tem garantido ótimas apresentações em sua nova turnê.

O Passagem de Som conversou com Bruno Maia, vocalista, flautista e guitarrista do grupo formado em 2001 sobre o atual momento do Tuatha De Danann, as expectativas com a participação no Epic Metal Fest ao lado dos holandeses do Epica e vários outros nomes da cena mundial, além de outros assuntos.

A participação no Epic Metal Fest
Bruno Maia: É uma grande honra participar de um festival tão legal como esse. Tocamos num horário nobre e acho que será animal, esperamos agradar quem já nos acompanha e quem sabe conquistar um novo pessoal. No line up estão bandas muito legais, mas a nossa preferida entre todas é o Paradise Lost.

A força do metal sinfônico na atualidade
Bruno Maia: A força do metal sinfônico não surpreende não, pois é um estilo classudo, feito com sofisticação, muitos elementos sinfônicos e essa coisa da “Bela e a Fera” cola demais, né? Eu gostei muito do Therion quando lançaram o Theli, aquilo me nocauteou, daí eu entendo como esse estilo pode encantar tanta gente.

Dawn of a New Sun e o retorno da banda
Bruno Maia: Um dos maiores motivos que nos levaram a voltar com a banda foi ver como ainda existia muito carinho e admiração pelo nosso trabalho. Víamos isso quando participávamos do Roça n Roll nos anos em que a banda parou e também pelas redes sociais lendo comentários, vendo vídeos de bandas fazendo covers nossos, a galera fazendo tatuagens com motivos e letras da banda e mesmo em shows de nossos outros projetos.

De uma forma estranha mas positiva, uma nova geração passou a curtir a banda, gente bem nova, que perguntava dos antigos discos, pediam shows de retorno e tudo mais. Isso se somou a nossa história com essa banda, que retoma nossa pré- adolescência, uma velha  amizade e uma chance de não deixar o sonho acabar. Daí quando realmente voltamos fazendo shows em outras cidades e pudemos conferir este carinho ao vivo não deu outra: gravamos o disco, o Dawn of a New Sun, ficamos super satisfeitos com ele e também satisfizemos o público e a mídia especializada.

Quando gravamos o Tingaralatingadun éramos muito jovens ainda, eu tinha 20 anos e a banda já existia há 6 (tínhamos lançado 2 demos e 1 CD/EP). Nós ficamos um mês em SP pra fazer o disco-  foi o suprassumo, saca? Uns moleques do interior de Minas ficando um mês em SP pra gravar um disco num estúdio profissional financiado por uma gravadora. Era o sonho se tornando realidade!!! Nós já tínhamos um nome legal na cena metal, no underground, mas sabíamos que o material que tínhamos nesse disco era diferente de tudo que tinha por aqui, sabíamos que iria rolar um estranhamento, pois esse disco foi o turning point da banda – só não esperávamos que o estranhamento seria positivo como foi. Depois desse disco só crescemos. Hoje em dia acho que não é só o Heavy Metal que atravessa um período turbulento, mas a música em si, a forma de fazer, de vender e de consumir música. Ainda precisamos entender isso melhor.

A identidade musical, a elevada técnica da banda e a falta de renovação no gênero
Bruno Maia: Muito obrigado pela pergunta que já vem vestido de elogio. Legal que vê assim, ficamos lisonjeados. Mas eu não concordo tanto com isso sabe? Claro que existem bandas que calçam sua música na habilidade técnica, na virtuose e na complexidade rítmica e harmônica. E eu gosto muito de várias bandas que usam desses expedientes desafiadores em sua música. Mas acredito que o que possa mais valer na arte é a tal da alma, a aura ou sei lá como alguém pode chamar isso. Acaba sendo este o grande diferenciador na arte, pois técnicos existem vários. Se procurarmos, encontraremos diversas bandas com guitarristas excelentes, ótimos baixistas e bateristas e nenhuma música dessa galera te comoverá. Quanto a não renovação do Folk Metal é uma meia verdade isso, até porque a música folclórica costuma ser bem limitada, é um lance mais modal e no metal há muito conservadorismo também, não costuma-se ousar muito. Porém existem bandas que fogem das antigas fórmulas e conseguem trazer temperos novos a esse estilo. O Skyclad era uma banda que fazia umas músicas bem doidas.

A relação do Tuatha com a tecnologia
Bruno Maia: Realmente nós fazemos o máximo pra reproduzir o que está gravado  ao vivo, não usamos playbacks em show (acredite, há muito disso, mesmo no Metal) e mandamos ver. Tentamos manter a coisa mais natural no disco, desde o som da bateria, que não é aquela coisa supersônica e fake, até o som final que não precisa ser SUPER ULTRA MEGA comprimido e alto.

O crescimento qualitativo do calendário brasileiro e o trabalho autoral
Bruno Maia: Espero que só cresça essa tendência, pois os pequenos festivais têm tido pouco público e estão deixando de acontecer, salvo raras exceções. Parece que hoje valoriza-se mais quem copia e o autoral vem perdendo espaço, então acho que estes novos festivais e realizações que tem a produção autoral como frente de trabalho são de suma importância e espero que venham muitos com muitas edições.

A direção de arte da banda e sua relação com a música
Bruno Maia: Realmente toda estética em torno da banda é muito bem acabada. Mas ela acaba sempre surgindo independente do trabalho em questão saca? O máximo que fazemos é conversar com os artistas, explicar o que queremos e esperamos do projeto e os caras sapecam.

Um momento inesquecível
Bruno Maia: Falando por mim, acho que ter participado do Wacken Open Air foi muito legal, foi um dos picos de nossa história. Ter um show nosso sold out em Paris foi demais também e sem demagogia, quando estamos no show e o público canta junto com a gente nossas músicas é algo que não tem preço.

Futuro
Bruno Maia: Temos muitos shows este fim de ano, espero que o pessoal compareça e se divirta. Ano que vem tem barulho novo. Valeu pela entrevista e nos vemos por aí.

A música passa por aqui.

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