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Entrevista PEDRO PASTORIZ

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Você conheceu ele pelo Mustache e Os Apaches, banda que chamou a atenção do público por ter um pé no Tennessee, mas fazer um som que exalava brasilidade. Agora em seu primeiro trabalho solo e mostra que acima de rótulos e influências ele quer contar histórias. Esse é Pedro Pastoriz, músico que lançou recentemente seu primeiro projeto particular, Projeções.

Desligando a "chavinha" do folk e do bluegrass, Pedro faz de seu primeiro álbum solo algo tão íntimo quanto indecifrável na parte sonora. São elementos que fazem cama para suas histórias bebendo do rock, pop, new wave, blues...  enfim, servindo de fundo com autonomia para composições inspiradas em um mundo que o cerca, em específico a cidade de São Paulo. Em um disco que acima de tudo prima pela diversão, o vocalista conta de tudo e das mais variadas formas.

Pronto para iniciar a turnê do disco, Pedro encontrou tempo para falar com o Passagem de Som sobre seu atual momento e diversos outros assuntos em uma ótima entrevista.

A produção de Projeções e a diferença em relação ao trabalho com a banda
Pedro Pastoriz: Foi uma nova experiência em absolutamente tudo. Muda-se a direção de arte e são outras pessoas trabalhando, ainda eu já as conhecesse. A gente tentou fazer tudo como se estivesse em casa, estávamos bem familiarizados no estúdio, que foi o lugar onde gravei o último com os Apaches, então estava me sentindo em casa. Os caras que gravaram comigo já participavam de outros projetos e gravavam nesse mesmo lugar, então na verdade todos estavam bem à vontade.

Gravar um disco solo muda tudo, sempre é bem diferente, mas eram músicos que estavam super interessados, que mandavam bem nos arranjos e que fizeram com que o disco fosse gravado em seis dias. Nesse período nos apelidamos como “a “banda do futevôlei” porque não nos colocamos prazos e pressão, foi uma coisa tranquila de se fazer.

A identidade do trabalho solo
Pedro Pastoriz: Sou músico desde os 15 anos e a primeira vez que subi em um palco foi com uma banda que era meio punk, mas todas as músicas eram minhas. Eu adoro juntar bandas. Do tipo olhar aquele músico e pensar “uau, isso vai dar algo bacana”. Quando montei esse line up e esse repertório eu não pensei muito no que as pessoas queriam ouvir, sempre achei que a melhor música que você pode fazer é a música que você quer escutar.

Tudo aconteceu naturalmente e existe muita gente que está conhecendo esse trampo e não conhece o que já fiz com Os Apaches, então parte desse pessoal, que não ouve muito jazz ou blues acaba encontrando nesse álbum, que é outra vibe. Nos últimos anos também ouvi muito reggae dos anos 80 e 90 e já poderia ter produzido esse disco, mas é isso, temos que tentar se aventurar um pouco, ficar ali no jogo ganho não é para mim (risos).

Rótulos musicais e sua relação com o público
Pedro Pastoriz: Acho que é natural essa coisa de rótulos, mas é algo que você não pensa quando está compondo um disco. Não dá pra existir uma má vontade do músico em relação a isso, mas algumas coisas estão ficando meio calejadas. Quando tu fala que é rock ou pop, o cara que não gosta de rock não vai ouvir. Você fecha para alguns estilos. É como se eu mostrasse agora para você uma música e dissesse “é uma música sertaneja”, naturalmente haveria uma reação. Entendo isso absolutamente, mas é simplesmente uma prateleira para quem gosta de música, a não ser que a gente trabalhasse como fazíamos com os Apaches na rua, “ah, isso é blues” ou “ah, isso é dixieland”.

O que eu mais gosto de fazer com música é contar histórias. Por mais que as letras fiquem um pouco na estrutura de início, meio e fim, podemos reverter essa estética assim como um final de um filme não é o final de uma história, nós temos a chance de contar histórias e esse disco é bastante sobre isso.

São letras sobre o centro de São Paulo ou sobre algo surreal como uma das faixas em que conto a história de uma pantera que vem te seguindo e te traz revelações. Essa faixa fiz logo após assistir ao filme The Lobster do diretor Yorgos Lanthimos e gostei muito de como ele conta a história. No mundo real, mas de um jeito surreal.

Dá pra ver em nosso trabalho que a cada um da banda tem um protagonismo que não tem aquela coisa progressiva. É uma base atrás e uma história na frente.

Projeções no palco e a sua conciliação com outros trabalhos
Pedro Pastoriz: Confesso que só não tenho mais bandas e mais projetos malucos porque no fim das contas eu acabo fazendo outras funções na minha vida profissional. Faço produção, logística etc, e isso toma bastante do tempo, senão com certeza lançaria quatro ou cinco discos por ano.

Tudo sobre a turnê depende bastante da demanda e a demanda está vindo. Já temos alguns outros estados que vou conseguir fazer o show desse disco esse ano ainda e estou empolgadaço com a situação. Sempre existe essa coisa do primeiro show da turnê e é um show que vai ocorrer no Teatro Sérgio Cardoso nessa terça (01/novembro) e é algo que vai se desenhando, se montando. Logo mais teremos projeções inclusive, mas já é um espetáculo que tem uma preocupação estética muito grande e cuidado com as composições. Estou muito ansioso por trabalhar nisso.

As cenas hoje
Pedro Pastoriz: As cenas hoje são muito fragmentadas. Vejo por meus amigos próximos que ninguém faz o mesmo som e isso tem a ver com muitos fatores, entre eles o acesso à informação. Me lembro de uns dez, quinze anos atrás e as bandas de uma cidade faziam basicamente o mesmo som, davam aquela pequena mudada e ok. Cada um levava pro seu lado, mas havia algo em comum, tinha-se essa noção de unidade como “a música de Goiânia”, “a música de Porto Alegre”, “a música de São Paulo”. Os músicos estavam ali e você se enturmava com eles.

Já hoje existe uma liberdade incrível de estética. Você consegue comprar algo no eBay e ele vai chegar, um sinth maluco ou algo assim, então você pode ousar na sua ideia. Uma banda que não tem nada a ver com meu som, mas eu acho incrível e é um som diferente, é o Anvil FX, que é música eletrônica. É uma baita de uma banda incrível e em coisa de 30 anos atrás nós nem andaríamos no mesmo bairro e hoje estamos todos juntos. Isso é muito legal porque faz as pessoas abrirem a cabeça, ouvirem coisas novas. Meu som não tem nesse disco nada a ver com o folk, não tem nada com violão e muito pouco de psicodélico, estamos falando de uma contação de histórias mesmo.

O papel de uma gravadora hoje
Pedro Pastoriz: As coisas estão cada vez mais abertas atualmente. Eu não tenho gravadora, tenho um selo, o Risco, que tem um catálogo enxuto e bandas razoavelmente parecidas etc, mas as gravadoras são uma outra realidade. Estamos falando de cada acordo isoladamente, cada projeto é uma nova história. Então existem caras que tem total liberdade artística e a gravadora sempre vai comprar a ideia dele. Por outro lado existem caras novos que a gravadora quer que ele produza um som específico porque acredita que isso é uma demanda. São maneiras diferentes de se pensar e não tenho nada contra tudo isso, não é algo que me faz perder o sono. Nós temos que ir gravando e ver o que acontece.

A relação da política com a arte
Pedro Pastoriz: É só abrirmos os olhos, a política está absolutamente em todas as coisas. Não só a política partidária, mas aquela entre nós. Essa relação entre política e arte influencia sim, mas eu fiquei tentado a fazer um caminho que ninguém me contou e que achei mais interessante, que é não se envolver em questões partidárias. Eu tenho muito bem resolvida a minha ideologia, mas não me envolvo em questões dessa forma. Me envolvo com meu bairro, minha rua e na minha cidade. E isso faz muita falta...

A questão política é super importante, mas as pessoas ainda vivem essa ideia partidária. Vamos para a rua, nossa rua. Vamos torná-la algo que não é só de passagem. Vamos conversar e cuidar dela. Isso é a coisa mais simples do mundo. Se você colocar sua cadeira na porta de casa tu vai notar que existe um muro sem pintar, que a janela do vizinho está quebrada e ele não deve ter grana pra arrumar, então o senso de comunidade é o meu negócio.

Pensar “fulano é a favor do aborto e fulano é contra”, mas será que ambos não podem se unir para pintar um muro na rua? Parece um pouco sonhador, mas isso é super básico. Essa grandes discussões partidárias acabam dividindo as pessoas. Todas elas querem a mesma coisa, de repente melhorar o seu bairro, mas não se  identificam por questões maiores. O disco tem muito disso, sobre o centro de São Paulo, aquela coisa caótica e de vários imigrantes que chegaram há coisa de dez anos e só querem conquistar seu espaço. O início da política devia ser esse, cuidar do seu bairro, da sua rua. A votação do Senado é importante? Com certeza, mas acho que isso não deve ser sua prioridade.

Essa ficha me caiu há pouco tempo, quando rolou aquela questão do Uber, que veio e todo mundo achou a verdadeira salvação do transporte público e o táxi não valia mais nada. Mas temos que pensar que o Uber, o Sr. Uber, é um cara que está sendo em Palo Alto, na Califórnia, e os caras que detém os táxis tem a máfia das placas, que é um problema também muito maior. Então fica um cara que está trabalhando 16h em um Uber contra o cara que está trabalhando 14h em um táxi. Operário com operário brigando e o dono de tudo isso lá lucrando. Está tudo errado.

A música passa por aqui.

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