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Entrevista TÁSSIA REIS

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Seu nome é Tássia Reis. Ela tem 27 anos faz do hip hop sua arma contra e à favor do mundo.  Verdadeira usina criativa de convicções, Tássia carrega em seu discurso versos tão feministas quanto libertários (nas mais diversas vertentes, da intolerância à opressão emocional), tudo isso em canções sublimes, embaladas por sua doce voz em gêneros abertos que vão do rap ao jazz.

Nome expressivo de uma cena que - mais do que nunca - se faz necessária, Tássia Reis lança agora seu segundo álbum, o ótimo Outra Esfera, um disco que carrega, além de diversos elementos musicais que o engrandecem, palavras que tem endereço bem definido. Influenciada por artistas que vão de Clara Nunes a influentes nomes do rap como Sabotage, RZO e Expressão Ativa, a rapper faz de seu segundo álbum um verdadeiro soco no estômago do preconceito e da intolerância.

Pronta para cantar - e se necessário gritar - suas músicas, Tássia conversou com o Passagem de Som em uma entrevista que só reforça o talento e consciência de uma artista que, definitivamente, merece toda a atenção. Não se trata somente de rap, mas de algo muito maior.

 

O atual momento e sua influência em Outra Esfera
Tássia Reis: O meu primeiro trabalho vem de uma somatória de composições que desde 2009 até o fim de 2013, era uma coisa de descoberta como compositora. De 2013 até hoje eu tenho entendido várias outras coisas que não havia pensado na minha vida como equilíbrio e minha posição política como feminista negra. Fica muito evidente no disco novo isso tudo.

O primeiro trabalho tem isso presente. Não me transformei em uma feminista agora, eu já tinha comigo a importância política disso, então foi um processo natural. A partir desse meu posicionamento em relação ao movimento negro e ao movimento feminista eu refleti para minha construção musical. Acredito  que tudo aconteceu de algo natural e ao seu tempo no disco. Falo do meu próprio medo em relação à vida, à minha música eao que a sociedade impõe e imprimi isso nas faixas. Acho que o disco Outra Esfera vem com outros questionamentos e começo a pontuar melhor tudo isso.

O que acaba sendo diferente do primeiro álbum é que eu acabei sendo mais incisiva naquilo que falo, na forma que eu canto. Se eu cantasse o que falo nesse disco de uma forma doce tudo soaria diferente, mas da forma como fizemos é como um grito de quem está cansada e oprimida. Um grito que vem com força de quem realmente está indignada e isso faz toda a diferença.

A quantidade de faixas e a volta do EP
Tássia Reis: Quando lancei o Outro Esfera nós não pensamos em lançar sete faixas. Por facilidade ou pelo rápido consumo. Nós queríamos lançar a quantidade de faixas que conversassem entre elas. Acho que a questão do EP, como rolou no primeiro trabalho que realizei, é também porque queríamos experimentar, ter um single. Tínhamos o objetivo de colocar um álbum na rua e uma produção de um disco demandaria mais tempo e experiência, então decidimos lançar um EP. E embora tenhamos no Outra Esfera a mesma quantidade de faixas, nós chamamos de disco porque ele tem uma unidade. Não acho que é a quantidade de faixas que determina o que é um álbum ou não.

Acredito que esse trabalho vem com um peso maior justamente por causa do diálogo que ele propõe.

Outra Esfera no palco
Tássia Reis: Está sendo uma grata surpresa tudo isso. Como nós só tínhamos a referência do material que lançamos em 2014, com várias faixas de uma vez só, nós achamos bacana, mas hoje está sendo muito mais bacana do que esperávamos. Lançamos o disco em um dia e no dia seguinte nós tínhamos gente cantando. E no outro dia algumas pessoas cantando o disco inteiro. Nós mesmos nos assustamos com isso, a internet facilita muito isso e as pessoas consomem e se identificam de forma instantânea. Lançamos aqui e em qualquer lugar do mundo isso pode acontecer.

O hip hop como influência para outras vertentes
Tássia Reis: Eu vi uma pesquisa há algum tempo sobre as vertentes musicais e o rap é considerado o gênero mais ouvido no mundo. É algo muito louco. Na verdade aqui no Brasil as pessoas nem consideram como um gênero musical, mas ele está presente em tudo. Nos comerciais, nos filmes, na história do país e da música. Não dá para ignorar isso.

É meio delicado esse lance da mistura de gêneros musicais. Eu gosto de misturar, mas o rap é minha base, minha realidade. É uma característica que eu acabei adquirindo de acordo com minhas influências, mas é um pouco desonesto dizer que o rap funcionar melhor com outras coisas porque descaracteriza de onde ele vem. Talvez estejamos criando algo novo, seja o rap com o jazz, com o soul... acho que como efeito tudo é muito bacana, o Robert Glasper é um gênio, realmente incrível, só que ele é do Brooklin e o Brooklin é rap puro. Ele é fruto dessa mistura. Por que não? Ele é novo e está fervilhando agora. Essa é a realidade dele e quando isso acontece é muito bacana.

Revolução Feminista
Tássia Reis: Nós estamos há alguns séculos clamando por voz, então todas as manifestações, seja do punk feminista ou das trabalhadoras do movimento negro... tudo isso tem sua importância. Os momentos políticos afloram as discussões.

No final dos anos 80 e dos 90 nós estávamos vivendo uma revolução de automação e várias outras coisas, das mulheres no trabalho e tudo mais, e hoje não é diferente, estamos vivendo essa revolução feminista em busca de nossos direitos, buscando manter aqueles que foram conquistados e buscando outros que não foram alcançados. Isso reflete em tudo. No rap, na moda, no rock, na política... a primeira presidente mulher que tiremos foi retirada do cargo... isso é uma realidade, os reflexos políticos influenciam imediatamente a arte e os movimentos culturais.

A tecnologia e o rap
Tássia Reis: Na verdade acho que o rap é fruto da tecnologia. O boom das produções de rap no Brasil aconteceram porque alguém aprendeu a fazer atalhos no Fruit Loops (N.E.: programa de edição de áudio) e começou a ensinar outras pessoas. Com isso a gente conseguiu avançar a ponto de criar as nossas próprias bases e parar de usar as bases americanas.

Agora os samples, em especial a música brasileira... posso dizer que temos uma das melhores fábricas do mundo. Existem muitos gringos que usam samples brasileiros!

No meu Rap Jazz meu produtor não quis me contar qual foi o sample que utilizamos. Ele ficou tão orgânico que parece realmente que foi tocado no piano. Em Outra Esfera foi a primeira vez que nós realmente tocamos o instrumento, no meu primeiro EP, Tássia Reis, tudo foi eletrônico, com exceção de uma única faixa. Já esse trabalho foi bem pautado em construir uma melodia, sempre cruzando com o eletrônico. É uma realidade nossa. Ficamos entre o orgânico e o eletrônico são complementares.

Como teriam sido as influências de Tássia Reis nos tempos atuais?
Tássia Reis: É uma questão difícil, acho que eles foram importantes no momento em que vieram porque o rap também viveu um momento de pensamento em que acreditávamos que não podia ser divulgado, estar nas grandes mídias. Os Racionais foram um fenômeno, mas eles não estavam na TV. No máximo iam na MTV e olhe lá... mas ao mesmo tempo eles estavam em todas as quebradas. Conforme o tempo foi passando outros grupos foram chegando nas quebradas, eles não tinham, por exemplo, a divulgação que o Criolo tem hoje, que é ótimo! Mas por outro lado se eles tivessem tido tudo isso, quem teria vindo antes pra fazer esse papel? Eles fizeram com que a gente se inspirasse e tivesse isso como uma bagagem que precisa ser dado valor. A internet está mudando tudo rapidamente, o que levava antigamente anos hoje leva meses para mudar.

Futuro
Tássia Reis: Estamos planejando várias coisas novas e inovadoras. Estamos projetando videoclipes, o show... e estão chegando vários convites para embarcarmos em turnê e de repente, em 2017, até mesmo pelo exterior.

A música passa por aqui.

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