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Entrevista SAMUCA E A SELVA

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Eles são dez, mas poderiam ser 200 milhões. Poderiam ser todos nós, o Brasil. Um Brasil musical que se condensa dentro do álbum de estreia de Samuca e a Selva, Madurar.

Superbanda composta por dez integrantes, entre eles um quarteto de metais, o grupo ainda conta com percussionista, baterista, tecladista, baixo, guitarra e, claro, Samuca nos vocais. Em seu disco de estreia, que pode ser dividido em três pilares, o que se vê são canções que tem temática passional e narram dilemas sentimentais, de propostas filosóficas e, costurando os dois universos, do clima de baile que pede a entrega do ouvinte.

Inspirado pela liberdade e pelo país que habita, Samuca é MPB, é rock, é pop, é frevo... é simplesmente boa música. E nesse mar de influências conversamos com esse artista que, experiente, deu vida a um dos projetos mais interessantes de 2016.

A experiência com o Chinela de Palha até o lançamento de Madurar
Samuca: Os (12) anos correndo com a Chinela constituíram o que eu sou enquanto artista até aqui. Daqui pra frente vêm, todos os dias, uma série de outros aprendizados. Madurar é muito mais assumir que estamos buscando esse processo do que que chegamos em algum lugar, sabe?! É um primeiro resultado, um primeiro fruto desse grande encontro de pessoas que é a Selva. Paralelo à música eu tive outras experiências: fiz teatro no meio desse caminho, o que também contribuiu demais pra expansão do meu pensamento e permissão pros meus sentimentos, que é chave pra minha música. Por isso que é acessível. Porque as pessoas também sentem e se identificam com isso, com as histórias. Acho que o fato de eu não ser um cantor cheio de firulas na voz também faz com que a coisa se aproxime mais das pessoas. Há um jeito familiar de contar a coisa. Mas mais do que tudo isso, eu vejo que fundamentalmente a obra se dá pela nossa união. É o que eu gostaria de ressaltar.  A obra é dos caras também. Tanto quanto é minha. É nossa, mesmo. Eles trouxeram uma qualidade e um entendimento absurdo do que eu já tinha, melhoraram tudo e houveram também as que compusemos juntos, que foi um tesão todo o processo. A gente queria fazer essa bagunça mesmo. Canção popular, acessível, mas com riqueza de poesia e arranjos elegantes, originais, bem pensados vindos de um caldeirão de influências de um bando de caras na casa dos 30, querendo produzir um trabalho honesto.

A miscelânea de ritmos de Madurar
Samuca: O Madurar é um primeiro compilado de algumas canções que já existiam e foram sendo trabalhadas, primeiro em suas individualidades e depois por uma ótica coletiva; e outras que foram chegando após a nossa união, que foi quando começamos a construir a narrativa do disco. As 12 faixas vieram naturalmente. São reflexo de 1 ano de estrada e de encontros sonoros toda santa quarta-feira e alguns finais de semana tocando aquelas músicas e entendendo a organicidade, as necessidades de cada uma delas. O Madurar é aquilo ali mesmo. Fizemos o que nos propusemos a fazer. Ele se fechou ali e diante da sua diversidade, tem também sua coerência. Mas é claro que tem muita coisa que a gente ainda quer brincar, experimentar nos trabalhos que estão por vir. A essência da Selva é muito essa. A liberdade, a não rotulagem. Já estamos trabalhando coisas novas e continua tudo bem quente!

A turnê de divulgação do disco
Samuca: As expectativas pra rodar com o disco são muito bonitas. Tudo a seu tempo. A resposta do público em contato com o disco tá melhor até do que a gente imaginava e o show é o que a gente gosta de fazer e onde o bicho pega mesmo. A Selva é essencialmente uma banda de show, né?! E é bonito quando a gente vê o povo se entregando e isso tem rolado por tudo quanto é lugar que estamos indo. Eis aí o grande presente. No mais a gente tá proseando, tá fazendo bons amigos noite afora e levando alguns literalmente com a gente. E é bonito você ver um monte de gente vestindo a camisa em prol de um trabalho com tanto carinho. Conectar amigos e talentos. Que venham o máximo de boas experiências possível. Estamos indo de coração aberto!

 
A concepção de um disco frente a um público imediatista
Samuca: Excelente pergunta! E você chegou num ponto que foi mote de um único, porém importante, debate que tivemos. E a decisão pós essa conversa foi um baita consenso de que gravaríamos um disco, fosse o longo que fosse, o caro e o demorado que fosse. Mas que contaríamos essa história de forma natural e com todas as músicas que estávamos trabalhando com tanto esmero. A gente queria compor algo pra deixar de legado. Não daria pra deixar canção alguma pra trás. Ia ficar capenga pra história que queríamos contar, pra nossa proposta, nossa verdade – que é tudo isso junto. Definimos a Madurar como primeira música de trabalho por tudo que representa pra gente, não só enquanto mensagem, filosofia, como pra história da banda. Madurar foi a canção que originou a Selva. A pedra fundamental que uniu todo mundo no projeto. Ela deu uma injeção de confiança pra prosseguirmos. E ela também tem algo de frescor sonoro, é difícil de ser taxada. Isso instigou a gente a prosseguir com ela. Ela é otimista, é um mantra né?! (“Vai Madurar” repetidas vezes em coro). Ao mesmo tempo que é pop, é groove, traz as claves de afrobeat, tem algo latino e algo Brasil. No fim das contas é a Selva, sabe?! Traduz a gente. E precisava ser isso. Abrir nossos caminhos, apresentar nosso trabalho. É o nome do disco. É a assunção do nosso Madurar enquanto processo. No fim Madurar foi também um consenso. Um feliz consenso!

A relação entre a complexidade de certos ritmos e seu distanciamento do público jovem
Samuca: Não afirmaria isso categoricamente não. É até surpreendente, mas a gente tem visto muita criança e muita moçada jovem se interessando pelo que a gente tá propondo. Claro que bastante disso se deve ao fato de a gente trabalhar com canções, com letra, histórias literais para serem contadas, o que torna a coisa mais acessível. Mas dentro da realidade que a gente vê nosso trabalho acontecendo a diversidade do público é, de fato, uma grata surpresa. Temos recebido mensagens de mães de filhos de 7 e de pessoas de 70, sabe?! Isso é lindo! É sem barreiras, sem fronteiras. É a nossa tentativa de ser universal como achamos que música deve ser. E quando falo que não dá pra afirmar categoricamente é porque não chegamos às massas ainda. Aos poucos estamos expandindo o público, mostrando o trabalho. Mas não é um boom das massas. Talvez nem seja. Será?! Não dá pra saber. E não sei nem se é pela complexidade ou pelo desinteresse da grande indústria mesmo. Acho que é mais por aí. As pessoas acabam estranhando um pouco pois têm pouca oportunidade de entender e consumir essa “complexidade”. O que chega hoje na maioria dos ouvidos via veículos de massa é muito mais do mesmo, muito formato enlatado, pouca diversidade. E não que não haja! Tá cheio de artistas fabulosos surgindo o tempo todo aqui no Brasil. Fazendo coisas originais, criativas, relendo mestres. Mas há poucos grandes espaços para a diversidade e para a experimentação, pra um caminho mais criativo, mais “complexo”, como você diz. Tá tudo bem viciado, moldado à questão comercial. Mas a gente tá aí, cavando espaço, procurando fazer do nosso jeito e do jeito que acredita, com verdade. E ainda bem que a internet é um meio foda, que ajuda muito quem busca formas alternativas de mostrar o trabalho. Na internet a gente tá no controle, e isso não tem preço. É nela que a gente tem encontrado nosso caminho, um segmento de público interessado na proposta que estamos fazendo e que tá levando nosso trabalho adiante. É por ali que a gente vai expandindo a coisa.

A generalização da indústria americana para World Music e a identidade de Samuca e a Selva
Samuca: É mais ou menos isso o que a gente responde (risos): world music, MPB contemporânea, balanço latino americano, groove tipicamente tropical. É uma mistura de um monte de coisa, de um monte de caminhos num único desaguar. Difícil rotular um trabalho que se propõe a ser diverso e beber de tantas fontes. Somos em 10, é muita influência distinta junta. Muitas linguagens convergindo. Sobre o mergulho acho que por um lado impede, mas por outro expande a pesquisa. Fazendo essa mistura, não que isso seja um objetivo, mas temos a possibilidade de aparecer em publicações especializadas de diferentes segmentos. E aí a gente se depara com outra possibilidade, que é a de nosso trabalho ser porta de entrada de quem tá procurando saber mais sobre algum gênero em específicio, afinal vivemos a época das playlists. Isso não é louco? Mas o “quente” a gente aceita! O nosso lance é ver gente suada mesmo! Sempre quisemos fazer um som vigoroso.

A relação entre a música e o contexto social
Samuca: O músico, o poeta, o artista em geral, na minha opinião, sempre acabam sendo um retrato da sociedade na qual se inserem. Tendo consciência disso ou não. É invariável, inevitável. Vejo muita gente fazendo trabalhos maravilhosos, que levam adiante uma mensagem de conscientização importantíssima e acesso a temas que fazem com que as pessoas se mobilizem. A música é um importante meio de educação, talvez o mais importante de todos. E vejo gente, teoricamente alheia a isso, mas que no fundo acaba respondendo às demandas de uma sociedade que de uma forma ou de outra vive nessa nossa realidade. Ou seja, entendo ser impossível não retratar o que vivemos no momento. As questões sociais são fomento da arte. Sempre foi assim e não vai mudar. A gente vive um momento complexo porém importante demais onde questões estão vindo à tona, mas que favorece uma série de debates que não víamos antes, com muito mais clareza, abertura, resistência. Consigo e tento sempre ver o lado positivo de tudo isso. Grupos estão se unindo por livre e espontânea vontade de fazer diferente, pessoas estão questionando muito mais uma série de modelos que fomos programados a viver. Acho que a nossa música, nesse trabalho que é o Madurar, promove não só essas nossas influências musicais, sociais e culturais, mas tem um papel importante que é oferecer melhorias no cotidiano hoje tão atordoado das pessoas. Oferece descobertas, descompressão, cura. Promover um sorriso ou uma gargalhada, um choro entalado, uma dança sincera, uma transa. É a nossa tentativa no cumprimento do papel fundamental do artista: melhorar a vida da gente. E há várias formas de se fazer isso. Abstrair a densidade do momento que vivemos também é importante. Batalhar é importante mas a gente precisa se cuidar. O fluxo de informação, principalmente com essa coisa de redes sociais e diante da situação social que vivemos é quase que enlouquecedor. Frustra a gente, nos enche de angústia muitas vezes, deixa a gente doente. A música é uma ferramenta poderosíssima pra nossa existência. Ela fortalece, aproxima, leva carinho e amor adiante.

Madurar e a riqueza de ritmos do Brasil
Samuca: O Brasil é um continente né?! É tudo tão diverso, tão rico em termos de manifestação cultural e musical. E não podemos esquecer gente passou por isso um dia, né?! Tudo sempre começa com uma porta que você se permite acessar. Em determinado momento fui apresentado ao forró aquilo mudou minha vida. Fora as coisas que vêm de fora que a gente vai misturando do nosso jeito por aqui. Construindo a nossa própria identidade sonora. É importante e uma imensa responsabilidade ser vetor de apresentação pra muita gente do que é um pouco da nossa cultura. Acaba sendo um serviço que prestamos e me sinto orgulhoso disso.

Estamos mais chatos para música?
Samuca: Não sei se estamos 100% chatos, sabe?! Vejo vários chatos, vários. Cagação de regra a torto e a direito. E vejo tanta gente legal! Tanta gente inspiradora, quebrando paradigmas, estéticos, sociais. Fazendo a história acontecer. Fazendo diferença no seu próprio tempo. Imagina eu que vim de Guaratinguetá, que por mais que esteja no meio do caminho entre São Paulo e Rio tem suas limitações de cidade do interior quando comparada a efervescência cultural de uma capital como São Paulo. Consegue imaginar o choque de possibilidades que isso é?  A liberdade que transmite pra gente? Eu ainda me pego extasiado curtindo tudo. Acho que o grande barato é justamente se permitir. As pessoas ainda se preocupam demais com rotulagem e se esquecem do que vieram fazer aqui que é EXPERIMENTAR, essencialmente. Daqui a gente não leva nada certo? Se não houver boa prosa e boa história na bagagem, do que vale a vida?

Futuro
Samuca: Música quente, de gente pra gente. Um trabalho com cada vez mais tesão, mais união, mais compreensão e respeito, muitas risadas e grandes momentos em todas as etapas do processo. Vigor e liberdade. A gente é e sempre será permissivo, abrangente, gregário e acessível. Que assim seja e vamos pro baile!

A música passa por aqui.

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