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Marcelo Yuka - Canções para Depois do Ódio

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O que define o conceito de “disco” na atualidade? Aquele mesmo que colocamos e apertamos o play para passar 20, 30, 70 minutos concentrado ouvindo faixas de um artista que admiramos.

É o tempo de duração de cada faixa? A “amarração” entre cada um dos registros fonográficos ali contidos? Em tempos onde a mídia digital complica cada vez mais esse processo, ouvir um disco inteiro é sempre uma nova aventura, mas uma coisa se mantém intacta: independente do estilo, existe um fio que une todo o trabalho, para bem ou para mal.

O novo álbum de Marcelo Yuka, Canções para Depois do Ódio, levou mais de uma década para ficar pronto e revelou um acúmulo de experiências tão dolorosas quanto o período de depressão pelo qual o artista carioca passou. Não se trata só de um disco, mas um livro de histórias.

Vivendo hoje em um mundo que vai de encontro com praticamente tudo o que acredita, Marcelo sintetizou tudo em música. E muito boa música. Para isso chamou alguns de seus amigos, que por sinal são uma verdadeira usina de talento como Black Alien, Céu, Seu Jorge, entre muitos outros, para dar forma a um álbum que intriga, ainda que em diversos momentos soe como uma colcha de retalhos.

Tudo em Canções para Depois do Ódio é bem produzido. Tudo mesmo. Existe uma carga emocional em faixas como em A Carga e A Tempestade onde é possível sentir parte da angústia de um artista que foi vítima de tudo aquilo pelo qual lutou contra na vida. E entre belos arranjos, o disco se desenvolve fracionado como um roteiro de cinema europeu, sem amarras e livre, onde cada faixa parece voar para um lado diferente.

Faixa que abre o disco soberbamente, O Dia em Que o Homem Se Cansa tem a dobradinha formada Barbara Mendes e congolês Bukassa Kabengele, esse último o grande trunfo do disco, com diversas participações em um trabalho primoroso. Mas daí por diante existe um mergulho em nuvens cinzas que insistem em não deixar o sol transparecer. E é aí que voltamos a pensar novamente sobre conceito de “disco” no material apresentado por Marcelo Yuka.

Se desenhando como uma coleção de bons singles, Yuka investe nos mais diversos ritmos com uma consistência anormal. São ritmos brasileiros e étnicos se fundindo entre o passado e o presente com um som que desde o início se faz atemporal. São elementos eletrônicos e arranjos de cordas que se complementam como se fosse a coisa mais natural do mundo. Destaque para as boas Agora Nesse Momento, Cortejo Milenar e Algo Mais Explícito, essa última que encerra o disco.

Sem nenhum apreço pelo caminho mais radiofônico, o novo projeto de Marcelo Yuka não nasceu para ser fácil ou feliz, mas para um mergulho introspectivo que reflete muito de sua personalidade. Um disco bonito, mas triste, ainda que essa angústia não se sobressaia totalmente frente a algumas das faixas executadas.  Canções para Depois do Ódio não é só o disco, mas isso depende muito de quem ousar apertar o Play e mergulhar no universo de Marcelo Yuka.

A música passa por aqui.

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