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Elbow - Little Fictions

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 Existem algumas situações no mundo da música que são impossíveis de se explicar. Uma delas é encontrar uma razão para entender como o Elbow, banda inglesa formada no fim da década de 90, não tenha no mundo a mesma fama que tem em seu país. Dona de um currículo irretocável, o grupo do vocalista Guy Garvey lança agora seu sétimo álbum, Little Fictions, e dá uma verdadeira aula de musicalidade em um dos melhores trabalhos de sua já extensa carreira.

Com um pé no rock alternativo e outro no progressivo contemporâneo, o som do Elbow sempre esteve ali ao lado dos momentos mais criativos de nomes como Radiohead, mas encantando especialmente por sua eficiência melódica, que remete direto ao som dos galeses do Manic Street Preachers.

Embora com referências conhecidas, o som do Elbow não é exatamente fácil. Sem abusar das levadas instrumentais na maior parte do tempo, a música da banda inglesa funciona como um mergulho profundo em um mar de melodias que impressiona pela solidez, sempre dentro de uma embalagem muito particular. Magnificent (She Says) e Gentle Storm, responsáveis pela abertura de Little Fictions, assustam pela beleza com que vão ganhando forma e são duas das melhores em toda a carreira da banda, credenciando de forma eficaz seu novo lançamento, composto por dez faixas.

Sem nenhuma pirotecnia, Little Fictions esbanja maturidade do início ao fim com uma simplicidade capaz de convencer até mesmo à velha guarda do rock progressivo. E talvez seja justamente esse o motivo que faz a banda nunca ter chego até quem parece ser seu real público.

Mas como fazer com que um fã de Yes ou King Crimson se aproxime do som do Elbow? Não há solos de guitarra como Steve Howe ou então pirotecnias como Robert Fripp, “somente” uma consistência musical que o credencia nessa década como uma das grandes bandas da atualidade que se distancia daquilo que pode ser considerado um formato radiofônico.

Com um disco que prima pela interpretação de Guy, Little Fictions tem na faixa Head For Supplies um ponto que parece fechar ciclos do disco. Existe um trabalho mais intenso feito em sua primeira metade, que culmina na ótima All Disco, para depois mergulhar em uma proposta muito mais introspectiva, que é seguramente responsável por ter ficado o pé da banda na cena alt rock inglesa.

Destaque para o tecladista/pianista Craig Potter, peça fundamental do disco, que ainda tem as boas Firebrand & Angel e K2, destaques nessa segunda metade. A exceção cabe somente à faixa-título de Little Fictions, uma viagem de quase nove minutos com todos os elementos que tornaram o Elbow tão grande.

Chegando ao fim com Kinding, o sétimo trabalho dos ingleses é um disco para se ouvir várias vezes. Não é fácil digerir de cara toda a complexidade do som da banda, mesmo que ela pareça se esforçar em não ser tão complexa. Mesmo com um disco tão bonito e bem produzido, o Elbow seguirá sendo uma espetacular banda inglesa, e somente inglesa. Pode ser o suficiente para consolidar o sucesso, mas sempre vai existir a certeza de que o grupo pode muito, muito mais.

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