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Medulla - Deus e o Átomo

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Produzir um disco conceitual em português não é fácil. Especialmente quando seu fio condutor são composições profundas e que demandam uma atenção que o público de hoje parece não ter. Deus e o Átomo, último trabalho da banda carioca Medulla, se aventura justamente por esse caminho, mas não esquece a música, o que é fundamental em um disco que faz questão de soar como obra completa.

Recheado de participações, caso do amigo Marcelo D2, em Faça você mesmo, Teco Martins (Rancore/Sala Espacial) em Prosseguir, Martin Mendonça (Pitty/ Agridoce) em Abraço e Helena D’Troia, em A Separação, o disco ainda conta com os rappers Síntese – no interlúdio 70x7 – e Edgar em Z.

Feito para se ouvir de cabo a rabo, Deus e o Átomo soa atual e mescla ritmos com a mesma facilidade com que as composições da banda evocam uma quebra de ritmos quase frenética, caso de A Paz, uma das melhores do disco. Mesmo como um disco de rock, o trabalho da banda carioca parece mesmo flertar de forma profunda com o hip hop, que por muitas vezes dá o tom e rouba a cena, reforçando a proximidade dos ritmos na atualidade.

Banda que tem o vocalista Raony segurando a batuta principal, o Medulla soa como conjunto especialmente no momento em que faixas como Estamos Ao Vivo surge em um repertório que até esse ponto consegue dar bem seu recado. O questionamento, muitas vezes declamado pela forte influência de rap do disco, compromete quem embarca na viagem da banda em alguns momentos, mas nem por isso faz a estrada proporcionada pela banda se desgarrar de seu destino.

Muitas vezes amparado por uma batida que remete diretamente a ritmos obscuros da música eletrônica como o trap, o novo trabalho do Medulla tem muito a ser visto, mas ainda assim é um disco de rock, como bem pode ser visto em O Segredo e Fim da Estrada, uma das outras boas surpresas do disco e talvez as de maior apelo pop no tracklist completo do disco.

A participação de Teco Martins, já no fim do disco, é seguramente a de maior impacto no álbum, que vai chegando ao seu final com o peso que parece ser mais a cara do Medulla, especialmente pela agressividade que já marcou o repertório da banda em seus trabalhos anteriores.

Disco feito para ser contemplado em sua totalidade, Deus e o Átomo é uma jogada de risco em tempos de plataformas digitais, especialmente pela preocupação que a banda teve em compor um repertório que ao final da audição transmitisse uma unidade. Ainda assim faixas pontuais do disco tem força para caminharem sozinhas e – ainda que sejam um plus no disco – sem as participações de tantos bons convidados.

Mais um passo na carreira do Medulla, Deus e o Átomo é um ponto fora da curva., então compreender todo seu repertório exige também que o público saia da estrada. Agora é saber até onde ele está disposto a isso.

A música passa por aqui.

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