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Charlotte dos Santos - Cleo

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O nome dela é Charlotte dos Santos, seu sangue é brasileiro e o samba e a bossa fizeram parte de sua infância, mas musicalmente Charlotte não é brasileira, Charlotte é do mundo. E isso é algo que pode ser conferido de forma magistral em seu primeiro trabalho, Cleo, disco que apresenta uma miscelânea de influências que transitam por todo o mundo, menos por seu país-natal.

Mezzo belo e mezzo bizarro, é difícil não achar tudo isso tão fascinante. Em Cleo, cada curta faixa executada é uma surpresa tão impressionante que soa intrigante pensar em uma artista brasileira tão desgarrada dos ritmos locais, já que os mesmos são tão apreciados mundo afora. Caminhando por vertentes díspares que vão do trip-hop ao jazz, Cleo é tão completo que assusta. E em um disco curto, composto por interlúdios e faixas que não se alongam, Charlotte consegue expor uma segurança capaz de fazer saltar os olhos daqueles que, por acaso, caíram em sua página no Bandcamp (ainda uma fonte impressionante de boa música) para conferir sua música.

Aluna da Berklee College of Music, Charlotte dos Santos, que é filha de pai brasileiro, mostra todo seu talento já na trinca inicial, executada após a intro de Sumer Is Icumen In. É ali que uma versão subvertida do lendário projeto de Mike Patton, o Lovage, parece nascer. Sempre soando bastante orgânica, a cantora goza de uma solidão (e imponência) completa em seus vocais, tamanha precisão com que cada frase é proferida já na trinca formada pelas ótimas Good Sign, Watching You e Move On, faixas que vão dando corpo ao disco e culminando em sua ótima faixa-título, assim encerrando sua primeira parte.

A segunda metade do disco, após uma nova intro, soa como se o botão de Stop fosse apertado e um novo álbum começasse. Mais intimista, começa com a bela Red Clay e novamente vai crescendo, dessa vez com King of Hearts, uma balada ao melhor estilo Erikah Badu. Flertando com o pop, explora camadas e mais camadas em Take it Slow, a faixa acessível do disco e, ainda assim, impressionantemente rica em detalhes.

O fim com It's Over, Bobby a mais intensa dessa segunda metade, coroa um trabalho curto, mas com tanta coisa para ser apreciada que não seria surpresa chegar ao fim e iniciar novamente sua execução.

Em seu primeiro lançamento, Charlotte do Santos mostra em seu poder de fogo em faixas curtas, dando um recado bem dado a quem procura música de qualidade sem a influência de grandes gravadoras ou passível poucas referências. Mais do que nunca, ao fim de Cleo a única certeza é que ter saído do país e ter tido contato com a música fez da cantora “quase” brasileira uma cantora do mundo. E é disso que o mundo precisa.

A música passa por aqui.

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