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Thee Oh Sees - Smote Reverser

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Ser traído pelo nome de uma banda é algo corriqueiro no mundo da música. Bandas homônimas nascem aos quatro cantos do mundo e em tempos de internet é até vantagem ser confundido em alguns momentos. Com o Thee Oh Sees, banda americana que lança agora em 2018 seu novo álbum, Smote Reverser, foi algo parecido. Confundido por este que vos escreve com uma porção de bandas suecas que vieram ao Brasil há alguns anos, sempre deixei os americanos de lado por acreditar trazer um som mais suave como Club 8 etc, algo que também gosto, mas que recentemente tenho ouvido muito menos em razão do tempo. Pois bem, dei uma chance para o Thee Oh Sees após um comentário na internet e quase caí da cadeira.

Mesmo após alguns releases falando do garage rock que era praticado e sua turnê que se realizará em breve pelo Brasil, não tive curiosidade em apertar o play e sacar o som da banda, algo que acontece agora e consolida um erro de meses (quiçá anos) reparado somente agora. Aumente o som, o Thee Oh Sees é uma pedrada!

Não, não se trata de uma banda que emula o movimento nascido ainda nos anos 60 explorando a psicodelia pré-Verão do Amor, embora também seja de San Francisco. Com um som moderno e que, sim, é capaz de explorar elementos psicodélicos sem se perder no uso de emuladores, o novo projeto do The Oh Sees é seguramente um dos discos mais intensos de 2018. Banda que basicamente se resume ao guitarrista John Dwyer, que também se aventura com flautas e teclados, o quarteto ao vivo ainda conta com o baixista Tim Hellman e os bateristas Dan Rincon e Paul Quattrone, a vocalista Brigid Dawson e Tomas Dolas, membro do Mr. Elevator e Brain Hotel, em uma verdadeira avalanche sonora.

Para entender o último álbum da banda americana é preciso dar uma viajada por seu repertório. Semelhante a tudo o que era feito nos anos 60, a discografia do The Oh Sees (que aparece como Oh Sees ou The Oh Sees) é caótica. São vários álbuns com uma mesma assinatura, variando basicamente a sua intensidade e nunca abandonando sua veia garageira. Há ecos de The Jam, Jefferson Airplane e até The Sonics, tudo depende do momento. No caso de Smote Reverser, especialmente do último citado.

Barulhento, urgente e bem desenhado, o novo disco do Thee Oh Sees assusta, especialmente para quem imaginava algo tão diferente. Sentient Oona, faixa que abre o disco, soa como um Jet (banda que fez sucesso na virada do século) muito mais madura. Maturidade essa que pode ser vista na ótima Enrique El Cobrador, uma faixa que mostra a eficiência da banda em transitar entre o clássico e o novo.

Com solos pontuais que passam por órgãos e guitarras, o disco ganha rapidamente seu espectador pela intensidade de seus integrantes, uma mistura infalível entre vontade de feeling.

A veia radiofônica do grupo surge logo em C, faixa que mesmo passando relativamente longe do pop mais acessível, traz um bom jogo de riffs, solos de teclado e vocais de Brigid Dawson. A faixa serve de contraste para o verdadeiro trabalho de John Dwyer e a “desgraceira” de Overthrown, uma das melhores do disco e reflexo de um grupo que não tem medo de ser intenso.

Ainda que composto por somente 11 faixas relativamente curtas, não há como negar a versatilidade de Smote Reverser através de faixas como Last Peace e Flies Bump Against the Glass, uma boa aula do bom e velho “aumenta que isso aí é rock and roll” e que – sem sombra de dúvidas – apresenta toda a capacidade dos músicos da banda sem muita cerimônia. Tudo é diferente, mas também igual. Tudo é fruto de uma única mente, mas soa complexo o suficiente para carregar aquela dose de experimentalismo que qualquer fã de música alternativa busca.

Em um disco intenso e urgente, o The Oh Sees abre caminho dentro da mesmice sem se perder na amálgama dos anos 60. Sem a necessidade de parecer com tudo o que ouvimos oriundos daquela época, a banda soa moderna, embora sua quantidade de álbuns aponte para uma direção oposta a isso.

A música passa por aqui.

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