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Eric Gales - The Bookends

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Eric Gales não é mais um menino, tem 44 anos, mas pode sim ser considerado um dos principais nomes da “nova” safra do blues. Faz parte de um circuito diferenciado, caminha em paralelo ao mainstream, goza de um respeito acima da média no meio e vem lançando bons álbuns nos últimos anos, tal qual Joe Bonamassa, por exemplo.

O blues de Eric Gales é agudo, intenso. Muito mais próximo de Rory Gallagher do que de BB King, o guitarrista americano parece ter uma queda considerável pelo blues inglês e isso só não fica mais perceptível em seu último álbum, o ótimo The Bookends, porque existe uma dose cavalar de funk que não nega suas raízes americanas. Nascido em Memphis, Eric é irmão de outra fera, Manuel Gales, com quem chegou a formar o Gales Brothers.

Dono de uma extensa discografia, Gales aposta em uma performance mais intensa em seu novo álbum, assumindo um papel mais efetivo como vocalista. Contando com a produção de Matt Wallace (Maroon 5, Faith No More, entre outros), o disco flerta suavemente com uma veia mais pop, mas em nenhum momento se perde no caminho, se distanciando de qualquer conteúdo superficial. No caso de Eric Gales, The Bookends é desafiador, especialmente para seu protagonista.

Dividindo seu papel entre guitarra e vocal, Gales convida para o álbum grandes nomes da música contemporânea, como o vocalista multitarefas B. Slade e até Beth Hart, com quem realiza um cover de With Little Help from My Friends, talvez a única música mais questionável do disco. Já com B. Slade Something's Gotta Give dá show e deixa clara essa fusão entre o blues e o soul na música do guitarrista.

Para quem tem aquela visão mais engessada do blues aos moldes da chamada geração de ouro do gênero, The Bookends é a prova de que o blues nem sempre precisa ser melancólico para causar um impacto. Há uma vibração e entrega nítida na música de Eric Gales que fica mais clara a partir de faixas como na funkeada It Just Beez That Way ou nos solos certeiros de How Do I Get You, uma das melhores do disco junto com Southpaw Serenade, que traz a participação de Doyle Bramhall II, obscuro (e talentoso) músico de blues americano.

Sem cansar, o novo trabalho de Eric Gales exibe 11 faixas onde o guitarrista tem muito a dizer. Em um disco que apresenta muito mais do que parece, revisita sem nenhuma amargura seus medos, como o vício em bebidas e drogas, ironiza e combate a questão racial e fala sobre amizade. Tudo, mas tudo mesmo com muitos bons solos e sem se prender a nenhum excesso de firulas, o que deixa sua música ainda mais atraente.

Somebody Lied e Reaching for a Change também merecem destaque dentro do repertório do disco, especialmente por desafiarem o próprio guitarrista em seu papel de vocalista. Mais do que soul music, há alma na música de Eric Gales em The Bookends. Disponível em qualquer plataforma de streaming, esse é um disco que instiga a ser adquirido no formato físico tamanha solidez com que é executado. Sendo – ou não – um ponto de divisão na sua carreira, é inegável que mesmo depois de tantos anos de carreira e uma discografia tão impactante, Eric Gales escolheu o caminho que os grandes músicos escolhem, de ir em frente sem pensar no que a estrada lhe reserva. E a julgar por seu novo álbum, não há dúvidas de que é a escolha certa.

 

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