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Black Alien - Abaixo de Zero: Hello Hell

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Existem vários ingredientes que fazem um artista decolar na carreira. Técnica, persistência e até sorte são alguns deles, mas nenhum é tão fundamental quanto a sinceridade do mesmo com aquilo que faz. Não é exagero, se torna praticamente impossível apostar em um artista profissionalmente que é “fake” com o que acredita. Pode até funcionar durante um curto período de tempo, mas jamais a ponto de garantir uma carreira. E poucos caras são tão sinceros como Black Alien.

Ex-Planet Hemp e dono de dois álbuns solo extremamente bem produzidos, cheio de rimas e que o posicionam como um dos mais importantes rappers do país, Black Alien não tem medo de encarar seus demônios, algo que fica sempre em primeiro plano no espetacular Abaixo de Zero: Hello Hell, disco que é lançado dois anos após Babylon By Gus – Vol. II: No Príncipio Era O Verbo.

Mais do que um álbum, Abaixo de Zero: Hello Hell é uma crônica de um homem frente a frente com seus maiores traumas. E mais do que isso, não é uma aula com um coaching dizendo como se vence um problema. Muito pelo contrário, Black Alien perdeu e não foi pouco, quase morreu, sumiu da cena. E canta sobre isso sem o menor ressentimento.

Mister Niterói, como é chamado, nunca escondeu seu problema com drogas, mas isso nunca ficou tão exposto como em seu novo álbum. Entre faixas como Área 51 e Que nem o meu cachorro, fica difícil não se comover com sua história. Uma história que envolve aí uma luta não só contra o vício, mas a capacidade de dar sentido para a própria vida através do rap, questionando-se durante as faixas do disco sobre a qualidade de seu material e a capacidade de seguir rimando pós-vício. Acredite, a vitória de Black Alien é também a vitória de um gênero.

Tal qual uma crônica, como foi anunciado no início dessa resenha, Black Alien se coloca como protagonista de uma história cheia de percalços e entre um verso e outro fica nítido que ele é o personagem da história. Produzindo por Papatinho (Cone Crew Diretoria), o disco é dotado de uma musicalidade acima da média e posiciona o rapper como um dos principais nomes da atualidade com segurança.

Repleto de boas faixas e rimas de extrema categoria, Abaixo de Zero: Hello Hell tem momentos extremamente comoventes, como em Carta pra Amy, quando canta “Vencer a mim mesmo é a questão, questão que não me vence / Minha cabeça falante fala pra caralho e aí my talking head stop makin' sense”. Faixa que só não é superior a Aniversário de Sobriedade, o retrato mais cru e triste de um ex-viciado.

Não é um disco para ser ouvido uma, duas vezes. Tal qual o gênero que tanto ama, o rap de Black Alien é feito para reflexão. E dela exaltar a admiração por um artista que, literalmente, foi ao inferno para voltar, mas que sabe que a porta segue aberta atrás dele. Mais um dos tantos bons discos de rap do ano, Abaixo de Zero: Hello Hell é sincero. Sincero demais. Talvez tanto que se torna ofensivo pensar em coaching depois de sua audição.

A música passa por aqui.

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