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Baaba Maal - The Traveller

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Associar música e ativismo social é um processo complicado na maioria dos grandes nomes da música pop.

Se por um lado o altruísmo de Bono Vox, vocalista do U2, comove a maioria das pessoas, ele também o coloca em xeque perante uma parte de seu público, mesmo fazendo com que vozes sejam ouvidas e resultados sejam alcançados.

Talvez pela grandeza do nome envolvido, qualquer movimento de um artista de mainstream em tempos atuais pode ser confundido pelo público a ponto de se perder de vista onde termina a música e começa o ativismo, evocando a face menos musical de artistas como John Lennon, acusado por muitos de ultrapassar esse limite.

De certa forma esse processo pode realmente ser perigoso, mas no caso de alguns artistas esse é o mote que move sua música e sua expressão artística, caso do senegalês Baaba Maal, que lança em 2016 seu novo álbum, o belíssimo e inspirador The Traveller.

Para entender a obra de Baaba Maal é preciso compreender como o mundo passou a ver a música africana nos últimos anos. Chamada pela indústria fonográfica de “World Music”, uma visão simplista de algo muito mais complexo, o guitarrista senegalês incorpora elementos de jazz, afrobeat, pop e rock dentro de um verdadeiro caldeirão étnico que absorve influências de highlife, vertente tradicional de países como Zâmbia, Gana e Nigéria.

Minimalista, o trabalho de percussão serve como base para dedilhados dignos da obra de nomes como Django Reinhardt, proporcionando uma verdadeira viagem pela cultura africana. Inspirado, Baaba Maal ganhou fama em inúmeras coletâneas lançadas na década de 90, o que o levou a eventos seminais como o Red Hot + Rio e o projeto 1 Giant Leap, dando-lhe projeção internacional.

The Traveller é o primeiro álbum do guitarrista e percussionista senegalês nessa década e deve ser celebrado por inúmeros motivos. Além das conquistas sociais alcançadas após ser nomeado missionário das Nações Unidas, o músico se mostra ainda mais impressionante tecnicamente durante as nove faixas que compõem seu novo álbum.

Cantado em Pulaar, dialeto local da costa do Senegal e visto em países como Mali, Gâmbia e na Guiné-Bissau, o disco prova que a música ainda é a melhor forma de comunicação e impressiona pela riqueza de detalhes. Sem abusar das jams, tão tradicionais no afrobeat, apresenta um verdadeiro turbilhão de ritmos logo de cara com a trinca Fulani Rock, Gili Men e One Day.

Em The Traveller cada faixa  apresenta verdadeiras paisagens sonoras que a cada execução parecem trazer algo de novo. Gravado com uma variação de instrumentos e ritmos fora do normal, proporciona uma nova experiência musical, principalmente em sua fase intermediária, que tem em sua faixa-título o ponto alto do disco.

Encerrado por uma suíte de pouco mais de dez minutos, com as sequência War e Peace, The Traveller transmite através de música mensagens díspares onde o que pouco importa é o dialeto utilizado.

Disco que deve render em breve uma nova turnê de Baaba Maal pelo mundo, The Traveller é uma porta de entrada para quem deseja fugir do nicho pop com um trabalho de qualidade. Com uma quantidade tão grande de ritmos em um espaço tão curto de tempo, o novo registro do músico senegalês é mais do que “música do mundo”, mas “música para o mundo”.

A música passa por aqui.

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