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Flume - Skin

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Qual o momento em que um artista se torna refém de sua própria obra? Aquele onde seu maior dom parece se submeter a algo superficial onde cada segundo trabalhado em sua construção parece se reduzir a um simples olhar de “ah, ok, ficou legal”? No caso do produtor Harley Edward Streten, também conhecido e aclamado como Flume, isso acontece em decorrência da própria ascensão da EDM.

Skin, seu segundo álbum do DJ e produtor australiano, surge em um momento onde a EDM parece ter entrado em estado de inércia e falta de senso crítico de um público que tem elevado o gênero a uma classe social cada vez mais alta.

Depois de surpreender o mundo com seu álbum de estreia, aos 20 anos, Flume se tornou uma espécie de produtor de vanguarda ao lado de nomes como Porter Robinson e Com Truise, mas com um pé no universo pop, trunfo que os nomes citados não conseguiram ainda.

Capaz de explorar como poucos as batidas de hip hop e o experimentalismo da IDM, apresentou uma música cerebral e dançante, o que – claro – o levou a colocar as mãos em faixas conhecidas da esfera pop, elevando-o a um dos grandes nomes da música eletrônica atual. Para se ter uma ideia do calibre de suas batidas, Lorde, Sam Smith, Arcade Fire e Disclosure tiveram suas produções manipuladas pelo produtor australiano.

Skin não é um disco ruim. Visto por uma ótica mais profunda, fica difícil não se impressionar com a construção de suas 16 faixas, mas por outro lado fica difícil não colocar isso em segundo plano com a quantidade assustadora de convidados para o disco. Entre os – muitos – destaques estão Beck, AlunaGeorge, o experimental Little Dragon e a consagrada Tove Lo, que tem aparecido em nove de cada dez novas produções da EDM.

Com essa verdadeira constelação bastante heterogênea musicalmente, fica difícil colocar o trabalho de Flume em primeiro plano. Inevitável dizer que Tiny Cities, com Beck, e Say It, ao lado de Tove Lo, não sejam os principais destaques de um disco que demora a embalar, mesmo apresentando boas produções. Investindo em um trabalho menos intenso que suas últimas produções, Skin parece guardar o melhor de si para os sets de Flume, que vem se programando ao longo do ano.

Sim, há espaço para boas faixas como Never Be Like You, que lidera inúmeros charts de música eletrônica, Wall Fuck ou Smoke & Retribution, mas nada que arranque os suspiros de Sleepless ou Holdin On, responsáveis pela ascensão de Flume dentro do mutável universo da música eletrônica. Seja pela infindável escolha de convidados, o que lhe rendeu a projeção desejada, ou até pela falta de inspiração, Skin é um disco que nesse formato acaba não funcionando e frustra àqueles que acompanham mais de perto toda a cena atual.

Com aquela sensação de “é só isso? “, o mais recente trabalho de Flume coloca em xeque toda a credibilidade de um produtor que despontou novo e hoje colhe o fruto do sucesso com assédio de grandes artistas e cachês milionários, mas que erra ao se tornar refém de seu próprio trabalho.

A música passa por aqui.

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