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Radiohead - A Moon Shaped Pool

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Um dos nomes mais intrigantes do universo pop nas últimas duas décadas, o Radiohead se tornou o tipo de banda onde qualquer movimento surge carregado de expectativa. Depois de revolucionar o mundo da música ao disponibilizar o álbum In Rainbows de forma gratuita – e principalmente fazer escola com essa atitude – a banda mergulhou em um hiato de seis anos capaz de engrandecê-lo ainda mais. Dessa forma, não é de se espantar que o lançamento de A Moon Shaped Pool se tornasse uma das grandes apostas para 2016.

Escondido a sete chaves nos estúdios da banda, que por sua vez trabalhou novamente com Nigel Godrich, o novo álbum do Radiohead nasceu da forma que a banda realmente desejou. Repleto de mistérios e intrigante como deveria ser; e claro, com um conteúdo capaz de reafirmar os ingleses como uma das melhores bandas dos últimos tempos.

Logo de cara precisa-se deixar claro, A Moon Shaped Pool é um divisor de águas. Basta saber se para o Radiohead ou para a indústria pop. Depois de revolucionar o mundo com o rock de OK Computer e a sequência “eletrônica” de Kid A e Amnesiac, restava saber qual era o rumo adotado em 2016.

Parte desse mistério teve a chance de ser elucidado com os projetos realizados por seus integrantes nos últimos meses, mergulhando em elementos de música clássica e uma desconstrução da estrutura pop apresentada na razoável sequência formada pelos discos In Rainbows (2007) e The King of Limbs (2011).

Poucos dias antes do disco ser lançado, o single de Burn the Witch foi lançado após as redes sociais do grupo serem esvaziadas. Com uma animação dirigida por Chris Hopewell, a banda buscou inspiração no filme de 1973, O Homem de Palha, expondo um clima de tensão capaz de tornar seu primeiro single o melhor cartão de visitas para um disco tão aguardado.

Era hora do disco completo chegar às plataformas digitais e finalmente revelar os capítulos seguintes de Burn the Witch, assim, A Moon Shaped Pool foi lançado com uma capa digna de seu repertório.

Não estão lá os sintetizadores de Kid A ou até as guitarras de Ok Computer. Apostando em um minimalismo quase desconcertante, o novo álbum do Radiohead convida a todos para mergulhar em um universo abstrato e silencioso, muito bem explícito com Daydreaming, segunda faixa lançada pela banda. Com peças que parecem não se encaixar em um primeiro momento, logo o disco parece ter absorvido seu ouvinte de vez, especialmente em Decks Dark, uma das melhores do disco.

É nesse momento em que tudo clareia de vez em A Moon Shaped Pool. Essa dissolução do mistério em torno de seu material transforma o disco em uma espécie de looping viciante, onde cada faixa parece se desprender de sua raiz e passar a jogar seu ouvinte para um novo espaço. Essa sensação permanece na sequência formada pelas boas Desert Island Disk, Ful Stop e Glass Eyes, fase onde cada mínimo ruído desconstrói de vez a estrutura de música pop aplicada no mainstream.

Somente em Identikit somos capazes de assumir a essência do novo álbum do Radiohead. Não se trata só de um disco, mas de uma experiência muito mais sinestésica do que auditiva. Candidata a uma das melhores faixas lançadas pela banda na carreira, The Numbers escreve com perfeição o nome do Radiohead na história e engatilha sua experiência para os últimos momentos, talvez o mais inerte do disco.

Com Present Tense,  Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief e a fraca True Love Waits, o Radiohead se despede com a sensação de dever cumprido.

Saiu o novo disco do Radiohead. Disco onde faz-se necessária uma quantidade cada vez maior de audições para perceber a complexidade adotada pela banda, um desafio que terá que ser vencido no palco. Assim como em seus últimos álbuns, só será possível compreender o tamanho do legado de A Moon Shaped Pool nos próximos anos, enquanto servirá de inspiração para uma enormidade de novas bandas, assim como o fez no passado.

Hoje tão difícil de acontecer, o novo lançamento do Radiohead recupera a histeria, ainda que silenciosa, dos grandes ídolos do passado. Desafia seu ouvinte e apresenta uma nova direção. Se restava alguma dúvida quanto ao fato do Radiohead ser – ou não – uma das grandes bandas de seu tempo, A Moon Shaped Pool consolida isso de vez. E o mundo agradece.

A música passa por aqui.

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