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Samuca e a Selva - Madurar

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“A Terra é azul”, disse Yuri Gagarine em 12 de Abril de 1961.

Frase proferida pelo astronauta russo em alusão à sua visão da Terra quando completou sua órbita e imortalizada na história da humanidade, a alusão aos oceanos com certeza esconderam uma magnitude de cores que só um planeta como o nosso poderia constituir. E entre milhares de cores haviam os ritmos. E entre os ritmos estava Samuca e a Selva, que lançou recentemente seu primeiro álbum, Madurar. Um disco que se destaca de longe pela miscelânea de elementos descrita anteriormente.

Tudo em Samuca e a Selva é superlativo. As composições, os ritmos e até mesmo seus integrantes, dez ao todo. Além de seu bandleader, o grupo conta com um quarteto de metais, percussionista, baterista, tecladista, baixo e guitarra. Uma verdadeira big band que explora ritmos de uma brasilidade assustadora.

Madurar é um disco que soa atemporal desde seu início. É frevo, é rock, é forró.... é música 100% brasileira! Não, muito mais que isso, é música 100% Planeta Terra! Faixa título que já ganhou videoclipe, Madurar carrega em seu cerne a essência de Gilberto Gil e a vitalidade do novíssimo (e já consagrado) Bixiga 70 dentro de uma atmosfera extrovertida e que vai cativando com a execução do disco.

Mezzo forró mezzo jazz, Afobado Peito Altivo é de longe uma daquelas faixas impossíveis de descrever, mas que rapidamente se tornam apaixonantes. Um dos pilares definitivos de um disco que pode ser definido como uma verdadeira miscelânea de ritmos, é o passo adiante do seminal Expresso 2222, lançado há mais de quatro décadas por Gil.

Nessa diversidade quase esquizofrênica Madurar é um desafio gostoso de ser acompanhado. O olhar caribenho de Detergente e a grooveada À Beça, que dão forma ao miolo do disco, só comprovam o quanto é difícil definir a sonoridade do grupo. E nesse emaranhado de singles Guará, talvez a faixa mais “normal” do disco, acaba sendo espremida pela intensa Coco Docê, outra que mostra o quanto pode ser pop o forró... ou seria o forró o pop? Não importa, provavelmente nessa altura a sensação que se faz mais presente é a de que Madurar já engoliu o seu ouvinte.

Disco para ser ouvido sem nenhum preconceito, o trabalho de estreia de Samuca e a Selva só evidencia o quanto a música pode se perder no horizonte. Encarando o risco de inserir tudo isso dentro de um único caldeirão, Samuca acerta ao conseguir manter uma unidade durante todo o disco, tal qual em uma longínqua época conseguiu a Tropicália.

Pantanal Paraguayo, a mais “Tom Zé” do disco, é destaque de uma reta final que não deixa a peteca cair, se é que isso seria possível com ritmos tão quentes. E talvez seja o calor a melhor definição do disco. Um disco quente e vibrante.

A interrogação ao fim de Madurar é o que pode ser feito além do que já foi experimentado no disco de estreia. Talvez nada, talvez tudo?

A Terra é colorida”, diria Samuca se estivesse no lugar de Yuri Gagarine.

A música passa por aqui.

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