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Lady Sings The Blues (Autor: William Dufty)

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Rir da própria desgraça talvez seja a forma mais serena de se encarar alguns dos momentos mais difíceis da vida, ao menos para Billie Holiday. É dessa forma que a cantora americana, nascida na Filadélfia e até hoje uma das maiores referências da história da música, encarou uma vida repleta de episódios impensáveis a qualquer pessoa que acorda pela manhã e acredita estar diante de um dia ruim.

Lady Sing the Blues, autobiografia de Lady Day, é um registro que aborda muito mais que sua obra musical, traçando um retrato cruel e sem censura de uma sociedade que deu todos os motivos para que a garota de infância pobre nos bairros de Baltimore nunca chegasse a ser a diva do jazz mencionada nos livros de história e nas lojas de discos de todo mundo.

Narrada em primeira pessoa, a obra aborda detalhes sórdidos e apaixonantes de uma artista que conseguiu imprimir sua assinatura de forma única na história do jazz. O sofrimento na infância, a paixão por Bessie Smith e Louis Armstrong, a prisão, a prostituição e as drogas, além do (pouco) reconhecimento musical, são alguns dos principais pontos de Lady Sing the Blues, que recebeu uma nova edição no país em 2003 e pode ser facilmente encontrada nas melhores lojas de livros.

Com uma carreira que só em sua reta final se aproximou de forma mais efetiva do glamour dos grandes clubs de jazz, a história de Billie Holiday retratada em sua autobiografia é ofuscada pelo auge da questão racial nos Estados Unidos. Elemento recorrente da narrativa, o preconceito encontrado nos mais diferentes setores da sociedade impressionam e chocam pela riqueza de detalhes com que são descritos e reforçam muito da personalidade da cantora, um misto de dor e paixão condensados em uma música que nunca conseguiu ser totalmente rotulada.

Com um texto fácil e até certo ponto marcado pela informalidade, o grande trunfo de Lady Sing the Blues é sua capacidade em abordar temas delicados com um toque de humor, principalmente na narração de episódios marcantes da história de Billie e vários artistas de sua geração como Louis Armstrong e Sarah Vaughan, que se misturam em uma Nova York marcada pela corrupção e o aumento da criminalidade. Sempre andando no fio da navalha, Lady Day reconhece seus defeitos com uma serenidade que comove ainda mais diante da quantidade de problemas que encontrou durante a dura vida nos clubs de jazz e turnês pelo sul dos Estados Unidos, tudo isso sem perceber o tamanho do legado que é construído a cada ano e lançamento mencionado.

Sem se alongar até o data de sua morte, aos 44 anos após problemas decorrentes do excesso de álcool e drogas, a autobiografia de Billie Holiday é um guia definitivo de sua obra e esclarece pontos importantes no desenvolvimento da cena criada em Nova York nas décadas de 30 e 40. Com a sensação de deixar um nó na garganta ao longo de suas quase 300 páginas, Lady Sing the Blues torna impossível não se apaixonar pela obra de uma cantora que foi muito além do que se imaginava e ainda assim não conseguiu o mínimo de respeito que merecia.

A música passa por aqui.

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