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O sonho pop de John Taylor

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Um dos fundadores do Duran Duran, John Taylor foi tão longe quanto um artista pop poderia sonhar, tudo isso sem o mesmo glamour de qualquer artista em voga na última década. Atração da edição 2017 do Lollapalooza Brasil, o músico inglês mostra que voou mais alto que todas atrações do festival, mas sempre teve os pés no chão.

John Taylor nasceu em Hollywood, não aquele famoso distrito da cidade de Los Angeles, mas na Hollywood localizada no subúrbio de Birmingham, na Inglaterra. E lá iniciou uma história que o levaria mais alto que boa parte das estrelas de Hollywood, se tornando uma das maiores referências do mundo pop ao longo das últimas décadas.

Fãs de James Bond e Roxy Music, John Taylor era o autêntico “nerd” do fim da década de 70, quando ao lado de Nick Rodhes fundou o Duran Duran. Adotando o estilo “new romantic” em voga na época, se transformou e deixou de ser o “patinho feio” da turma, vestindo-se como seus ídolos, caso de elegante Bryan Ferry. Inicialmente guitarrista da banda, o inglês de Hollywood se apaixonou pelas linhas dançantes do Chic e logo abandonaria o instrumento e assumiria sua posição como baixista do Duran Duran.

O sucesso do Duran Duran na virada da década coincidiu com a ascensão social de John, que se tornaria, segundo a revista Time, um dos artistas mais sexy do mundo. Embalado pela avalanche de sucessos do álbum Duran Duran (1981), o baixista logo despertaria a atenção de celebridades como a bond girl Janine Andrews e a super  modelo Renée Simonsen, com quem se relacionou no início da década.

Já vivendo em uma época onde bandas americanas e europeias se arriscavam em rápidas viagens até a América do Sul, John estreitou sua ligação com o Brasil ainda no início da carreira, quando fez uma viagem ao país e, inspirado pela cultura local compôs a faixa Rio, que dá título ao segundo álbum do grupo. Logo ela viraria um hit mundial na esteira de Save a Prayer e colocaria o Duran Duran como um dos mais importantes grupos da década de 80.

Grupo que praticamente definiu a transição da cena funk e disco para o pop dançante na década de 80 e escreveu seu nome em movimentos como o sinthpop e o chamado dance-rock,  o Duran Duran se tornou um dos grupos mais influentes da história do rock justamente por ter engatado um ritmo alucinante de hits em uma carreira que atingiu seu ápice em 1986, quando lançou o seminal Notorious.

Presente em trilhas de filmes como 007, viajando o mundo na crista da onda da indústria pop, os ingleses chegaram ao fim da década como um dos grupos mais bem-sucedidos da indústria fonográfica. Vivendo seu sonho pop, John sempre se via rodeado por mulheres, elevando ao extremo uma fama de galanteador que quase levou sua carreira à falência, já que entre viagens para visita às mais diferentes namoradas e pensões pagas praticamente consumiram todo seu estoque de dólares ganho em uma carreira que ainda beirava uma década de existência.

Seguindo o curso natural da história, o mundo vivia nesse momento a explosão do grunge, o que acabou fazendo da década de 90 a mais difícil do Duran Duran, mas ainda assim relevante ao conseguir emplacar sucessos em escala global com o lançamento do bom The Wedding Album (1993), disco que fez de Ordinary World um dos maiores hits de todos os tempos.

Foi nesse disco que o Duran Duran viveria o clima de fim de festa até a saída de John Taylor em 1997, quando investiu em uma carreira solo fracassada e papéis no cinema na virada do século.

Não tardou até que o Duran Duran voltasse à ativa com uma formação clássica, madura e digna de seu legado. Trabalhando ao lado de Nile Rodgers, de influência significativa sobre a banda, Astrounaut saiu em 2004 rendendo elogios e colocando John Taylor e a formação clássica da banda novamente na estrada.

Pouco tempo depois Red Carpet Massacre, disco que trazia produção assinada por dois ícones do momento, Timbaland e Justin Timberlake, reforçaram ainda mais a importância do Duran Duran no novo século, quando o rock voltou definitivamente a ser tão dançante quanto na segunda metade dos anos 80. E John Taylor voltava novamente a ser o sex symbol de outrora.

Hoje em divulgação do álbum Paper Gods, o grupo inglês tem na figura de John Taylor o retrato de uma era do pop que não existe mais. O glamour, os cachês milionários e extravagâncias hoje soam polidas, mas nem por isso distantes. Fica difícil imaginar, por exemplo, Julian Casablancas, que também é atração do Lollapalooza Brasil com os Strokes, se não existisse alguém como o baixista do Duran Duran.

Pensar em todos os clichês do pop é pensar na história de John Taylor, um baixista inglês que – mesmo no auge da fama e se aventurando por outras mídias e projetos – nunca deixou de lado seu principal papel no mundo do rock. E hoje cidadão americano, o fundador do Duran Duran ironicamente segue morando Hollywood, agora nos Estados Unidos.

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