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Studio 54 e a festa que nunca acabou

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Studio 54 não foi uma banda e muito menos faz referência a um estúdio como Abbey Road, porém o legado do lendário club de Nova York, quatro décadas após a sua fundação, segue sendo fundamental para o status quo da música pop desde a década de 80. Tudo isso graças à mente visionária de seu primeiro fundador, Steve Rubell.

Mick Jagger esteve lá. Andy Warhol e Elizabeth Taylor também! Madonna foi barrada na porta. Praticamente todos os grandes ícones da música, das artes e do cinema estiveram lá, na 254 West 54th Street, no centro de Nova York. Era esse o endereço do lendário club Studio 54, discoteca que praticamente definiu o conceito de glamour na cultura pop para as décadas seguintes.

Construído em um local onde outrora um estúdio da emissora CBS funcionava, o Studio 54 foi comprado por Steve Rubell e Ian Schrager, que inspirados no antigo título do local, Studio 52, batizaram o espaço como Studio 54.  Nessa época o verão do amor estava sepultado na história e a disco music ganhava cada vez mais força antes da house music dar as caras nos anos 80.

Bem relacionado dentro da alta sociedade americana, Steve Rubell sempre delimitou muito bem quem queria e quem não queria dentro de seu club. O investimento maciço de milhões de dólares no processo de reconstrução do lugar tinha como objetivo servir de cereja do bolo dentro de um processo de revitalização da Broadway. Ainda assim, a casa passou por diversos problemas com licenças junto à prefeitura da cidade até que pudesse dar seu pulo do gato, após uma festa de réveillon organizada pelo renomado Robert Isabell, um dos mais conceituados agitadores de toda alta classe americana. Nascia ali a geração de ouro do famoso club americano.

E analisando tudo friamente após tantas décadas, o sucesso do Studio 54 só aconteceu graças a dois fatores: o primeiro deles justamente pela sensação de exclusividade que o club passou a propiciar aos seus seguidores após a festa de Robert Isabell. Ou outro, claro, vem âmbito musical, que acompanhou as tendências da época com o sucesso do filme “Os embalos de sábado á noite”, sucesso de John Travolta. A partir disso o club tinha em sua imagem basicamente a realidade assistida no filme e uma plateia escolhida a dedo – literalmente – pelo seu fundador.

A quantidade de nomes que se apresentaram no Studio 54 assusta tanto quanto o calibre de seus convidados. Para se ter ideia, Grace Jones, Donna Summer, Stevie Wonder, James Brown, Gloria Gaynor, Sylvester, Stephanie Mills, Village People, Billy Ocean, Anita Ward, Claudja Barry, Klaus Nomi e muitos outros subiram ao palco da casa situada no centro de Nova York.

Essa legião de astros era observada de perto por toda alta classe, o que inclui aí empresários como Donald Trump (aquele mesmo...), ícones da moda como Calvin Klein, Elio Fiorucci e Tommy Hilfiger, artistas como Michael Jackson, Elton John, Mick Jagger, Tina Turner, Lou Reed, David Bowie e Freddie Mercury, além dos ícones do cinema como Al Pacino, Margaret Trudeau e a top model Gia Carangi, que anos depois ficaria conhecida como a primeira mulher vítima do até então recém-descoberto vírus da AIDS.

Obviamente tudo isso tinha um preço. E era caro, muito caro. Por uma época chegou a ser comentado pela imprensa americana que o Studio 54 só faturava menos que a máfia, que até então imperava dentro dos Estados Unidos. Isso se dava justamente pelo senso de exclusividade buscado entre as paredes dos camarotes do Studio 54. Não a toa, o club também ficou conhecido como um dos maiores redutos de drogas e prostituição de alto luxo dos Estados Unidos.

Tudo era exagerado e levava seus mais nobres convidados a agir no limite da loucura, naquele período que coincidiu com a explosão da house music e o aumento da violência na cidade. A disco music vivia bons momentos, mas nem ela foi capaz de salvar o Studio 54, que encerrou sua fase de ouro com uma festa de despedida recheada de convidados.

Para se ter ideia, a já consagrada Diana Ross cantou especialmente para Steve Rubell e Ian Schrager antes do primeiro ir para a cadeia por sonegação de impostos dois anos após a criação da casa. Mas nem de longe Steve era visto como um criminoso, já que a famosa “saideira” teve como convidados atores como Richard Gere, Sylvester Stalone e Farrah Fawcett.

O fechamento do Studio 54 durou pouco e dois anos depois já estaria aberta e pronta para receber alguns dos mais influentes nomes da alta sociedade americana. O responsável agora era o milionário Mark Fleischman, que também escreveria um dos capítulos mais importantes da sua vida mantendo o lendário club aberto por 13 anos.

Foi nessa época que o pop viveu uma realidade de proporções inimagináveis dentro da cultura americana. A transição da disco music para a música eletrônica e o cada vez mais eficiente rock dançante levava músicos como John Taylor a serem muito bem recebidos na casa, que só fechou as portas após uma crise de violência em Nova York e a lei rigorosa de Tolerância Zero implantada pelo agora prefeito Rudolph Giuliani. Era o fim do Studio 54.

Boa parte dessa história pode ser conferida no filme de mesmo nome lançado em 1998 com a atriz Salma Hayek e direção de Mark Christopher. A quantidade de vezes que o filme foi reeditado denuncia a quantidade de histórias que foram limadas da edição original e o teor de tudo o que acontecia na casa. Não a toa, o filme foi arrasado pela mídia, mas se tornou um marco para a cultura LGBT. E pensar que até meados da década de 90 ainda era um tabu imenso abordar isso de forma tão clara como é no filme.

Referência na cultura pop ao longo de quase duas décadas, a exclusiva casa americana sobreviveu a pelo menos duas mudanças consideráveis de gerações tendo como referência o período que nasceu. E tudo o que sucedeu seu fechamento espelha em muito a exclusividade proporcionada pelo trabalho iniciado na década de 70 por Steve Rubell e Ian Schrager. Em um país cheio de espaços exclusivos, ter feito parte da história do Studio 54 segue sendo ainda a maior das exclusividades.

A música passa por aqui.

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