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Titãs gigante! Os 20 anos de Acústico MTV

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Um fenômeno, Acústico MTV dos Titãs é até hoje um dos discos mais vendidos na história da indústria fonográfica no Brasil. Lançado há duas décadas, como envelheceu o disco que praticamente revolucionou o rock nacional às vésperas da chegada do mp3?

Parecia improvável, mas precisava ser feito. Mais ou menos diante dessa situação pode-se pensar tudo o que envolveu o lançamento do álbum que revolucionou o rock nacional e se transformou em um dos discos mais vendidos na história do país. Gravado há 20 anos, Acústico MTV Titãs se tornou a tábua de salvação não só da banda paulista, mas de praticamente toda uma geração de bandas que lutou para sobreviver durante a década de 90.

Ironicamente, Acústico MTV Titãs não é o primeiro projeto do gênero realizado no país. Alguns anos antes nada menos que Legião Urbana e Barão Vermelho já haviam realizado o trabalho junto à MTV, que gradualmente ganhava relevância no circuito nacional. No caso da Legião, o projeto só acabaria saindo em CD em 1999, depois da morte de Renato Russo, e com o Barão Vermelho nada foi aproveitado, servindo apenas como registro para a casa.

Na época em que foi lançado, os Titãs atravessavam sua fase mais turbulenta na carreira. Contando com produção de Jack Endino e comemorando os 15 anos de história, Domingo capengava na preferência dos fãs depois da arrebatadora sequência formada pelos seminais Go Back (1988), Õ Blésq Blom (1989) e Tudo ao Mesmo Tempo Agora (1991). Já a herança do álbum Titanomaquia (1993) parecia apresentar um duro golpe na banda após a saída de Arnaldo Antunes, peça fundamental em sua história.

Diante desse cenário, o próximo lançamento dos Titãs surgia invariavelmente com o propósito de ser um divisor de águas na carreira da banda e comprovar uma solidez colocada à prova nos últimos quatro anos. À medida em que o tempo passava, a necessidade de estreitar um elo com o público criado na década de 90 se fazia mais do que necessária, daí a parceria com a MTV, que na época caminhava a passos largos rumo ao principal canal para toda uma geração.

Gravado no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, o Acústico MTV Titãs tinha em seu line up um time de primeira grandeza. Além da direção do renomado Paulo Junqueiro, atual presidente da Sony Music, a banda trabalhou com Liminha durante o processo que levou alguns dos seus maiores clássicos para o formato acústico.

A lista de convidados também impressionava. Além de Arnaldo Antunes, que com sua participação sepultou qualquer boato de desavença com seus ex-parceiros de banda, os Titãs tiveram a companhia de artistas do calibre de Marisa Monte, Jimmy Cliff, Rita Lee, Fito Paez e Marina Lima, além de um verdadeiro naipe de cordas que transformou versões de imortalizadas na guitarra em versões comoventes amparadas por instrumentos como harpas, trompas, trompetes e violinos.

No setlist, um velho público se encantava com faixas conhecidas do repertório da banda como Televisão, Família, Marvin, Diversão e tantos outros que renasceram com brilho frente a toda uma nova geração de fãs Brasil afora. As inéditas Cegos no Castelo, Nem Cinco Minutos Guardados, A Melhor Forma e Não Vou Lutar logo se transformariam em novos clássicos da banda e agigantavam uma turnê que cruzaria o Brasil nos meses seguintes.

Os números do projeto também assustam. Além de uma estrondosa audiência, o Acústico MTV Titãs atingiu alcançou a marca de algo próximo a 2 milhões de discos vendidos. Para se ter uma ideia do tamanho disso, Banda Eva Ao Vivo, disco que lançou a cantora Ivete Sangalo, atingiu cifras similares e é considerado até hoje um dos mais bem-sucedidos lançamentos no país.

Obviamente o lançamento dos Titãs e sua retomada ao patamar de uma das mais importantes bandas do país fez escola. Não só pela qualidade do trabalho, mas pelo elo criado com a MTV, que acabou sendo seguida por uma enormidade de artistas ao longo dos anos seguintes. Mais que um disco, a gravação de um acústico pela emissora abria a porta para um caminho sem volta, cada vez mais multimídia com a expansão dos DVDs na época.

O formato Acústico MTV também se transformou para a emissora em uma grife à medida que fez com que seu formato funcionasse como uma plataforma de salvação para inúmeras bandas brasileiras. Chega a ser impossível desvincular, por exemplo, o seu impacto na retomada de bandas como o Capital Inicial, gravado três anos depois. Paralamas do Sucesso e Cássia Eller foram outros que atingiram um novo patamar após seus lançamentos.

Já artistas como Charlie Brown Jr e O Rappa entraram na contramão e gravaram seus projetos acústicos no auge de suas carreiras, assim como Marcelo D2, que decolava em carreira solo, mas nenhum desses lançamentos superou o impacto causado pelos Titãs.

Posterior ao seu lançamento, o grupo paulista acabou engatilhando uma sequência pouco inspirada pautada especialmente em regravações, como em Volume Dois e As Dez Mais. Somente na virada do século, com A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, os Titãs voltariam a trabalhar com faixas inéditas. E ainda que tenha levado um tempo para que se adaptasse ao seu novo momento, a transição de público obtido com a realização do Acústico MTV repaginou a banda para encarar a virada do século.

Não seria exagero dizer que nenhum disco do rock nacional alcançará números iguais ao alcançado pelos Titãs em 1997, inclusive pelo fato da MTV como existia antigamente ser apenas uma página nos livros de história. Usado sabiamente na hora certa, o grupo paulista revolucionou o rock brasileiro sem precisar mudar sua sonoridade, apenas tirando o cabo da tomada.

A música passa por aqui.

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