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Christian Scott e o jazz em evolução

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Se reinventando a cada lançamento, o americano Christian Scott lança seu terceiro álbum em 2017 e se consolida como um dos mais criativos e ousados nomes do jazz contemporâneo, rompendo as barreiras do e mostrando que é possível novamente aproximar o jazz de um público jovem.

Ruler Rebel, Diaspora e The Emancipation Procrastination. Três álbuns que nos últimos seis meses cobriram o nome do trompetista Christian Scott de elogios sendo lançados no mesmo ano. Impensável em tempos atuais, o trompetista nascido na Louisiana vive hoje seu melhor momento na carreira, funcionando como uma verdadeira usina de ideias.

Sem medo de ousar, tem sido responsável por dar ao jazz uma vitalidade há muito tempo perdida. Vertente musical que hoje não consegue se aproximar do público mais jovem e tem visto nomes fundamentais de sua história encerrarem suas trajetórias, o jazz de Christian Scott parece injetar de forma definitiva os ingredientes capazes de tornar sua música popular o suficiente para atrair a atenção de uma nova geração.

São influências latinas, elementos eletrônicos e uma energia comparável ao trabalho de artistas como Trombone Shorty. Seu último trabalho, o ótimo Diaspora, logo de cara parece ter saído de uma mix realizada por algum DJ e incorpora programações que rejuvenescem o som do trompete de Christian, que mesmo com uma gama tão grande de elementos em seu som faz com que sua música soe agradável ao público mais conservador.

Muito dessa ousadia pode ser explicado pela relação que o americano mantém com sua música, construída como se fosse um elástico que vai até outras vertentes e volta. Não a toa fundou em 2015 a Stretch Music, seu selo particular, por onde disponibilizou um aplicativo capaz de separar canais de instrumentos e estimular novos usuários/músicos a improvisarem com maior facilidade, se adequando ao ritmo criado.

Com o Stretch Music App é possível trabalhar faixas de forma similar ao projeto realizado por Robert Glasper no premiado álbum Everything Beautiful, quando levou a música de Miles Davis para uma outra atmosfera musical, repleta de elementos de hip hop e soul, praticamente dando continuidade ao trabalho realizado do trompetista desde a virada da década de 60, quando encontrou o rock/fusion, o afrobeat e o pop.

Dadas as devidas proporções, Christian Scott também pode ser comparado com os grandes nomes do jazz da década de 60 e 70. Não se trata de um aventureiro. Além de uma estrutura capaz de levar sua música aos quatro cantos do mundo, o trompetista ganhou um know-how na virada da última década com a indicação ao Grammy com o álbum Rewind That, o primeiro pela Concord Records, e os dois prêmios Edison Awards, em 2010 e 2012, como um dos mais inovadores nomes do jazz contemporâneo.

Aprendiz de artistas como Gary Burton, parceiro – entre outros – de nada menos que Chick Corea, o jazz de Christian Scott se abriu para a música latina com o projeto Ninety Miles, quando ao lado de Stefon Harris e David Sanches mergulhou no cerne de vertentes como a salsa, a rumba, o bolero e o chá-chá-chá. Projeto que tem seu título inspirado na distância que separa a ilha de Fidel da costa americana, Ninety Miles rendeu um documentário de mesmo nome e a parceria com músicos cubanos como Rember Duharte e Harold Lopez Nussa.

Aclamado desde seu lançamento, o show de Ninety Miles foi apresentado em diversas cidades dos Estados Unidos ao lado de artistas cubanos como Arturo Sandoval e dos remanescentes do Buena Vista Social Club. Foi nessa época que Christian, ao lado de Stefon e David, veio ao Brasil pela primeira vez, quando se apresentou dentro do BMW Jazz Festival.

O sucesso com trilhas sonora também fez de Christian Scott uma espécie de “queridinho” de diversos cineastas como Jonathan Demme (falecido em abril de 2017) e Spike Lee. Respaldado musicalmente, também teve a chance de trabalhar ao lado de nomes que vão de McCoy Tyner, parceiro lendário de Miles Davis, até Mos Def, um dos maiores nomes do hip hop contemporâneo.

Ativo em todas as frentes, Christian Scott foi considerado um dos “30 negros mais influentes do mundo” pela revista Ebony Magazine. A indicação se deu especialmente por seu trabalho social, que foi fundamental – especialmente após a grande enchente de New Orleans – na retomada da rotina na cidade. Para se ter uma ideia de sua importância pela preservação do legado da cidade americana, o trompetista foi responsável pela doação e distribuição de mais de 40 mil livros para o aprendizado de música em escolas locais.

Atento ao passado e aberto a tudo no presente para construir o futuro do jazz. Christian Scott vem sendo reconhecido por fazer essa transição do jazz para uma linguagens multimídia feita sob medida para o público jovem.

Fazendo uso de praticamente tudo o que a tecnologia pode lhe proporcionar, segue buscando a linha tênue que tira a poeira de um gênero que durante a década de 90 e a virada do século se recusou a envelhecer tanto quanto a rejuvenescer com as novas tendências musicais. E dessa estagnação Christian Scott é certamente o nome que está disposto a abrir as janelas e fazer do jazz algo tão acessível quanto fez Louis Armstrong na década de 50.

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