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Os 50 anos da Flying V, a guitarra do futuro

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Criada há meio século, a Flying V foi desenvolvida como uma das maiores ousadias da época e considerada a guitarra mais futurística da empresa de Orville Gibson. Hoje instrumento emblemático de músicos de heavy metal, como chega ao século XXI a chamada “guitarra do futuro”?

Elas nasceram muito antes do gênero que a consagrou. Foram renegadas por toda uma geração de músicos e hoje possuem uma estreita ligação com uma vertente que soa cada vez mais à margem do mundo da música. Criada em 1957 e lançada um ano depois, a primeira Gibson Flying V é um projeto de Ted McCarty, até então presidente da empresa de guitarras, buscando lançar no mercado um instrumento com ares futurísticos, capaz de dar mais força à marca. Não deu certo.

Instrumento que exaltava a rebeldia do rock no momento em que o mesmo vivia seu auge de popularidade desde o fim da primeira metade do século, a Flying V não era o filho único de Ted McCarty. Além dela a empresa também lançaria os modelos Futura, X-Plorer e a Moderne, todas com um visual relativamente parecido e igualmente rejeitados pelo público da empresa.

Guitarra que notavelmente parecia a frente de seu tempo, a Flying V nao foi idealizada apenas com a concepção de ser um instrumento futurista. Longe disso. Inicialmente Ted havia recebido como missão de Orville Gibson, dono da marca, a responsabilidade de idealizar uma guitarra que contasse com um corpo menor, reduzindo o custo de produção da empresa. O que de certa forma aconteceu, ao menos em um primeiro momento.

Mesmo com uma rejeição instantânea em seu lançamento, houve também quem apreciasse seu formato e acabasse construindo sua carreira em posse do instrumento mais ousado da época. O bluesman Lonnie Mack que o diga, já que o modelo de Ted o acompanhou até o último de seus dias, em 2016. Dono de um som mais agressivo e cru, o guitarrista americano compôs todos os seus sucessos com a Flying V, que acabou anos depois sendo referência até para músicos de Southern Rock. Albert King foi outro que adotou a guitarra e teve sua imagem ligada à história do instrumento, mesmo quando ele deixou de ser fabricado nos anos seguintes, mas nada comparado a Lonnie Mack.

O fracasso de venda da Flying V e a rejeição da mais variada legião de músicos tonaram a linha de instrumentos descontinuada um ano depois de seu lançamento. Só uma década depois o projeto sairia novamente da gaveta para ganhar o mercado, agora com leves alterações que deram consistência ao seu timbre.

Com a chegada da década de 70 e a ascensão de vertentes mais pesadas do rock, especialmente o heavy metal, logo a Flying V se tornaria um verdadeiro objeto de desejo. Andy Powell, membro do Wishbone Ash, que o diga, já que fez do instrumento fundamental para o som da banda ainda na década de 60. Outro nome importante na difusão do estilo da Flying V foi Michael Schenker, que fundaria o Scorpions em 1969 e daria outra aura para o instrumento que viria a ser o espelho do heavy metal. Vale considerar nisso o fato do Black Sabbath ter sido fundado na mesma época e definir a estética do gênero, mas Tony Iommi jamais abandonaria sua guitarra SG.

A popularidade da Flying V nos anos seguintes cresceu de forma substancial e isso pode ser medido pela quantidade de bandas de heavy metal que foram formadas nos anos seguintes e retratadas ao lado do instrumento, especialmente próximo dos anos 90, quando ganhou o mainstream de forma definitiva com nomes como o Metallica, por exemplo. Não a toa Kirk Hammett e Dave Mustaine seguem sendo alguns dos principais nomes para se associar o formato da guitarra até hoje.

Ainda assim, financeiramente a futurística guitarra de Ted McCarty nunca deu à empresa o retorno financeiro esperado. Mesmo com a adição de cores e mudanças estruturais que passavam por alterações em seu corpo e até nos captadores utilizados, o modelo chegou a ser descontinuado por pelo menos mais duas oportunidades até trazer em 2007 sua versão definitiva, mesmo que financeiramente nunca tenha sido unânime dentro da empresa.

Uma das curiosidades durante o auge da Flying V, nos anos 80, é que a Gibson chegou a lançar um baixo no mesmo formato da guitarra, obviamente desqualificado pelo mercado. Apenas algumas centenas de instrumentos foram produzidos, mas só em 2012 que a ideia acabou sendo abolida de forma definitiva.

Meio século depois de seu lançamento, a Flying V passa longe de ser o instrumento tão idealizado pela indústria fonográfica. Com ares de nostalgia, seu auge nos anos 80 após duas ocasiões de descontinuidade deram ao instrumento um ar de ultrapassado, mesmo que sua presença no heavy metal siga sendo marcante, mas ainda restrito.

Porém, ironicamente, a Flying V é na maioria das vezes o único modelo de guitarra reconhecido por fãs ao redor do mundo que não conhecem a variedade do instrumento. Basta associar ao heavy metal. E mesmo que não atenda da forma mais perfeita ao público para o qual foi inicialmente produzida, a invenção de Ted McCarty conseguiu envelhecer com dignidade suficiente para escrever uma história repleta de muito barulho e riffs que transformaram o mundo da música pesada, atribuindo ao seu estilo uma personalidade que nem no mais complexo sonho poderia ser imaginado por seu primeiro projetista.

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