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A música no cérebro

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Todo mundo já viu essa cena em qualquer festa: criancinhas que mal aprenderam a andar, quando ouvem uma música que lhes agrade, dançam. Esse comportamento dos pequenos – que não existe entre os animais – levou os cientistas a acreditarem que o gosto pela música é uma característica inata da espécie humana. Mas por quê? Para que ela serve? O Passagem de Som investiga essa questão no lugar onde ela se inicia: a nossa cabeça.

Música e evolução
A música é parte intrínseca de nossa cultura. Na verdade, a atividade musical surgiu muito antes de podermos falar em cultura humana. Pesquisadores encontraram flautas de ossos feitas pelos homens de neandertal há cerca de 52.000 anos. Também se descobriu que as pinturas ancestrais feitas em cavernas são mais abundantes nas partes em que as cavernas apresentam melhor acústica. Ao que parece, os homens da idade da pedra também gostavam de cantar.

Há uma porção de explicações para o surgimento e a reprodução do comportamento musical entre os grupos de hominídeos, mas nenhuma conclusão definitiva. Alguns estudiosos afirmam que fazer música era uma conduta sexual, de modo a atrair parceiros. Outros acreditam que o que originou o canto humano foi o costume de reproduzir os sons dos animais para atrair a caça ou para afastar predadores. No caso dos homens das cavernas, acredita-se que tanto as pinturas como o canto – ou o imitar dos barulhos dos animais – eram parte de rituais para que a caça efetivamente acontecesse.

Os rituais são os grandes responsáveis para a expansão musical na cultura humana. Usava-se (e ainda se usa) música para transmitir conhecimento, para encorajar guerreiros, para falar com os espíritos. A música tem o poder de unir pessoas em torno de um objetivo e, em geral, faz com que nos sintamos bem. A chave dessas sensações está em nosso cérebro.

Além da audição
Ouvir música é um processo complexo que tem início no ar. A onda sonora atravessa o ar até nós e comprime os tímpanos, membranas muito finas que temos no ouvido. A força aplicada nos tímpanos põe em movimento uma porção de estruturas minúsculas, até que o som se transforma em impulso elétrico e é levado pelo sistema nervoso ao cérebro. É lá que a mágica acontece: a interpretação do som como música.

Não há uma única região do cérebro ativada pela música. As informações musicais fazem com que diversas partes dos dois hemisférios cerebrais entrem em atividade. Isso pode explicar a existência de gagos que cantam bem e de portadores do mal de Alzheimer que reconhecem canções de sua infância, por exemplo. E fornece uma pista para explicar nosso gosto pela música. Robert Jourdain, autor do livro Música, Cérebro e Êxtase, afirma que a música é responsável por uma integração das atividades cerebrais que não se alcança habitualmente.

Ouvir música seria uma maneira de coordenar o fluxo de estímulos mentais e chegar a um nível mais elevado de pensamento. Mas será que qualquer música é capaz de fazer isso? Será que Mc Bola de Fogo pode regular nossa atividade mental tal qual Mozart?

A música no cérebro - Créditos: Divulgação

Acompanhando o ritmo
Obviamente, os efeitos da música sobre as pessoas não são os mesmos nem para todo tipo de música, nem para todo tipo de pessoa. Mas há uma predisposição a determinadas sensações dependendo dos sons que ouvimos. O cinema sempre se aproveitou disso. Difícil encontrar alguém que não fique com frio na espinha ao escutar a trilha sonora dos filmes Tubarão e Psicose. O amor de Scarlett O’Hara não seria o mesmo sem a famosa melodia de O Vento Levou.

São as variações de ritmo e tom as bases dessas sensações que experimentamos. Pesquisas apontam que bebês sorriem ao ouvir acordes considerados perfeitos e se tornam inquietos ao escutar sons dissonantes e instáveis. Alguns cientistas afirmam que esse modo de interpretarmos os sons surgiu na época em que precisávamos nos defender de predadores. Os sons amistosos eram mais agudos e tonais – como o de um cãozinho quando pede carinho. Já um rugido era grave e ruidoso. Isso explica porque associamos estilos como o heavy metal com a agressividade.

Quanto aos ritmos, nossa resposta costuma variar com base nos nossos próprios ritmos corporais. A percepção da música está intimamente ligada à percepção do tempo – que tem a ver com o pulso sanguíneo, o bater do coração, a respiração, os movimentos musculares e até os ciclos cerebrais. Sabe-se, por exemplo, que a audição de sons em frequências próximas às do cérebro em estado alfa – um estado intermediário entre o sono e o despertar – podem causar sonolência. Já a música pop costuma se valer do ritmo dos passos ao caminhar para estabelecer suas batidas por minuto.

Emoções e lembranças
Se há uma resposta biológica a determinados tipos de sons, por que, então, existem tantas preferências musicais diferentes? A resposta está na capacidade que a música tem – e não há cientista que explique de onde vem – de influenciar nossas emoções. Para bem ou para mal, toda música gera reações emocionais. Por conta disso, a interpretação dos sons musicais é completamente subjetiva. E, pela mesma razão, a música é capaz de fixar ou reavivar lembranças de pessoas, períodos e acontecimentos da vida.

O neurologista Oliver Sacks, autor do livro Musicophilia (sem tradução em português), presenciou muitos casos interessantes envolvendo pessoas que perderam a memória. Um dos casos mais severos foi o de Clive Wearing, um pianista inglês que por conta de uma infecção cerebral perdeu toda a memória de seu passado e a capacidade de reter novas informações.

Ele manteve um diário onde, durante anos, se limitava a anotar: “acabo de acordar”; “estou acordando”; “agora realmente acordei”. Mesmo intrinsecamente preso ao momento presente, Clive manteve intactas suas habilidades ao piano.

Coordenação social
Hoje, a música serve a propósitos terapêuticos e de lazer individual e social. Apesar de carregarmos com facilidade nossos mp3 players por aí, ainda gostamos de compartilhar a música. Curtir a mesma música com outras pessoas proporciona um sentimento de integração e um vínculo imediato. Ou seja, a música nos aproxima de uma forma que a fala não é capaz.

Ainda há muito a ser explorado acerca desse tema. Hoje se fazem estudos para descobrir que tipo de música é melhor para se concentrar no trabalho ou nos estudos, ou quais músicas de espera em call-centers podem evitar que se cometa suicídio ou desligue o telefone. Existem médicos que usam Beethoven em salas de parto para estimular contrações. A música sempre esteve conosco – e, pelo que se vê, vai estar presente até o fim dos tempos.

Oliver Sacks, autor do livro Musicophilia - Créditos: Divulgação

CURIOSIDADES
Sinestesia

Pense na possibilidade de ouvir cheiros ou enxergar sons. Parece coisa de drogado, mas há pessoas que nascem com essa bizarra habilidade chamada sinestesia. Na verdade, os sentidos humanos são mais fluidos e intercambiáveis do que se aprende na escola. Para algumas pessoas, as sensações auditivas e de cores caminham naturalmente juntas, como todos nós unimos o gosto ao cheiro. Há músicos que definem as peças musicais como “azuis” ou “amarelas”, como relata Oliver Sacks ao falar sobre o livro Musicophilia.

Saiba mais em: http://www.overstream.net/view.php?oid=sgahnaewu4tb

Amusia
É uma condição muito rara em que a pessoa é completamente incapaz de interpretar sons ritmados como música. Pessoas com amusia – que pode ser congênita ou adquirida por lesões cerebrais – não distinguem uma canção da outra nem a música de outro barulho qualquer.

A música passa por aqui.

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