All for Joomla All for Webmasters
Previous Next

The Aristocrats - Culture Clash

User Rating: 0 / 5

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Nos últimos anos se tornou comum anunciar a formação de supergrupos no mundo da música, fenômeno que na maioria das vezes acabou resultando somente em uma pequena turnê e o desaparecimento gradual do projeto para que seus integrantes voltassem a se dedicar a seus trabalhos originais.

Excessão feita à “regra”, um dos poucos nomes que acabaram seguindo mais adiante com a alcunha de supergrupo foram o ótimo Chickenfoot (Satriani, Sammy Haggar, Michael Anthony e Chad Smith) e o Black Country Communion (Glenn Hughes, Joe Bonamassa, Derek Sherinian e Jason Bonham), porém ambos hoje permanecem fora dos holofotes – inclusive com a dissolução do segundo e a criação de um novo projeto pelo baixista Glenn Hughes – mantendo relevante a ideia de que grande parte desses projetos seja apenas a realização (ou a distração) de grandes músicos para atuar fora do ambiente de suas bandas ou até mesmo evitar um necessidade em atender à expectativa dos fãs para possibilitar uma nova abertura musical na carreira.

Um pouco mais distante do universo dos supergrupos de maior impacto frente a mídia, não é difícil enumerar uma quantidade significativa de projetos instrumentais que contam com a participação de músicos de primeira grandeza. CAB, California Guitar Trio, Niacin, Black Light Syndrome e muitos outros são exemplos de música de alto nível distante do mainstream, construída normalmente por músicos de carreira estabelecida. Nessa esteira uma das grandes atrações é o trio The Aristocrats, que lançou em 2013 seu segundo album, Culture Clash.

Formado pelo renomado guitarrista Guthrie Govan (Steven Wilson e Asia), o baixista Bryan Beller (Steve Vai, James LaBrie) e o virtuoso baterista Marco Minnemann (Paul Gilbert, Trey Gunn), o The Aristocrats ganhou destaque com seu homônimo álbum de estreia ao caminhar por uma sonoridade próxima do jazz rock, realizando um trabalho menos explosivo quando comparado que o progressive metal que servia de base para a carreira de seus músicos, gerando uma expectativa considerável por seu segundo lançamento, três anos após sua estreia.

Culture Clash é lançado em um momento onde o trio parece ter sido alçado a um degrau mais alto na carreira, algo perceptível em seu nível técnico, o que permitiu maior segurança para um flerte com novas vertentes.  Em um disco complexo e agradável, o The Aristocrats abusa das variações com espaço suficiente para dividir a atenção sobre cada instrumento, transitando entre o jazz rock mais clássico e o progressive metal, ambiente mais próximo da realidade de seus integrantes.

A abertura do álbum, com a grooveada Dance Of The Aristocrats, praticamente se inicia de onde seu disco de estreia havia se encerrado. Sem abusar dos solos e primando pela melodia, a longa faixa-título de Culture Clash reforça o conceito de que muito mais do que uma jam entre amigos há a questão da melodia, muito bem explorada em um grande trabalho. E é a partir desse momento que o trio começa a apresentar as principais mudanças em relação ao trabalho realizado em 2010.

Com uma presença muito mais nítida de solos e uma velocidade acima da normal (isso ao ter como referência o álbum de estreia do The Aristocrats), fica evidente o quanto a evolução musical de Guthrie Govan ao lado de Steven Wilson o tornou uma das maiores referências das seis cordas nos últimos anos. Reflexo disso pode ser conferido na sequência Louisville Stomp e Ohhhh Noooo, responsáveis pela fase mais intensa do álbum enquanto insere uma dose extra de experimentalismo ausente em seu primeiro trabalho.

Caminhando em um ambiente mais próximo da sua realidade, o metal progressivo acaba dando a tônica de parte do tracklist de Culture Clash, principalmente em faixas como Desert Tornado e Living the Dream, as mais pesadas e rápidas do disco, que só não se torna um desfile de solos por conseguir manter o feeling de seus músicos em primeiro plano, como nas intimistas Gaping Head Wound e And Finally, um contraste necessário e precioso para que se evite uma perda de foco do trio.

Extenso e cheio de variações, Culture Clash impressiona muito mais pela técnica do que pelo feeling, ainda que esse segundo fator seja fundamental nos momentos em que o trio parece se seduzir pela possibilidade de embarcar em um universo mais complexo musicalmente. Guthrie Govan, Bryan Beller e Marco Minnemann não decepcionam em seu segundo álbum, mas a tentação bate sua porta. Excelentes músicos, fica difícil imaginar que seja possível ser reconhecido por aliar tamanha velocidade a um feeling pontual, mas isso é uma história que ficará guardada para um vindouro terceiro álbum do trio, que nesse momento dá seu passo decisivo e agora pode escolher de forma definitiva por qual estrada deverá seguir.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais