Ao vivo

Dona Onete – SESC Pompeia (24.02.20)

Existem artistas cuja a oportunidade de se ver ao vivo não pode ser desperdiçada. Dona Onete é uma delas. Em período de Carnaval então…

Com dois shows esgotados no SESC Pompeia, a paraense, autêntica Rainha do Carimbó, vem de momentos incríveis. Aclamada por uma nova geração, literalmente incendeia por onde passa. Seu novo álbum, Rebujo, botou o público pra dançar em 2019, mas é com faixas de Banzeiro, um autêntico clássico moderno, que tudo acontece.

Hoje com seus 80 anos, Dona Onete ainda tem a vitalidade de uma criança. Sabe transmitir uma energia que desafia a realidade e um entrosamento com o público que faz com que sua presença se transforme algo maior que a luz, mas uma energia incontrolável, capaz de colocar todo mundo para dançar.

Acompanhada de um quarteto, Dona Onete ao vivo engata faixa atrás de faixa sem muita cerimônia. São faixas que falam de amor, de tradição e da maravilha que é desafiar a própria idade. Pouco importa se a maioria do público não tem ideia de que “No meio do Pitiu” significa estar o cheiro do peixe, normalmente sentido em um grande mercado paraense. Com sua letra grudenta e um ritmo frenético, é como se um hit da disco music fosse entoado a plenos pulmões.

Levando ao palco praticamente todo repertório do DVD Flor da Lua, lançado em 2018, além de boa parte do álbum Rebujo, Dona Onete é um furacão que passa durante pouco mais que uma hora, levando à exaustão qualquer um que se propõe a abrir o sorriso com sua música. Talvez um dos maiores sucessos dentro de seu repertório, Banzeiro segue sendo o ponto alto de um show que se torna inesquecível a cada vez que ela sobe no palco.

Tal qual a letra de Jamburama, o público desce, desce, desce, desce, sobe, sobe, sobe… o quanto sua intérprete desejar. Não é só um show, mas uma experiência que só exalta o tamanho da cultura brasileira. Por pelo menos uma hora São Paulo foi o Pará. E que essa energia volte quantas vezes a Rainha do Carimbó desejar!

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Anderson Oliveira

Editor da Revista Som (www.revistasom.com.br) e do Passagem de Som, é formado em Publicidade e Propaganda com pós-graduação em Direção de Arte. Atualmente se aventura pela computação gráfica enquanto luta para completar sua coleção de Frank Zappa.