Lançamento

Resenha: Galantis – Church

Quando o Galantis, dupla sueca formada por  surgiu para o mundo Christian Karlsson e Linus Eklöw, surgiu para o mundo, a EDM ditava o ritmo do jogo. Era uma época em que o palco principal do Tomorrowland entoava hits atrás de hits e a catarse era certa a cada 10, 15 minutos. O auge de um movimento que virou de ponta-cabeça o mundo da música.

No caso do Galantis, em específico, bastava as primeiras palavras de hits como Runaway (U & I) começarem  e pronto, parecia que o lugar ia explodir. De fato, Pharmacy, seu primeiro disco, é um momento ímpar na EDM. Isso fez com que a dupla se tornasse uma das mais ambicionadas ao redor do mundo. No Brasil mesmo, levou um tempo até que o Galantis fizesse sua primeira tour, mas mesmo assim a onda de histeria seguiu forte por onde o duo passasse.

Nesse caminho houve espaço para o segundo álbum do grupo, o razoável The Aviary, que acabou passando sem muita histeria pelo público, quando comparado com sua estreia. Ainda assim, singles como True Feeling ainda fizeram algum barulho. Repetindo a fórmula de outrora, o hype do Galantis não chegou a reduzir, mas a sensação era de que era necessário aproveitar uma nova onda, algo que não aconteceu até o lançamento de seu mais novo disco, Church, nesse 2020.

Está lá a mesma fórmula da estreia do Galantis. Participações de peso, refrães para serem cantados em arenas, movimentos constantes de uplifiting e hands up (não se assuste com o termo, isso é basicamente aquele momento em que a música converge para uma explosão com refrão e você se empolga, ok?) e, principalmente, a estrutura da música pop, deixando a dupla como coadjuvante do próprio trabalho.

Há bons momentos em Church. A participação de Dolly Parton, lendária artista country, em Faith, é seguramente o maior deles. Daí por diante é preciso ver o álbum com a ótica do copo meio cheio ou meio vazio. São faixas bem produzidas, destaque para Hurricane, com john Newman, e Bonfire, com Steve James, mas a sensação de ouvir o mesmo disco de 5 anos atrás pela terceira vez perdura até o fim, com Bones, que tem nada menos que o One Republic, como convidado.

Embora sejam faixas curtas, em alguns momentos fica difícil identificar até mesmo quem é o dono da bola em Church. Com faixas que parecem buscar muito mais a permanência nos charts das principais rádios do mundo do que nas pistas, o que se vê no Galantis hoje é uma busca por relevância em meio a mais um possível zeitgeist na música eletrônica. Ainda não aconteceu, mas já é nítido sentir que do jeito que está não vai ficar por muito mais tempo.

A música colorida da dupla (algo que reflete tão bem nas capas de seus álbuns) segue ainda com força para empolgar arenas, mas sem pensar no dia de amanhã. Repetindo todas as fórmulas que o consagraram, Church termina seu tracklist com a sugestiva F**K Tomorrow, uma expressão que, para quem acompanha essa cena, pode dizer muita coisa.

O Galantis hoje faz dançar. Church ainda é capaz disso, mas e amanhã? E quem se importa? Vá para a pista e aproveite!

TRacklist:

01 – Steel
02 – Faith (feat. Mr. Probz)
03 – Unless It Hurts
04 – Never Felt A Love Like This (feat. Dotan)
05 – Holy Water
06 – Hurricane
07 – Stella
08 – Bonfire
09 – Fuck Tomorrow Now
10 – Miracle
11 – Feel Something (feat. flyckt)
12 – We Can Get High
13 – Bones (feat. OneRepublic)

Tags

About the author

Avatar

Anderson Oliveira

Editor da Revista Som (www.revistasom.com.br) e do Passagem de Som, é formado em Publicidade e Propaganda com pós-graduação em Direção de Arte. Atualmente se aventura pela computação gráfica enquanto luta para completar sua coleção de Frank Zappa.